aconteceu nessa semana.

1. estava sentada na cantina da faculdade minding my own business quando um grupo de meninas de 16-17 anos, usando uniforme escolar, me abordou perguntando se eu poderia fazer uma entrevista. não estava fazendo nada mesmo, concordei. elas perguntaram se poderiam tirar fotos e me filmar. neguei. não sei o motivo de ter negado. elas ficaram um pouco desapontadas, mas continuaram. pedi para que elas se sentassem comigo. elas fizeram aquela cara de ‘estou sentada na cantina da faculdade que quero estudar, conversando com uma universitária. sou gente grande. yay’.

achei engraçada as perguntas que elas fizeram. a primeira foi: “como é estudar aqui?”. primeiro ri e depois pedi para elas serem um pouco mais específicas. elas não entendiam que a pergunta era genérica demais: ‘ah, aqui.’ respondi alguma coisa que não me lembro mais. a segunda era sobre o espaço físico do campus. depois sobre o sistema de cotas. se eu acreditava que existiam estereótipos na universidade, se eu sabia o que eu seria depois de formar. mas a melhor foi a última pergunta. elas estavam se esquecendo dela. já tinham me agradecido, levantado da mesa, mas uma delas se lembrou e voltou atrás:

‘você acredita que vai mudar o mundo?’

eu fiquei uns segundos rindo: ‘não. não mesmo.’

2. no feriado fui almoçar com uns amigos. já no segundo ônibus que eu tinha tomado naquele dia (em um total de quatro), estava ouvindo minha música, quieta, no engarrafamento. de repente olho para janela e um cavalo estirado no chão. ele era branco, aparentemente saudável e não tinha nenhum ferimento. os olhos estavam entreabertos e o asfalto perto dele estava molhado, aparentemente de urina. estava morto. várias pessoas ao redor, olhando, sem fazer nada. logo mais a frente, o ônibus que o tinha atropelado, parado.

3. depois de um almoço estranhíssimo essa semana, paguei minha conta e fui olhar através da porta de vidro, para o gramado. perto dos meus pés, um pardal que tinha acabado de morrer, com o peito para cima e a cabeça de lado, de olhos fechados.

4. desci do ônibus e estava chovendo muito. o ponto de ônibus lotado de gente, sem nenhum abrigo. saí atravessando a avenida. o guarda-chuva não fazia muita diferença. entrei ensopada em uma loja de departamento. sentei sobre uma pilha de tapetes, tirei meus sapatos que estavam cheios de água. um homem ao meu lado, não era nem dez anos mais velho que eu, conversava com o amigo. falava dos dois carros que tinha (um era muito duro e não era bom para andar na cidade), da casa com quintal e do casamento que aconteceria ano que vem.

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2 comments
  1. blair said:

    parabéns pelo post ! (o elogio é breve, pois o comentário não objetiva chamar a atenção para si mais do que ao texto, mas espero ser suficiente 🙂

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