os melhores de 2012.

Como minha memória é péssima, só me lembro dos filmes que vi e anotei aqui no bloguinho. Ou seja, entre janeiro e setembro, há um nuvem negra confusa de filmes, séries, livros e álbuns que tomei conhecimento, mas se perderam na minha cachola. Para todos os efeitos, acá estão os comentários de apenas quatro dentre os pouquíssimos filmes de 2012 que assisti e foram devidamente listados/registrados:

1. ‘O som ao redor’ – ou ‘Neighbouring sounds’ como a gringa conhece – está em várias listas de melhores do ano. Assisti esse filme no Indie Festival e achei bom, mas não entrou para a minha lista de melhores. É o retrato da nossa vidinha classe média brasileira e a gente passa metade do filme rindo por reconhecer o nosso grupo social ali reproduzido.

2. ‘Mekong hotel’. Sou ignorante e não entendi qualé a do filme. Fotografia bonita, mas achei o filme em si uma bosta. Me deixa.

3. ‘Skyfall’. Melhor James Bond. Filme de porradaria bem feito, James Bond envelhecendo e entendendo a vida, não se vê mais como o fodão – ao mesmo tempo ele se vê sim, né. Claro. Javier Bardem incrível.

4. ‘To Rome with love’. Woody Allen fraquinho, porém… Woody Allen anual enternecendo nossos corações. E…

O primeiro ponto alto de 2012: Greta Gerwig.

O Felipeta já falou dela no blog dele (vai lá e leia), mas ela também faz parte dos melhores do meu ano. Papelzinho mixuruca no Woody, protagonista no ‘Lola versus’. Fez meu ano em ‘Nights and weekends’ (2008), deve concorrer a alguma premiação com a personagem maluca de ‘Damsels in distress’ (2011). Tem que acompanhar essa mina aí, ein. Nomeada pelo Huffington Post como ‘the indie queen’.

nights and weekends (2008)

O segundo ponto alto de 2012: Wes Anderson e…

O melhor filme de 2012: ‘Moonrise kingdom’.

Que boa ideia me deram de fazer a maratona Wes Anderson. O cara não tem filme ruim e todos são delicinha de assistir. E ‘Moonrise kingdom’ foi o melhor filme desse ano. Esse filme me ganhou porque eu normalmente detesto filmes em que as crianças são protagonistas. A maioria dos atores tenta forçar a barra para parecer adulto. E não tem coisa mais feia que criança tentando ser adulto. Nesse filme, os atores são excelentes e os personagens realmente são maduros, mas com umas escorregadas em atitudes infantis. Não sei como, mas uma criança de 12 anos conseguiu ser sensual, sem ser vulgar e sem ser forçado.

o melhor de 2012: 'moonrise kingdom'

o melhor de 2012: ‘moonrise kingdom’

Enfim, minha escolha de melhor filme do ano é bem rasteira porque, como visto, não assisti quase nada. Nem estou afim de consertar isso. Paciência. Porém, em todas as listas que tenho visto, inclusive do The New Yorker, está aparecendo aquele filme ‘Holy motors’. Vou ver se assisto e saco qualé.

O terceiro ponto alto de 2012: Twin Peaks (1990-1) e Twin Peaks: Fire walk with me (1992).

Aqui na minha lista começam a surgir velharias que só fui tomar conhecimento agora. Sou jovem e ignorante, ainda estou conhecendo o mundo. Acho que não preciso falar porque Twin Peaks foi um ponto alto do meu ano, né. Já é conhecido que essa é uma das melhores séries já produzidas na história. David Lynch e Mark Frost sem piedade alguma, aniquilando os telespectadores há duas décadas. Se não viu, tem que ver. Se viu, tem que ver de novo. E assim vai. Tem tudo nessa série. Desde atuação do próprio David Lynch até um dos melhores finales da teledramaturgia. A maioria não viu o filminho, que é o prequel da série: como Laura Palmer se enfiou nessa enrascada. Tem que ver.

agent cooper

O quarto ponto alto de 2012: Six feet under (2001-2005)

Outra série velha que todo mundo ama e que eu não conhecia. Tinha preconceito com essa série. Há uns anos atrás vi de relance alguma cena com o Keith e o David passando na Warner Channel e achei que era tipo aquela série ‘The L world’, com aquela chatice de discussão de gêneros forçada.  Não. Falso. Incorreto. Primeiro: não que a série se restrinja a isso, mas tem o melhor casal gay de toda a tv e cinema juntos. Porque eles são reais. São verossímeis. Segundo: todo mundo conhece essa série pelo jeito que ela te massacra de tanto chorar. E é verdade. No final você já se sente como parte da família Fisher. Os personagens são muito bem construídos, é impressionante. Novamente, um dos melhores finales da história. Te faz pensar na vida. Mesmo.

piloto, 'six feet under'

piloto, ‘six feet under’

O quinto ponto alto de 2012: ‘Attenberg’ (2010) e ‘Kynodontas’ (2009).

Esses gregos são dementes e maravilhosos. Não dá pra falar nada desses filmes que estraga. Tem que assistir. O ‘Kynodontas’ é do Giorgos Lanthimos que também atuou no ‘Attenberg’, da Athina Rachel Tsangari. Estou com o ‘Alpeis’ (2011) aqui na fila e, certamente, deverá entrar para os melhores.

'attenberg' (2010)

‘attenberg’ (2010)

O sexto ponto alto de 2012: ‘Medianeras’ (2011)

Foi com certeza um dos melhores filmes que eu vi esse ano. Tem o jeito do ‘Nights and weekends’ da Greta Gerwig, no sentido de retratar a nossa vida normal, do jovem adulto médio, contemporâneo. São pessoas cagadas tentando dar certo. Muitas das coisas que eles fazem no filme, a gente também faz. Gosto de me identificar e achar graça nas podreiras dos outros que também são minhas. Esquenta o coração. Um filme de solitários cheios de manias e idiossincrasias. Filme de Gustavo Taretto.

'medianeras' (2011)

‘medianeras’ (2011)

O sétimo ponto alto de 2012: ‘Barba ensopada de sangue’, do Daniel Galera.

Literatura contemporânea brasileira. Romance amadurecido de Daniel Galera. Narrativa descontraída. Você já deve ter ouvido falar desse romance nesse final de ano e ele valeu o falatório. Kudos para o Daniel Galera. Se no cinema, ‘Medianeras’ e ‘Nights and weekends’ retratam a realidade bruta e crua, o Daniel Galera faz isso na literatura. Claro que em alguns momentos o romance beira ao fantástico, mas a tônica é diferente. É a imitação de um real mais que real.

o meu é o da capa azul, então é ele que vou colar aqui

O oitavo ponto alto de 2012: ‘História da água’, de Laura Cohen.

Primeiro romance publicado da Laura Cohen (anote esse nome que muito mais virá). Não tem como me desvincular da afetividade: minha melhor amiga e vi o início desse livro, quando ele era ainda algumas anotações no Moleskine, páginas rabiscadas. A história é muito boa e intensa, personagens bem construídos e o objeto-livro também é incrível. Projeto gráfico da própria Laura e da Luísa Helena. Se não leu, tem que ler. Haverá outro lançamento no Verão Arte Contemporânea, dia 26/01.

várias histórias d’água

O nono ponto alto de 2012: ‘Macanudo’, do Liniers.

Gastei uma nota preta esse ano comprando todos os Macanudos que saíram no Brasil até então e: valeu super a pena. Outra coisa que a maioria torce o nariz, mas que é sensacional são os quadrinhos. É impressionante a delicadeza do Liniers, o humor singelo e as verdades-verdadeiras que ele joga na nossa cara sem dó, nem piedade. Li e reli alguns volumes. É daquelas coisas que você tira uma tarde de domingo para ficar de pernas para o ar lendo, tomando suco de melancia, achando a vida boa.

henriqueta sendo incrível com o madariaga ao lado

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