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Monthly Archives: Janeiro 2013

Depois de escrever o post sobre procrastinação, percebi que muitas pessoas sofriam do mesmo problema que eu. Vou tentar fazer uma lista de coisas que me ajudam a superar esse problema. Espero que seja útil. E, por favor, se vocês souberem de técnicas, possuírem relatos de como contornar essa situação, escrevam na caixa de comentários.

1. Fazer listas.

E não é qualquer tipo de lista. Escreva tudo que você tenha que fazer. Tudo mesmo. Desde aquele trabalho super complicado da faculdade até marcar a consulta do médico, ligar para a sua tia, pagar a conta do telefone, comprar uma meia. Aliás, é importante que sua lista sempre fique cheia. Carro apertado é que anda. Se tiver pouca coisa na lista, você vai obrigatoriamente deixar tudo de lado, porque vai dar tempo de fazer tudo na última hora.

E como bom procrastinador, provavelmente você vai começar a fazer os itens da lista que são fáceis, como: lavar a louça que está há dois dias na pia. Daí você vai pegando gosto ao ver que está conseguindo cortar um monte de itens da sua lista.

Aqui vai a parte complicada. Como você vai evitar de concluir apenas essas atividades fáceis e deixar as cabeludas por último (ou para sempre)? Você vai fazer subdivisões das atividades difíceis.

Ao invés de ter o item na sua lista que diz “1. Fazer o trabalho final”, faça os itens: “1.1 ler o texto x”, “1.2 ler o texto y”, “1.3 escrever uma página a cada dia nessa semana”. Fragmente suas obrigações maiores de maneira que não te assustem e que se tornem mais agradáveis. E realmente se responsabilize a cumprir cada tópico no tempo estipulado.

Mas aí, leitor, você vai me dizer: se eu fosse responsável e conseguisse cumprir o que me proponho, não precisaria dessas artimanhas. Poisé, às vezes nem fazendo subdivisões a gente consegue cumprir o que precisa. Aí entra:

2. A técnica Pomodoro

Ontem mesmo eu fiz isso. Precisava ler um texto de 50 páginas para hoje e só peguei nele às 16h. Tempo suficiente, né? Sendo que depois de 22h eu não funciono. Claro que não. Fiquei enrolando até o último segundo. Lendo uma frase do texto e ficando 30 anos vasculhando sites inúteis. Foi dando o início da noite e eu vi que a situação estava ficando feia. Daí, fui na técnica Pomodoro.

O que é isso? Você escolhe uma tarefa que precisa realizar. Isso é crucial. Essa técnica só funciona se você tiver foco e saber o que deve ser feito. Daí você subdivide seu tempo: 25 minutos de trabalho sem parar. Sem telefone, sem facebook, sem ir ao banheiro, sem falar com a mãe, sem mexer com o cachorro. Depois descansa 5 minutos. Você vai fazer 4 turnos de 25 minutos, intercalados com as pausas. Porém, no último turno, seu descanso é de meia hora. Funciona. Essa é a minha Five-Point-Palm Exploding-Heart-Technique. Liquido todos meus textos de linguística assim. O ideal não é usá-la só quando o bicho tá pegando, como eu fiz ontem, mas sempre. Ao realizar diariamente as tarefas da sua lista.

3. Crie obrigações inúteis que não são obrigações.

O que me ajuda muito é criar projetos inúteis. Foi até por isso que eu comecei a fazer esse blog. Quando eu me proponho a ver toda a filmografia do Wes Anderson, por exemplo, e realmente cumpro, porque é muito prazeroso… isso me anima. Porque eu vejo que estou fazendo algo divertido e estou fazendo algo que me propus a fazer. Ao mesmo tempo eu me bloqueio a ficar perdendo tempo sonhando acordada, vendo televisão e presa no triângulo das bermudas do twitter-facebook-gmail.

4. Crie obrigações úteis que não são obrigações.

Outra coisa que me ajudou muito, mas que tive que parar nesses dias por causa dos trabalhos da faculdade, foi criar projetos de leitura de coisas que vão servir pra minha vida, porém não são necessários agora. Por exemplo, coloquei na minha lista de obrigações que tenho que ler “A literatura em perigo”, do Todorov. Nenhuma disciplina me pediu isso, mas eu me obriguei a ler. Claro que deixei de fazer algumas obrigações, mas ainda assim não estava perdendo tempo. Aqui entra o negócio de usar a procrastinação a meu favor. Isso aqui é ainda um pouco complicado de se fazer porque você tem que saber se engalobar e dizer: “isso aqui é diversão, faça isso para perder tempo”. No comentário do post anterior, o Pedro me mandou um site chamado “Structured procrastination” que parece seguir essa linha. Ainda não o li inteiro, mas estou gostando bastante.

5. Devagar e sempre

Nunca fique um dia sem cumprir os itens da sua lista, ou sem fazer alguma coisa proveitosa obrigatória ou que entre em seus projetos inúteis. Sério. Procrastinador é igual alcoólatra. Se você se liberar um dia a não fazer nada legal e proveitoso, isso vai virando uma bola de neve. E por proveitoso aqui, eu digo até mesmo ir ao cinema e assistir um filme que você queira muito ver. O procrastinador quando vê que passou um dia à toa, entende que pode passar o outro dia à toa também, porque não deu nada errado.

Eu uso essas cinco técnicas ao mesmo tempo, mas ultimamente tenho tentado usar mais a primeira e focar na questão de ser responsável, ser uma pessoa melhor e blábláblá, para ver se consigo ir contra a procrastinação. E vocês, o que fazem?

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Eu tenho um problema imenso em fazer as coisas na hora certa. Ou simplesmente, em fazer as coisas. Por exemplo: não consigo simplesmente pegar o telefone e marcar uma consulta médica na hora que eu lembro que tenho que fazer. Nãão, eu fico dias pensando que tenho que marcar a consulta e nunca pego o telefone e realmente ligo para o consultório. E essa procrastinação chega a níveis absurdos.

Nem preciso dizer que com coisas desafiadoras, esse péssimo hábito se agrava ainda mais. Trabalhos, apresentações orais: deixo tudo para o último segundo. E fico o tempo todo sofrendo que tenho que fazer a tal coisa e que tenho que começar o quanto antes para que tudo corra bem. Eu estou tentando tirar minha carteira de motorista desde julho do ano passado. Já finalizei todas as minhas aulas de legislação e direção, mas nunca marco o tal do exame e resolvo isso logo. Para preparar as minhas primeiras aulas de cada semestre, fico sofrendo por dias e só no dia anterior à aula, consigo realmente preparar as atividades a serem dadas aos alunos.

comiques.tumblr.com – tirinhas da anne emond

Acho que não é preciso ser um gênio para entender que eu faço isso não é nem por preguiça, mas por me cobrar em excesso e querer que tudo saia perfeitamente bem. E por ansiedade e impulsividade. E por acreditar que não vou dar conta de fazer nada dessas coisas, portanto, é melhor deixar para lá. Eu já identifiquei esse problema há muito, muito tempo, mas quem disse que eu consigo mudar isso? Sou consciente desse hábito ruim, mas quem disse que eu consigo colocar em prática uma resolução desse problema? Poisé.

E eu sou o pior tipo de procrastinadora: enquanto deixo de cumprir a tarefa necessária, fico perdendo tempo com coisas inúteis. Fico em frente ao computador, à televisão, ou só sonhando acordada mesmo, sem fazer nada. Depois vem a culpa, a raiva, o stress de ter que resolver tudo na última hora e a perda de um tempo em que eu poderia ter feito tanta coisa útil, ter estudado tanta coisa importante.

E agora o bicho começou a pegar mesmo quando eu me peguei no último ano de faculdade e preciso enfrentar a monografia. Eu sei que monografia é uma babaquice, que não vale para nada, que só mesmo quem faz a monografia liga para ela. Eu sei disso tudo, mas ainda assim, sinto uma pressão. E essa pressão me faz correr da monografia. E eu me sinto incapaz de fazê-la. Mas aos poucos vou tentando me adestrar a conter esses comportamentos. Mas logo logo, me paro pensando: depois da monografia vem o quê? O mestrado? Outras coisas ainda mais desafiadoras? Só de pensar nisso já me embola o estômago todo.

Enfim, baby steps… Vamos tentar combater a procrastinação e aos poucos fazer o que deve ser feito.

Daqui um mês e meio, eu embarco para Londres. Acho que só agora estou conseguindo processar essa informação e já está batendo a ansiedade. Estou entrando em um processo de negação bobo. Começo a pesquisar sobre Londres, coisas que espero fazer lá, planejar coisas importantes, mas logo me dá uma certa impaciência e paro. Enfim, acho que é normal. Já que é algo que eu esperei por tanto tempo, é minha primeira viagem internacional sozinha. It’s kind of a big deal.

Nem preciso falar que já entrei nas pirações que não entendo inglês britânico, que não vou conseguir me comunicar, que vou me perder no metrô e não vou conseguir chegar na escola na segunda-feira, que não sei andar sozinha, que vou morrer de fome porque não sei cozinhar etc etc. Ao mesmo tempo me bate uma empolgação absurda e sinto que tenho que viajar amanhã, o quanto antes possível e que essa viagem é tudo que preciso nesse momento. Vai entender.

Nos últimos dias acabei não fazendo muita coisa para a preparação do intercâmbio. O que precisei fazer foi só organizar coisas para que a agência resolvesse para mim, a Central do estudante, que, aliás, é ótima. Deem uma olhada no site. Depois que enviei a prova para a escola, foi o momento de fazer as reservas:

1. A compra das passagens aéreas.

Como vou para Londres para estudar, a passagem é mais barata. Em tempos de passagens caríssimas, esse desconto caiu bem.

2. Pagamento do serviço de assistência médica.

Se eu adoecer, precisar de consulta médica, sofrer acidente ou morrer e precisar que tragam meu corpo, isso está acertado.

3. Fazer o Visa Travel Money.

É o cartão pré-pago internacional. Você põe lá seus “créditos” que podem ser recarregados em vários lugares, paga suas compras com ele, funcionando como um cartão de débito. Pode também retirar dinheiro em caixa eletrônico. Muito conveniente. O VTM pode ser recarregado com dólar, euro, libra, peso, iene… Vários tipos de moedas. E as taxas (e aqui digo taxas genericamente porque nem sei como é que funciona isso) a serem pagas são bem mais baixas.

Bom, é isso. Acho que as coisas maiores e mais importantes a serem resolvidas já foram.

“No barroquismo de Django livre cabe naturalmente todo o espectro dramático do faroeste espaguete, do operístico à la Sergio Leone ao circense dos filmes de Trinity, passando pelo lirismo irresistivelmente kitsch das cenas de amor.

Faltou dizer que a estetização da violência e da morte, central ao gênero, encontra em Tarantino um entusiasmado praticante. É visível o prazer com que ele filma o sangue tingindo de vermelho o branco: no campo de algodão, no cavalo de um bandido fuzilado, no cravo branco no peito do escravagista. No contexto de um filme realista, essa profusão sangrenta seria intolerável. No mundo pop-cartunesco de Tarantino, é uma festa para os sentidos.”

José Geraldo Couto. O vermelho e o negro de Tarantino. Blog do IMS.

http://www.blogdoims.com.br/ims/o-vermelho-e-o-negro-de-tarantino/

Ontem resolvi me dar uma tarde de férias e nada se parece mais com férias do que: baixar temporadas inteiras de seriado e assistir tudo de uma vez. Fiz isso ontem com a curta primeira temporada e os dois episódios da atual segunda temporada de Girls.

Lembro que esse programa da HBO deu o maior bafafá no meio do ano passado, uma das novas séries imperdíveis do momento. Autêntica, natural, engraçada de um jeitinho meio amargo. Ok, isso basta para que eu queira assistir algo.

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A série foi criada pela escritora Lena Dunham, 26 anos, nova iorquina. Ela fala de jovens adultos, que saíram há uns dois anos da universidade e ainda não sabem muito bem como lidar com essa fase de transição. A própria Lena Dunham faz o papel da protagonista, Hannah, uma escritora (ou quase), que trabalha voluntariamente para uma editora e é sustentada pelos pais. Mora com sua melhor amiga Marnie, que trabalha em uma galeria de arte, é toda certinha, organizada e namora com um cara meloso, Charlie. As duas são amigas de Shoshanna, estudante da NYU, retardadamente inocente, que mora com sua prima Jessa, uma viajante maluca, perdida no mundo, excêntrica e que sabe mesmo como se divertir.

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O piloto começa com os pais de Hannah dizendo que não vão bancar mais sua vida de escritora wannabe em Nova York, e é melhor que ela arrume um emprego logo para pagar as próprias contas. Aqui já tem uma coisa que me irritou na série: a mina pirou porque os pais não bancariam mais a vida de sombra e água fresca e resistiu até o último momento arrumar um emprego. E achou que isso era o fim do mundo. Poisé, os problemas das coleguinhas aqui são bem white girl problems/classe média sofre. Com todas são assim.

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De resto, a série é bem realista mesmo. Os problemas de relacionamento, a tentativa de se seguir um sonho, se ver fracassando e tentar a todo custo dar certo, perceber que existe mais que o próprio umbigo no mundo, as merdas e vergonhas diárias em que nos encontramos: essas coisas realmente acontecem e foram bem retratadas na série. Algumas cenas ali você jura que já conhecia aquele filme. Porém, parece que faz sentido apenas para um certo nicho de pessoas. Filhos de classe média, mid-twenties, alternativos, das humanas. Não me entenda mal, estereótipo por estereótipo, eu me encaixo nesse aí.

O problema é que parece que a Lena Dunham parece não enxergar muito bem o mundo fora dessa bolha específica. Porém, ela é uma jovem escritora e escreve sobre a vida dela, o que ela conhece, às vezes escreve sobre coisas que realmente aconteceram com ela. Então, de acordo com a proposta, ela está fazendo um bom trabalho. Ao mesmo tempo que ela não parece enxergar o mundo fora dessa vidinha, ela também se critica constantemente, sabe de suas falhas e da atitude white girl problem.

Todavia: continuarei vendo a série. Gostei bastante.

O destaque da série é o personagem Adam. A cada episódio da primeira temporada fui gostando mais e mais dele. Constantemente vamos descobrindo coisas novas dele: positivamente ou não.

Para quem não conhece, Noah Baumbach nasceu em 1969, é um diretor americano de cinema independente, nascido no Brooklyn, em Nova York. Filho de dois críticos de literatura e cinema, é o terceiro de quatro irmãos. Fez seu primeiro filme com 26 anos, nos anos 2000 escreveu com Wes Anderson dois filmes, ganhou prêmios e foi indicado ao Oscar com The squid and the whale. Casou-se com Jennifer Jason Leigh, tiveram um filho, mas já se separaram. Agora ele é namorado da Greta Gerwig (sortudo!). Seu último filme co-escrito com Gerwig, Frances ha, estreará comercialmente em maio desse ano e ele já está trabalhando em mais um filme, While we’re young.

Diferente do seu amigo Wes Anderson, que cria mundos fantásticos, absurdos e personagens que só existem naqueles contextos, os filmes de Noah Baumbach são extremamente reais – da forma mais dolorosa de real possível.

Avisando que antes desse projeto, eu já havia assistido os três principais filmes do Baumbach. Então, a experiência agora vai ser um pouco diferente, de menos descobertas que a do Wes Anderson.

Segue o jogo. O primeiro filme que assisti foi:

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O que há de melhor depois de terminar de ver um filme ou uma temporada de uma série? Erros de gravação. Não sei se sou só eu, mas adoro pegar DVD em locadora só para assistir os extras e as merdas que acontecem no set. Na maioria das vezes cato mesmo do YouTube os bloopers das séries. Vai ver é a cultura Falha nossa aprendida com o Video show, durante as longas tardes em que ainda éramos jovens, ingênuos, descansando depois das aulas da manhã, rindo de Caco Antibes nas gravações de Sai de Baixo. Ou vai ver é o nosso humor debochado mesmo.

Eis aqui uma lista de bloopers, para alegrar seu dia.

1. It’s always sunny in Philadelphia

Não poderia deixar de ter os melhores erros. Por quê? Porque o programa é tão engraçado que eles mesmos não dão conta de falar as merdas que precisam falar. O câmera não dá conta de não rir, os atores, os produtores… Repetem a mesma cena quinhentas vezes e nunca sai certo porque riem o tempo inteiro. Reassisti todos os vídeos agora e: lágrimas. Saiu no final do ano passado os bloopers da sétima temporada, mas olha.. Vale a pena você ver tudo.

“He didn’t bite my dick. My dick is fine.”

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