inhotim.

Para comemorar o aniversário da Laura, fomos ao Inhotim no dia 26/12 (quarta-feira). Em 2012  fui para lá três vezes: a primeira em janeiro no dia do arco-íris duplo, a segunda em julho para o concerto Inuksuit [http://www.youtube.com/watch?v=fnoxu4ocQb0] e a terceira vez em dezembro. E eu ainda não conheço tudo que está ali. Quédizê, só com umas cinco visitações bem planejadas, sem repetir galerias, você consegue conhecer todo o Inhotim.

Para quem não conhece, o Inhotim é o maior centro de arte contemporânea ao ar livre da América Latina, situado na cidadezinha de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. É um projeto idealizado pelo Bernardo Paz desde a década de 80 e o centro, inicialmente, era sua propriedade particular, onde permanecia sua coleção incrível, ainda sem ser aberto ao público. Lá pra 2006 que o lugar foi aberto para quem quisesse, sem agendamento prévio e depois de mais uns anos começou a ter participação de Ministério da Cultura e lálálá.

Não só o lugar tem um acervo incrível, com projetos arquitetônicos maravilhosos para abrigar as obras, como também tem um acervo botânico impressionante, jardins projetados por Burle Marx, plantas inimagináveis e abriga um pedacinho de Mata Atlântica. Dia 26, por exemplo, nós conhecemos a famosa flor-cadáver (Amorphophallus titanum), a maior flor do mundo com 1,63m e que… fede. Muito. Fede a animal em decomposição para atrair insetos que gostam de carniça, como besouros, para polinizá-la.

flor-cadáver no inhotim

Então, no dia 26, pegamos o ônibus no terminal rodoviário de BH/Centro que vai direto para o Inhotim (aliás, dica boa para quem não tem carro). Chegamos lá umas 10h30 e fomos comprar o ingresso. Para quem não sabe, o Inhotim fica aberto de graça às terças-feiras e durante a semana os preços são menos salgados também. Ok, nossa intenção era visitar as galerias novas porque depois de ir àquele lugar umas 10 vezes, a gente começa a se cansar da Adriana Varejão e do Cildo Meireles. No final das contas, a gente acabou indo para galerias que a gente já conhecia porque… não tem jeito. É assim que funciona. Então, vou listar aqui minhas obras favoritas de ontem, velhas ou não:

1. The Forty Part Motet, Janet Cardiff (2001)

Desde a primeira vez que visitei o Inhotim até hoje, todas as vezes que vou lá, tenho que visitar essa instalação sonora incrível, que consiste em 40 caixas de som dispostas em formato oval dentro da sala. Cada caixa é a gravação de um único cantor lírico que está executando o moteto. Então o espectador pode perceber as vozes de maneira diferente à medida que vai se deslocando no ambiente. Para mais detalhes aqui: http://www.cardiffmiller.com/artworks/inst/motet.html

2. The murder of crows, Cardiff & Miller (2008)

Essa é minha obra favorita. É uma instalação grande com uma galeria só para ela, novamente com várias caixas de som dispostas no ambiente, sobre cadeiras, penduradas no teto e nas paredes, com um gramofone no meio. A obra consiste em gravações de marchas, lullabies, narrações, composições musicais, gravações de sons do mar e do vento. Tudo gira em torno da narração de um sonho.

Mais informações: http://www.cardiffmiller.com/artworks/inst/murder_of_crows.html

foto da montagem no Thyssen-Bornemisza Art Contemporary, Vienna.

3. Heliografias, León Ferrari (1980-86)

Meu preferido dos trabalhos novos. Não conheço nada sobre o León Ferrari, nem o que ele representa. Só sei que é um artista argentino, exilado em São Paulo entre as décadas de 70 e 90 e essa série exposta no Inhotim foi feita entre esse período. É retratada a estrutura da cidade, o caos urbano, o aumento populacional de uma maneira muito sutil. Pelo que eu entendi da minha pesquisa rasteira no Google, a heliografia é uma técnica muito utilizada por arquitetos na confecção de plantas e projetos arquitetônicos. Tem um negócio lá de contato do original com suporte, revelação, vapores de amônia… que eu não entendi nada. Quem sabe o que é isso, me explique, por favor.

Aqui estão o site do León Ferrari para mais informações http://www.leonferrari.com.ar e apenas duas gravuras dessa série encantadora:

4. Ttéia, nº 1, C, Lygia Pape (2002)

Novíssima galeria e instalação no Inhotim. Bróder da Lygia Clark e do Hélio Oiticica, Lygia Pape integrou o Grupo Frente. Me interessou conhecer melhor o que foi esse movimento artístico aqui no Brasil porque confesso que não conheço nada, além das explicações da Ana Paula durante a visitação. Achei muito bonita a obra: a impressão daquelas linhas formarem feixes luminosos, a entrada da galeria, aquela escuridão toda até chegar na obra mesmo. Desculpem-me a ignorância, mas não tenho muito a acrescentar além da experiência sensorial.

Para terminar o post, queria me manifestar quanto as alternativas de restaurantes e lanchonetes no Inhotim. Primeiro que durante os dias de semana, o restaurante mais em conta não abre e só resta aos pobres mortais almoçar naquele lá que você paga 50 reais por cabeça. E quem não quer gastar todo esse dinheiro, só sobram as lanchonetes com pouquíssimas opções, preços abusivos (com direito a pão de queijo custando R$ 3, 50) e sem opções vegetarianas. E é proibido levar comida para o Inhotim – só que não, né, Bernardo Paz. Tu tá pedindo uma marmita enorme na minha bolsa para que eu não gaste essa grana toda.

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4 comments
  1. kiki said:

    Heliografia – Helio = sol
    Foi a primeira técnica mecanizada de copiar desenhos técnicos.
    O lance é assim, voce desenha no papel vegetal e com ele voce faz uma cópia em outro papel (por isso virou padrão desenhos técnicos serem em papel vegetal). Voce poe o original sobre o papel que vai copiar, que recebe um tratamento que vai amonia (a copia fica com cheiro forte mesmo depois de anos) e fica exposto à luz, como se fosse foto. Inicialmente se punha no sol, por isso o nome. Depois inventaram máquinas com luz artificial mesmo.
    Acho que foi criado no fim do séc XIX ou início do XX, não lembro.
    Antes disso existia o desenhista copista, que ficava simplesmente copiando desenho pra ter dois iguais!
    Depois disso inventaram cópia xerox, impressão, aí já era.

    • kiki said:

      Faltou dizer: o resultado é esse desenho azul-roxo manchado que depois virou uma estética, alguns artistas tem explorado. É o que diz a teoria da comunicação: quando surge uma linguagem nova, a anterior vira “arte”.

      Belo post, mezzo resenha artística, mezzo comofas pra ir.

      • Obrigada.
        Curti o comentário sobre a linguagem nova.

    • Oba! Obrigada pelo esclarecimento, Kiki. Agora entendi comofas/ Porque pelos posts que encontrei pela internet, as explicações eram vagas e eu não entendi nada. ^^

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