ainda sobre procrastinação – técnicas.

Depois de escrever o post sobre procrastinação, percebi que muitas pessoas sofriam do mesmo problema que eu. Vou tentar fazer uma lista de coisas que me ajudam a superar esse problema. Espero que seja útil. E, por favor, se vocês souberem de técnicas, possuírem relatos de como contornar essa situação, escrevam na caixa de comentários.

1. Fazer listas.

E não é qualquer tipo de lista. Escreva tudo que você tenha que fazer. Tudo mesmo. Desde aquele trabalho super complicado da faculdade até marcar a consulta do médico, ligar para a sua tia, pagar a conta do telefone, comprar uma meia. Aliás, é importante que sua lista sempre fique cheia. Carro apertado é que anda. Se tiver pouca coisa na lista, você vai obrigatoriamente deixar tudo de lado, porque vai dar tempo de fazer tudo na última hora.

E como bom procrastinador, provavelmente você vai começar a fazer os itens da lista que são fáceis, como: lavar a louça que está há dois dias na pia. Daí você vai pegando gosto ao ver que está conseguindo cortar um monte de itens da sua lista.

Aqui vai a parte complicada. Como você vai evitar de concluir apenas essas atividades fáceis e deixar as cabeludas por último (ou para sempre)? Você vai fazer subdivisões das atividades difíceis.

Ao invés de ter o item na sua lista que diz “1. Fazer o trabalho final”, faça os itens: “1.1 ler o texto x”, “1.2 ler o texto y”, “1.3 escrever uma página a cada dia nessa semana”. Fragmente suas obrigações maiores de maneira que não te assustem e que se tornem mais agradáveis. E realmente se responsabilize a cumprir cada tópico no tempo estipulado.

Mas aí, leitor, você vai me dizer: se eu fosse responsável e conseguisse cumprir o que me proponho, não precisaria dessas artimanhas. Poisé, às vezes nem fazendo subdivisões a gente consegue cumprir o que precisa. Aí entra:

2. A técnica Pomodoro

Ontem mesmo eu fiz isso. Precisava ler um texto de 50 páginas para hoje e só peguei nele às 16h. Tempo suficiente, né? Sendo que depois de 22h eu não funciono. Claro que não. Fiquei enrolando até o último segundo. Lendo uma frase do texto e ficando 30 anos vasculhando sites inúteis. Foi dando o início da noite e eu vi que a situação estava ficando feia. Daí, fui na técnica Pomodoro.

O que é isso? Você escolhe uma tarefa que precisa realizar. Isso é crucial. Essa técnica só funciona se você tiver foco e saber o que deve ser feito. Daí você subdivide seu tempo: 25 minutos de trabalho sem parar. Sem telefone, sem facebook, sem ir ao banheiro, sem falar com a mãe, sem mexer com o cachorro. Depois descansa 5 minutos. Você vai fazer 4 turnos de 25 minutos, intercalados com as pausas. Porém, no último turno, seu descanso é de meia hora. Funciona. Essa é a minha Five-Point-Palm Exploding-Heart-Technique. Liquido todos meus textos de linguística assim. O ideal não é usá-la só quando o bicho tá pegando, como eu fiz ontem, mas sempre. Ao realizar diariamente as tarefas da sua lista.

3. Crie obrigações inúteis que não são obrigações.

O que me ajuda muito é criar projetos inúteis. Foi até por isso que eu comecei a fazer esse blog. Quando eu me proponho a ver toda a filmografia do Wes Anderson, por exemplo, e realmente cumpro, porque é muito prazeroso… isso me anima. Porque eu vejo que estou fazendo algo divertido e estou fazendo algo que me propus a fazer. Ao mesmo tempo eu me bloqueio a ficar perdendo tempo sonhando acordada, vendo televisão e presa no triângulo das bermudas do twitter-facebook-gmail.

4. Crie obrigações úteis que não são obrigações.

Outra coisa que me ajudou muito, mas que tive que parar nesses dias por causa dos trabalhos da faculdade, foi criar projetos de leitura de coisas que vão servir pra minha vida, porém não são necessários agora. Por exemplo, coloquei na minha lista de obrigações que tenho que ler “A literatura em perigo”, do Todorov. Nenhuma disciplina me pediu isso, mas eu me obriguei a ler. Claro que deixei de fazer algumas obrigações, mas ainda assim não estava perdendo tempo. Aqui entra o negócio de usar a procrastinação a meu favor. Isso aqui é ainda um pouco complicado de se fazer porque você tem que saber se engalobar e dizer: “isso aqui é diversão, faça isso para perder tempo”. No comentário do post anterior, o Pedro me mandou um site chamado “Structured procrastination” que parece seguir essa linha. Ainda não o li inteiro, mas estou gostando bastante.

5. Devagar e sempre

Nunca fique um dia sem cumprir os itens da sua lista, ou sem fazer alguma coisa proveitosa obrigatória ou que entre em seus projetos inúteis. Sério. Procrastinador é igual alcoólatra. Se você se liberar um dia a não fazer nada legal e proveitoso, isso vai virando uma bola de neve. E por proveitoso aqui, eu digo até mesmo ir ao cinema e assistir um filme que você queira muito ver. O procrastinador quando vê que passou um dia à toa, entende que pode passar o outro dia à toa também, porque não deu nada errado.

Eu uso essas cinco técnicas ao mesmo tempo, mas ultimamente tenho tentado usar mais a primeira e focar na questão de ser responsável, ser uma pessoa melhor e blábláblá, para ver se consigo ir contra a procrastinação. E vocês, o que fazem?

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6 comments
  1. kiki said:

    E quantos filmes e quantas exposições deixei de ver por simples enrolação… E quantas outras coisas queria ter feito e não posso mais. Uma vida inteira que poderia ter sido e não foi.

  2. frankius said:

    Massa! =). Vou fazer amanhã (procrastinação hoje ou sono?)

  3. Pedro Cava said:

    Já tentei fazer listas várias vezes. No começo, elas funcionam bem, mas chega uma hora em que começo a enrolar para atualizar e manter a lista, e aí já viu, né? Mas gostei da técnica Pomodoro, vou tentar usá-la. Aliás, tem um programa de computador que pode ajudar com a técnica: http://www.getcoldturkey.com/ — mas, felizmente, meu autocontrole não é tão fraco que eu já tenha precisado instalá-lo.

    Há duas outras coisas que me ajudam muito também. A primeira é atividade física; uma disciplina atlética me ajuda um bocado a ter disciplina em outras áreas, além do fato de que o exercício parece “gastar” um pouco da minha ansiedade. A outra, que descobri um tanto recentemente, também tem múltiplas finalidades. Faz um tempo que comecei a decorar poemas, porque tenho pretensões injustificadas de poeta e porque participo de um grupo de estudos em que recitamos poemas de memória. O interessante é que percebi que quando começo a pensar demais sobre uma atividade, isso me atrapalha. Então comecei a recitar os poemas que decorei pra tirar a mente dos afazeres e percebi que isso me ajuda a concentrar e alivia um pouco a ansiedade. Se você gosta de poesia, vale a pena tentar isso. Também serve pra quando você está obcecado com alguma bobagem e quer parar de pensar naquilo.

    E que tal o Structured Procrastination? Se aprendeu algo de útil, me fala, porque estou com preguiça de ler o site agora.

    • Acho que ainda não cheguei ao ponto de precisar usar esse site também, haha. Ainda bem.
      Agora que você está falando, quando eu corria ficava muito mais disposta. Acho que vou voltar a fazer isso.
      Essa de decorar poemas é sensacional! Como é esse grupo de estudos? Eu tentei meditar há uns tempos para ver se liberava minha cabeça desses pensamentos obsessivos, mas não consegui muitos resultados.
      Ainda não acabei de ler o structured procrastination, mas parece ser bom. Porém, eu quero mesmo me livrar desse hábito e não me apoiar nele. Talvez não seja um boa ideia seguir o que é dito ali.
      Obrigada pelas dicas.

      • Pedro Cava said:

        É, ter de usar esse site deve ser o fundo do poço. Pelo menos o nome do programa é legal.

        E poizé, fazer exercício físico ajuda bastante! O problema é ter a força de vontade pra começar e a disciplina pra manter hehehe. Eu tive de parar de correr por um problema de coluna e já estou a um ano enrolando pra começar outra atividade.

        Na verdade, o grupo é principalmente de poesia, mas não só disso. Nós somos todos colegas do curso online de filosofia do professor Olavo de Carvalho (www.seminariodefilosofia.org), que é um curso bem interessante no qual o objetivo principal é a formação de uma personalidade filosófica nos alunos, e não só a aquisição de cultura filosófica. Uma das atividades que são passadas para esse fim é a memorização de poemas. Por isso, a cada encontro, cada um do grupo deve decorar um poema, recitá-lo e dar algumas explicações sobre ele, se necessário — tanto relativas à forma do poema quanto ao significado ou ao contexto em que foi escrito.

        Eu penso o mesmo a respeito do structured procrastination, mas, por outro lado, eu tenho tentado me livrar da procrastinação há séculos e ainda não consegui. Venho pensando se não faria mais sentido seguir o velho ditado, “se não pode vencê-la, junte-se a ela”.

        A propósito, qual a razão do nome do blog?

        E pó de chá que logo te passo umas dicas londrinas.

        Um abraço.

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