old habits die hard – sobre a procrastinação.

Eu tenho um problema imenso em fazer as coisas na hora certa. Ou simplesmente, em fazer as coisas. Por exemplo: não consigo simplesmente pegar o telefone e marcar uma consulta médica na hora que eu lembro que tenho que fazer. Nãão, eu fico dias pensando que tenho que marcar a consulta e nunca pego o telefone e realmente ligo para o consultório. E essa procrastinação chega a níveis absurdos.

Nem preciso dizer que com coisas desafiadoras, esse péssimo hábito se agrava ainda mais. Trabalhos, apresentações orais: deixo tudo para o último segundo. E fico o tempo todo sofrendo que tenho que fazer a tal coisa e que tenho que começar o quanto antes para que tudo corra bem. Eu estou tentando tirar minha carteira de motorista desde julho do ano passado. Já finalizei todas as minhas aulas de legislação e direção, mas nunca marco o tal do exame e resolvo isso logo. Para preparar as minhas primeiras aulas de cada semestre, fico sofrendo por dias e só no dia anterior à aula, consigo realmente preparar as atividades a serem dadas aos alunos.

comiques.tumblr.com – tirinhas da anne emond

Acho que não é preciso ser um gênio para entender que eu faço isso não é nem por preguiça, mas por me cobrar em excesso e querer que tudo saia perfeitamente bem. E por ansiedade e impulsividade. E por acreditar que não vou dar conta de fazer nada dessas coisas, portanto, é melhor deixar para lá. Eu já identifiquei esse problema há muito, muito tempo, mas quem disse que eu consigo mudar isso? Sou consciente desse hábito ruim, mas quem disse que eu consigo colocar em prática uma resolução desse problema? Poisé.

E eu sou o pior tipo de procrastinadora: enquanto deixo de cumprir a tarefa necessária, fico perdendo tempo com coisas inúteis. Fico em frente ao computador, à televisão, ou só sonhando acordada mesmo, sem fazer nada. Depois vem a culpa, a raiva, o stress de ter que resolver tudo na última hora e a perda de um tempo em que eu poderia ter feito tanta coisa útil, ter estudado tanta coisa importante.

E agora o bicho começou a pegar mesmo quando eu me peguei no último ano de faculdade e preciso enfrentar a monografia. Eu sei que monografia é uma babaquice, que não vale para nada, que só mesmo quem faz a monografia liga para ela. Eu sei disso tudo, mas ainda assim, sinto uma pressão. E essa pressão me faz correr da monografia. E eu me sinto incapaz de fazê-la. Mas aos poucos vou tentando me adestrar a conter esses comportamentos. Mas logo logo, me paro pensando: depois da monografia vem o quê? O mestrado? Outras coisas ainda mais desafiadoras? Só de pensar nisso já me embola o estômago todo.

Enfim, baby steps… Vamos tentar combater a procrastinação e aos poucos fazer o que deve ser feito.

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6 comments
  1. kiki said:

    conheço outras gentes assim, eu incluso…

  2. Pedro Cava said:

    Oi, Júlia. Vi um link para este seu post no meu feed do facebook, porque a Tatiana deu like nele. Li o título e fiquei curioso, sobretudo porque eu também sou um mestre na arte de enrolar e queria ver se você tinha descoberto um ritual mágico que me faria perder esse talento. Mas, já que você caminha a “baby steps” ou, como eu gosto de dizer, a passos de jabuti manco, talvez eu tenha uma dica pra te ajudar um pouco ou ao menos te fazer entender o problema em mais profundidade.

    Eu acho que a procrastinação é um problema de imaginação, quer dizer, de ansiedade diante do contraste entre a imaginação de uma ação e o seu resultado factual. No final das contas, trata-se de falta de humildade (não falo isso pra te ofender; como eu disse, eu tenho o mesmo problema). Digo falta de humildade porque, nesse tipo de procrastinação, o problema é, ao menos em grande parte, que na imaginação se fazem as coisas com um grau de acabamento alto, que não corresponde ao da ação quanto feita realmente — e a falta de humildade está justamente aí, que se procrastina por se preferir a imaginação quase perfeita à realidade, inferior em acabamento. Então, o que às vezes funciona pra mim é pensar o menos possível na realização de algo e simplesmente engolir o fato de que o que eu faço nunca fica tão bom quanto o que eu imagino. Quer dizer, é o velho cliché de pensar menos e fazer mais. Eu sei que isso não resolve o problema, mas ajuda, eu sei por experiência.

    Se quiser ler um livro interessante que trata das raízes mais profundas desta e de outras mazelas, recomendo “O Erro de Narciso”, de Luis Lavelle. Ou você pode tentar abraçar o problema e torná-lo uma virtude: http://www.structuredprocrastination.com/ e http://www.amazon.com/Art-Procrastination-Effective-Lollygagging-Postponing/dp/0761171673/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1344889395&sr=1-1&keywords=Procrastination — eu nunca li esse livro e esse site, mas já me recomendaram que os lesse. Se você ler e der certo, me avisa!

    • Oi, Pedro.
      Muito obrigada pelo comentário. É engraçado ver como tem muita gente que se identifica com esse problema.
      Sobre o problema de faltar humildade, concordo completamente. Eu entendo como o mecanismo da procrastinação funciona em mim, mas ainda assim tenho dificuldade de ir contra ele. Ou evitá-lo. Pelo que eu procurei ler rapidamente sobre isso, as pessoas ligam a procrastinação mais à ansiedade que ao perfeccionismo. Como você disse, o perfeccionismo pode ser visto de uma maneira positiva, em que você trabalha muito e produz bastante – fugindo da procrastinação. E pode acontecer o que acontece com a gente – a pressão é tanta que se evita fazer o que se deve. As pessoas que estão nessa segunda categoria veem o perfeccionismo como algo negativo, a ser corrigido. Pontos de vista, não é. “Escolhemos” o mais sofrido.
      Vou dar uma olhada nessas referências, sim. Obrigada.
      Devo escrever outro post sobre como estou tentando não cair nessa espiral de ansiedade, perfeccionismo e procrastinação.
      Abraços.

      • Pedro Cava said:

        Oi, Julia.

        Acho que há dois tipos de perfeccionismo, um ativo e outro passivo. O ativo, no curso de uma ação, tenta realizá-la nos mais mínimos detalhes, esforçando-se obsessivamente por fazê-la tal qual havia sido imaginada. Imagino que seja frustrante, porque isso é simplesmente impossível. O passivo, por outro lado, já toma por pressuposta a conclusão do perfeccionismo ativo, e por isso evita enquanto pode realizar a ação, porque sabe que inevitavelmente terá de se confrontar com a imperfeição do resultado. Por isso é que, muitas vezes, o perfeccionismo passivo se manifesta como desleixo — já que o resultado não será tão bom quanto o imagino, então qualquer coisa tá bom. Pelo menos, é assim pra mim hehehe.

        Vi que você vai fazer intercâmbio em Londres. Muito massa! Estou indo pra lá na quinta-feira, mas a passeio — ficarei lá até o começo de março. Farei uma sondagem do território e depois te falo uns lugares legais pra você conhecer.

        Ah, e não deixe de ler o livro do Lavelle, vale muito a pena!

        Um abraço.

  3. Oi, Pedro.
    É, acho que entro no mesmo grupo que você. De acabar fazendo as coisas com certo desleixo depois.

    Nossa, que ótimo que você vai para Londres! Me conte depois sobre a viagem, sim.

    Lerei. 🙂

    Abraços.

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