carpe diem – fuck this shit.

Durante os preparativos da viagem, que está batendo à porta, fui tomada pelo medo de não aproveitar Londres ao máximo. Não me divertir ao máximo, não conhecer a cidade direito, não me entregar à cultura local, não conhecer pessoas incríveis. Depois fui pensar a fundo e eu tenho esse medo normalmente. Será que eu estou vivendo minha vida intensamente? Será que estou aproveitando as oportunidades que batem à minha porta? Minha resposta é sempre negativa.

Começo a vasculhar o que estou fazendo de “errado”. O que logo vem em mente é a minha própria personalidade. Sou uma pessoa pacata, digamos assim. Não consigo virar a noite bebendo e dançando, por exemplo. Tudo bem que eu tentei isso poucas vezes. Sempre saio durante o dia, vou ao cinema, tomo café, ando bastante, converso com os meus poucos amigos. Será que eu sou assim mesmo, mais quieta? Ou sou acomodada? Será que minha maneira de aproveitar as coisas ao máximo é essa?

Talvez eu romantize muito o que seja aproveitar a vida. Talvez eu romantize muito qualquer coisa e meus parâmetros são sempre dos meus personagens preferidos de filmes e livros. Meus parâmetros são fictícios e talvez seja difícil acompanhá-los exatamente por isso.

Tem um episódio de “Louie” que eu adoro e que fala um pouco disso. Ele divide a guarda das filhas; portanto, passa metade da semana com elas e o resto da semana quem cuida das meninas é sua ex-mulher. E ele só consegue fazer algo útil da vida dele, quando vive a rotina com as filhas. Quando ele está sozinho, sempre acaba tomando sorvete, comendo pizza, desmaiado no sofá. Porém, em uma determinada semana, ele disse que seria diferente e promete à sua amiga: “I’m not gonna be a bag of shit like I always am.” Eu adoro essa fala porque já não consigo nem contar mais quantas vezes disse isso para mim mesma. Claro que no final desse episódio ele acaba caindo numa espiral de awfulness, como ele diz, e não faz nada útil, não cumpre nenhum projeto. Na maioria das vezes isso acontece comigo também. Fico em casa, comendo brigadeiro, vendo filmes, descabelada.

Depois eu me pego pensando, que cobrança chata é essa de ter que aproveitar todo segundo, todo minuto fazer algo útil, aprender uma língua, deixar algo para a posterioridade, ser alguém importante, viajar para não sei onde, se divertir na balada com os amigos. Que chatice. E se eu quiser ficar em casa sem fazer nada? Eu, hein.

Enfim.. Comigo é assim. Ou sofro com o extremo de ter que aproveitar a vida, ou com a liberdade de ser uma bag of shit, like I always am.

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4 comments
    • É exatamente isso!
      “And I think that the problem today is not how to get rid of your inhibitions and to be able to spontaneously enjoy. The problem is how to get rid of this injunction to enjoy.”

  1. tomhet said:

    Essa cobrança é babaquice. Eu sei porque eu também me cobro isso. Agora acredite em mim, assim que tu chegar em Londres, não haverá tempo para pensar em aproveitar nada; tu já estará aproveitando. Só por entrar em uma lojinha de conveniências qualquer, com um indiano/chinês/coreano/paquistanês do outro lado do balcão já será uma experiência nova. Tu já estará aproveitando. 🙂

    • Sim, T. Depois que eu percebi isso, parei de ler guias de viagens, programar passeios e ficar na aflição de aproveitar tudo, toda hora. Vou deixar para viver a viagem, apenas.

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