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Monthly Archives: Março 2013

Acordei, terminei meu livro incrível do Coetzee, The childhood of Jesus (sério, leiam), olhei para a janela e: CÉU AZUL COM NUVENZINHAS BRANCAS. Igual aqueles desenhos que a gente faz quando somos crianças. CORRÃO. Vocês não fazem ideia da felicidade que isso me deu. Precisava fazer qualquer coisa em espaço aberto. Saí na rua e não precisei colocar luvas e touca, quase 5ºC. Numa das casas da minha rua estava tocando ‘Mr. Blue Sky’, comecei a cantar junto, imaginando os passarinhos voando ao meu redor e outros animais saltitando comigo, igual um desenho animado.

Fui almoçar no Borough Market. Eu e metade da Inglaterra, né. Acho que todo mundo teve a mesma ideia hoje. Gente, que lugar incrível. Virou um dos meus lugares preferidos de todo o universo. O cheiro, as pessoas, as barraquinhas, os sons. Tinha um trio no meio do mercado, tocando umas músicas meio folk. Gostoso demais. E o cheiro de comida fresca, peixe fresco, queijo de tudo quanto é tipo, pães, frutas, carne, doces.. Nham nham. Dei várias voltas: eu não sabia o que escolher, de tanta coisa boa que tinha. Acabei comendo um frango peri peri com arroz. O carinha da barraca tentou puxar papo comigo, falando da comida, mas ele é daqueles que pronuncia water como uó-a. Quédizê.. “Demorou, né, moço. Me dá meu frango aí. Girl bye.”

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De lá fiz a caminhadinha pelo Bankside e fui para o Shakespeare’s globe. Paguei £11 pelo tour guiado. Vale super a pena. O lugar é incrível, a guia era ótima, foi bastante divertido e instrutivo. Quando a temporada das peças começar (no final de abril), certamente irei para assistir alguma coisa. (Não vou falar muito mais que isso porque dá vontade de reproduzir tudo que ouvi lá e isso seria enfadonho.)

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Depois voltei ao Tate Modern para ver um restinho de coisas que deixei para trás da última vez que fui lá. E, admito, voltei lá só para comprar uma bolsinha de pano da exposição do Liechtenstein, que eu não vi porque já estava gastando muito dinheiro.

Atravessei a Millenium bridge, caí na St. Paul’s Cathedral, fui andando, andando, boom… Covent Garden Market. Dei umas voltinhas e.. Ben’s cookies. Melhor. Cookie. Do. Universo. Sério, que delícia. Poderia comer isso todo dia. Bueno, esse foi meu feriado. 🙂

london bridge vista da millenium bridge

london bridge vista da millenium bridge

“In the old way of thinking, no matter how much you may have, there is always something missing. The name you choose to give this something-more that is missing is passion. Yet I am willing to bet that if tomorrow you were offered all the passion you wanted – passion by the bucketful – you would promptly find something new to miss, to lack. This endless dissatisfaction, this yearning for the something-more that is missing, is a way of thinking we are well rid of, in my opinion. Nothing is missing. The nothing that you think is missing is an illusion. You are living by an illusion.”

COETZEE. J. M. The childhood of Jesus. London, Harvill Secker, 2013.

Nesse domingo fui para o British Museum. Devo ter chegado lá depois de duas horas da tarde, então não me sobrou muito tempo para a visita (o museu fecha às 17h30 nos domingos). De cara você já fica impressionando com o arquitetura do lugar (como tudo nessa cidade). Entrei já procurando pelo balcão de guia multimídia. Viciei nesse negócio. Dá para praticar o inglês e descobrir muitas coisas legais. Paguei £4.50, meio carinho, mas tudo bem. Aliás, a entrada aqui, como na maioria dos museus de Londres, é gratuita.

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Entonces, precisava escolher qual tema eu visitaria. O museu é dividido entre África, Américas, Egito antigo, Grécia antiga e Roma, Ásia, Europa, Oriente Médio e as exibições temáticas. Claro que eu escolhi a Grécia Antiga. Passei antes pelo Egito antigo, vi a pedra de Rosetta. Obviamente levei alguns minutos para me aproximar dela por causa dos visitantes com iPhones, câmeras, iPads em punho, mas cheguei. Incrível. Aliás, isso é uma coisa muito irritante em museus. Como as pessoas não aproveitam as visitas por estarem tão preocupados em fotografar tudo que veem.

Depois me acabei com os gregos, me lembrando das aulas de Introdução à literatura grega na faculdade, especificamente de uma aula que o meu professor mostrou vários tipos de arte através dos tempos. E alguns dos exemplos que ele usou estavam ali, bem na minha frente. Amei os vasos, todos são incríveis, mas meus dois favoritos foram com a decoração da pintura do Odisseu fugindo do Polifemo e do Aquiles matando a Penthesilea. E, bueno, nem precisa falar que as peças do Parthenon foram também minhas preferidas. Não dá nem para começar a dizer como tudo é lindo. E o Nereid Monument.

Quando contei para meu host sobre minha ida ao museu e como gostei do que vi dos gregos, principalmente o Parthenon, ele disse: “É, nós roubamos tudo.”. Eu disse: “Bom, eu não ia entrar nesse mérito, mas sim. Tudo roubado, haha.”. E é engraçado porque tem uma das salas que explica brevemente que aqueles objetos foram parar ali de maneira meio controversa, trazidos pelo Lord Elgin, mas que tudo bem, né, já que eles estavam sendo muito bem preservados.

Enfim, qualquer outro dia volto lá para ver o resto do museu.

Depois disso desci pela Oxford street, Regent’s street, passei pela Apple store e Hamleys que já estavam fechando e vi a Piccadily Circus ao anoitecer. Continuei descendo a rua até cair na Leicester square, sem querer. E foi lá que comi meu primeiro Fish and Chips, num restaurante chamado Café Rimini, acredito.

dessa vez lembrei de tirar foto com o celular. que não ficou muito boa...

dessa vez lembrei de tirar foto com o celular. que não ficou muito boa…

Ontem de manhã foi o dia de conhecer aqueles lugares obrigatórios, os cartões postais de Londres. Peguei o metrô e desci na estação Green Park, atravessei o parque de mesmo nome NA MAIOR FRIACA. Subestimei o frio ontem. Na hora que eu cheguei no Buckingham Palace, eu já não sentia meu pé mais. Sem exagero. E aquele VENTO desgraçado, cortando até a alma. Péssima ideia para atividades em lugares abertos. Bueno, uma galera na frente do palácio, que é incrivelmente lindo mesmo, mas, né. Não tinha muito o que fazer ali. Dei uma volta, admirei o monumento Queen Victoria Memorial e era isso. Estava sem minha câmera e meu celular estava sem bateria, então não tirei nenhuma foto nesse dia. Só é possível entrar no palácio no verão, quando a rainha sai de férias para a Escócia. E não dá para ver todos os cômodos, claro. Além de tudo é meio salgadinha a entrada.

Visto o palácio, passei pela The Mall, avistei a Spencer House (antiga casa da família da Princesa Diana), St. James’s Palace (antiga residência real), Clarence House (casa do príncipe Charles).

Cruzei o St. James’s Park, avistando o Big Ben. Cheguei na Parliament square, com a sensação parecida com a que tive na Trafalgar square. Fui me aproximando da Westminster abbey, mas as filas para entrar no lugar estavam impossíveis. Dei só uma voltinha ali perto e corri para a St. Margaret’s church, claro que para conhecer o lugar, mas mais para me esquentar mesmo. Fiquei ali uns minutos e fui em direção ao Parlamento. Simplesmente incrível ver assim de pertinho esse lugar. Do outro lado da ponte era possível avistar London eye. Minha ideia inicial era passar pela  10 Downing street e subir para a Trafalgar square, mas o frio era tanto que não me arrisquei a continuar o passeio. Fica para outro dia.

Esse final de semana está sendo mais tranquilo. Ontem pela manhã, acabei novamente perdendo um tempinho fazendo as atividades da escola e sobrou só umas duas horas para sair. Fui à Foyles (http://www.foyles.co.uk/), uma das grandes livrarias daqui, que existe desde 1903. Dá vontade de morar lá dentro, sério. Você encontra qualquer tipo de livro. Me acabei ali, deu vontade de levar metade para casa. As seleções de poesia e de quadrinhos são ótimas. Comprei o novo Coetzee, The childhood of Jesus, que estava doida para ler. Já comecei a leitura hoje cedo e estou gostando muito.

Ontem à noite fui ao cinema na Leicester Square. Primeira aventura: peguei o metrô na hora do rush. Encontrei com duas meninas da minha escola, fomos à Chinatown e comemos comida taiwanesa. Pedimos um arroz meio frito com frutos do mar, berinjela com molho de alho e um negócio esquisito que não comemos e até agora eu não sei o que seja. Estava uma delícia. Depois fomos ao cinema e assistimos Side effects, com a linda da Rooney Mara e o incrível Jude Law. Filme bem mais ou menos, fala da indústria farmacêutica, do sofrimento de pessoas em depressão com medicamentos e todo o dinheiro que circula por trás disso. Começa como um filme mais introspectivo e depois muda para um filme de suspense, thriller. Sabe aquele tipo de filme que você sente que é de Hollywood, que tenta demais e você percebe as engrenagens do cinema funcionando por trás? É isso. Não gostei. Apesar de crucial para a trama, metade do filme fiquei pensando o que a Catherine Zeta-Jones estava fazendo ali.

Depois peguei um dos últimos horários do metrô e é muito legal como a atmosfera muda se comparado à manhã. As pessoas estão conversando, energéticas, empolgadas. Tem um senso de camaradagem entre todos, junto com a aura daqueles músicos de metrô que ficam nos corredores animando ainda mais a cena.

Hoje cedo eu me programei para ir ao Borough Market, porém… Neve. Ok, mudando de planos para fazer uma atividade em lugar fechado. Minha colega de sala e seu colega de casa sugeriram cinema na Leicester Square de novo. Ok, né. Fomos. Tamos aí. Almoçamos em um restaurante chinês na própria praça e assistimos Robot & Frank. Gostei, fofinho. É um filme nada pretensioso, feito para ser água com açúcar mesmo. Entretenimento honesto, por isso gostei. Comi pela primeira vez na vida Ben & Jerry’s e quis me casar com esse sorvete. Depois sugeriram ir à National Gallery, mas nenhum dos dois gostavam de arte, então voltamos para casa. Eu e minha roommate tomamos chá e conversamos bastante. Sim, aqui minha casa é tipicamente inglesa. Então, toda hora alguém faz a pergunta inevitável: “Tea?” e “With milk?”. Depois fomos jantar sopa, maravilha nesse tempinho e voltamos. Foi ótimo passar um tempo a mais com ela e foi a primeira pessoa com quem consegui falar de coisas mais pessoais. Como ninguém se conhece e eu saio com intercambistas, sempre rola o bom e velho small talk. De onde você vem, o que faz da vida. É muito engraçado conhecer tantas pessoas do zero assim, em conjunto. E todos sempre muito dispostos a conversar, a ter amizades. Essa é uma das melhores coisas de um intercâmbio. É tudo novo, tudo começa do zero e você vai construindo coisas.

Acordei hoje com dois roteiros na cabeça: Tate Modern ou voltar para a National Gallery. O marido da dona da casa me disse no café para ir ao Tate, que é um passeio bem legal. Perguntou se eu sabia o caminho. “Ah, pega a Jubilee line e vai toda vida, né.”. “Uh, mais ou menos, mas sim. É.” (Só para constar que eu me perdi lindamente depois e quase cheguei atrasada na aula). Ok. Decidido. Fui para o Tate, desci na estação Southwark e fui seguindo o mapinha das ruas, virando um monte de ruelas, cheias de construções, direita e esquerda toda hora, comecei a seguir um grupo de estrangeiros. Boom. Dei de cara para o Thames e Shakespeare’s Globe. Ok, já me deu vontade de abandonar a visita para o Tate e ficar por ali mesmo. “Vai lá, minha filha. Você vai ficar três meses aqui, pode voltar depois.” Continuei seguindo, Millenium Bridge, St. Paul’s Cathedral do outro lado do Tamisa… e… Tate Modern! A arquitetura do lugar é mesmo impressionante. Transformaram a Bankside Power Station numa galeria linda. Quando você entra, fica impressionado com o tamanho do lugar. Segui direto para as galerias e perdi o Turbine Hall, que eu devo ver de novo depois, talvez para ver a exposição do Liechtenstein (claro que eu vou voltar ali!). Também não deu tempo de ir à lojinha, que eu dei uma bisbilhotada antes e está cheia de coisa fofa.

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Então, a entrada é grátis no Tate Modern exceto para as galerias com exposições temporárias. As galerias de graça e fixas são: Poetry and Dream, Transformed Visions, Structure and clarity e Energy and Process. Paguei £3.50 pelo tour guiado por áudio. Vale a pena. Claro que só depois de passar por umas três salas eu entendi como funcionava bem o negócio, mas é bem prático e informativo. De cara você já vê um Picasso na segunda sala da primeira galeria. Tem DeChirico, Max Ernst, René Magritte, Joan Miró, Giacometti. Aí chegou minha primeira coisa favorita: uma galeria do Joseph Beuys. Ano passado comecei a estudar um pouquinho o Beuys, bem por cima e foi muito legal ver “Lightning with Stag in its Glare”.Foi a primeira vez que vi Monet na vida, “Les Nympheas”, vi “Yellow Islands” do Pollock, “Composition C”, do Mondrian, “Pointing man”, do Giacometti, “Swinging”, do Kandinsky, “Dynamic suprematism”, do Malevich.

Mas o troféu de preferido vai para a sala do Mark Rothko, com “The seagram murals”. O que fez ser especial? Ver esse conjunto de obras ouvindo um pedaço da peça que o Morton Feldman compôs como tributo ao Rothko, “Rothko Chapel”. Lindo, lindo.

Depois de passar o ó como vocês viram no post anterior, naquela mesma noite da segunda-feira, antes de dormir e depois de conversar com os meus amigos, eu coloquei na cabeça que eu ia transformar tudo em coisa boa. Tudo que era ruim se transformaria em coisa boa, e eu passaria por cima do ruim. E mesmo se o ruim existisse, eu o veria de uma forma mais calma, que não arruinaria tudo. Não daria peso ao ruim e uma atitude positiva me levaria a coisas positivas, como uma pessoa muito importante para mim uma vez me disse.

Acordei no outro dia e o acesso a internet estava indisponível. Já não dava para saber qual o caminho eu ia fazer, qual lugar que eu ia visitar. Já tremi nas base. Qualquer coisinha já estava me chateando. Lembrei que olhei no dia anterior os endereços das lojas grandes daqui e baratas e resolvi comprar casacos. Deixei para fazer isso aqui em Londres, mas a coleção de inverno já acabou. Eu acho casacos, mas não são pesados o suficiente para o tempo que está fazendo agora. Já era para estar mais quente, só que não está. Fui para a Oxford Circus e já de cara encontrei a H&M de braços abertos sendo linda para mim.

Lá só tinha roupa de primavera, então segui a Oxford Street e encontrei a H&M mais antiga. Lá tinha uma liquidação das roupas de outono/inverno e encontrei, assim, dois casacos £15 cada. Casacos bons, bonitos. Vocês não fazem ideia do quanto isso me alegrou. De finalmente achar alguma coisa sozinha, de encontrar alguma coisa que eu precisava ali, nas condições que eu queria, em um preço razoável. Comprei os dois casacos, mais um suéter e um cachecol preto. Tudo por £42.00. Depois andei mais e encontrei a Top Shop, ótima loja. E depois a Primark, que é indecentemente barata. Blusinha básica por £2, vestido bonitinho por £10… MUITO BARATO. Enfim, não comprei mais nada porque já tinha comprado o que eu precisava e não queria ficar gastando dinheiro com roupa, mas devo voltar por lá.

Depois fui para a escola, que foi bem legal e comecei a conversar com uma das suíças, que tinha chegado também nesse fim de semana, como eu. Sem maldade alguma, mas já sendo maldosa… A menina estava MUITO mais perdida que eu. Sério mesmo. Ela endoidou quando me viu com a sacola, perguntou onde eu achei aquilo, que ela só tinha ido de casa para a escola, da escola para casa. Depois voltei para casa, no caminho peguei uma Time Out – que daqui a pouco vou dar uma lida e descobrir o que posso fazer por esses dias. No jantar foi muito bom. Novamente conversamos muito, a dona da casa foi uma fofa comigo, eu dei o presente que eu trouxe para ela do Mercado Central (uma namoradeira pequenininha e um bordado) e ela gostou muito. Ela sugeriu que eu e o pessoal da casa fôssemos para Primrose Hill e foi o que fizemos depois. Fica a uns 20 minutos de caminhada daqui de casa. Saímos às 21h e fomos para lá. Estava gelado, 3ºC, não conseguimos ficar muito tempo por lá. É um montezinho localizado na parte norte do Regent’s Park, que dá para ver a parte central de Londres. É muito lindo mesmo, uma vista especial. Tirei uma foto com meu celular, mas que não dá para ver quase nada. É engraçado pensar, como tudo aqui em Londres, como tanta gente de tantas épocas passou por esse lugar e viu tantos estágios de desenvolvimento de Londres nesse mesmo monte.

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Hoje cedo acordei, fiz meu Homework e como gastei muito tempo da manhã fazendo isso, tentei me programar para um passeio mais rápido. A intenção era a rota da Trafalgar Square, Leicester Square e Piccadilly CIrcus. Ok, peguei o metrô para Charing Cross, quando subi a escadinha em direção a Trafalgar Square e cheguei na praça, só consegui dizer: “Holy shit!”.

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Eu não conseguia processar tanta informação, tanta beleza, tanta história, tanta coisa incrível diante de mim. Fiquei engasgada, overwhelmed. Eu olhava para os lados e devo ter feito igual o Kramer naquele episódio de Seinfeld que ele se curva para trás por causa daquela luz laranja forte. Comecei a andar pelas fontes, pelas estátuas, lendo as placas. Fui em direção a National Gallery, com um homem tocando gaita de foles lá no meio. Que doideira. Subi as escadas da National Gallery, olhei para frente e.. BIG BEN. Primeiro vislumbre que tenho dele. Caralho, foi uma sensação muito boa e estranha. Senti: “agora sim estou em Londres”.

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Entrei na National Gallery, fui fazer um tour com aqueles áudios, mas descobri que especialmente hoje várias galerias estavam fechadas por causa de uma greve. Dei só uma bisbilhotada em uma sala, mas deixei para ver direito em um outro dia, com mais calma. Fui para o fourth plinth e depois fui almoçar no Pret à manger em frente à National Gallery. Essa foi minha vista durante o almoço. Aliás, que restaurante gostosinho. Comi uma sopa de pea and ham mais um suco de maçã por £4.27.

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Fui para a escola a pé, subindo a St. Martin’s place, me sentindo muito mais tranquila e confiante. Agora eu estou louca querendo conhecer tudo ao mesmo tempo e não perder um segundo.

Então, estou no meu quinto dia em Londres. Parece que já vivi uma vida inteira desde o primeiro momento em que pisei no aeroporto de Gatwick. Ninguém fala como o início é diciícil, ninguém conta como a adaptação é complicada. Vai ver é porque não acontece com todo mundo, mas aconteceu comigo. É bom lembrar que eu nunca viajei antes sozinha, nunca tinha saído do Brasil, então foi um choque enorme me deparar sozinha em um país estranho, com uma língua estranha, sem NINGUÉM. Sabe o que é NINGUÉM? Para piorar, eu não tinha um adaptador de tomada para ligar meu computador, então fiquei uns dois, três dias quase sem me comunicar com as pessoas. A sorte foi que consegui entrar no Facebook pelo meu celular e isso que me acalmou. É engraçado perceber como as pessoas próximas a nós são importantes na nossa vida, pilares mesmo da existência.

O primeiro dia foi horrível. Depois de escrever o último post eu dormi mais um bocado e à tarde, quando uma pessoa normal já sairia correndo para ver o Big Ben, a abadia de Westminster, a London Bridge, eu fiquei em casa com medo de sair. Depois de horas que eu me obriguei a dar uma volta pela vizinhança, conhecer um pouco como funcionavam as coisas. Primeiro choque foi ver como as coisas aqui são caras. Outra coisa engraçada: como as lojas são todas fechadas (por causa do frio, claro), aquilo me deixava constrangida a entrar. Fiquei com fome por horas até tomar coragem e entrar na Starbucks perto da minha casa para comprar meu jantar. Claro que dei azar, né. Comprei um bagel nojento, já no Brasil eu não gostava da Starbucks, então não sei porque fui comer lá. Daí já coloquei na cabeça que a comida daqui é ruim, que tudo é caro, que tudo é uma merda – coisas que vários brasileiros me disseram antes e eu acreditei.

Se o primeiro dia foi ruim, o segundo foi ainda pior. Aconteceu um stress com a dona da casa. Em resumo, eu a acordei de manhã. Os alunos devem ser silenciosos pela manhã e eu não fui, porque estava esperando uma das meninas da casa para ir comigo no primeiro dia de escola e me ensinar o caminho. Note-se que eu estava no maior CAGAÇO de usar o metrô, então foi uma maravilha ter alguém para andar comigo na primeira vez. Foi lindo também já ter o Oyster Card que o Pedro me deu, então não precisei ter esse trabalho. Essa foi uma das primeiras coisas que me ajudou a me libertar do medo. O metrô aqui é organizadíssimo, vai para tudo quanto eh lugar que você queira e é muito fácil se orientar. Como todos dizem, você vê mais estrangeiro do que inglês nessa cidade, então os lugares são cheios de placas, explicando direitinho onde você tem que ir e o que tem que fazer. Nesse dia cheguei mais cedo aqui no bairro da escola, então fiquei dando voltas pelas redondezas. Andei muito muito e a esmo porque estava sem mapa ou direções do google maps. De repente, me vi andando pela Fleet St. e me vi cara a cara com a St. Paul`s cathedral. Mas eu estava muito deprimida, estava desestabilizada por causa do probleminha na casa pela manha (o único lugar que eu me sentia segura nessa cidade) e eu não senti nada. Estava em um dos pontos incríveis que todo mundo quer conhecer, era um lugar maravilhoso e eu não sentia nada. Nem uma pontinha de felicidade, de excitement… Nada. St. Paul`s cathedral e a igreja na esquina da rua da minha casa eram a mesma coisa para mim. Olhei para aquela arquitetura absurda e pensei: ‘Fuck it’. OLHA A SITUAÇÃO QUE A PESSOA ESTAVA.

Daí fui almoçar, peguei um sanduíche que eu não consegui comer a metade. Sério, eu não conseguia comer, não conseguia pensar em nada agradável. Eu estava na capital do mundo e eu só queria ir embora, só pensava em coisas ruins. Estou com um cartão telefônico brasileiro para ligações internacionais, poderia ligar para minha família para conversar, para minha psicóloga, para um amigo, mas só de pensar na ideia de ouvir a voz da minha mãe, por exemplo, me dava vontade de chorar e raiva desse lugar miserável. Ok, deu a hora de ir para a escola. E aí as coisas começaram a melhorar, porque, né, tive contato humano e vi propósito, uma ocupação, um lugar para ir, pessoas novas querendo aproveitar tudo ao máximo. A aula foi ótima, a escola é incrível. Sério. Não dá nem para começar a descrever. O prédio é sensacional, com pessoas do mundo inteiro estudando aqui. É a melhor escola de línguas de Londres, sem exagero algum. E você se sente aproveitando a melhor escola de Londres, o melhor que se poderia ter em um curso de línguas. Na minha sala tem mais um brasileiro, um espanhol, duas suíças, dois coreanos e um japonês. Isso é muito legal, eu não tinha noção de como é bom experienciar a cultura de outras pessoas, perceber hábitos diferentes, como as pessoas seguem certos comportamentos sem nem perceber, mas por causa de aspectos culturais fortíssimos que estão por trás. Na minha casa tem uma vietnamita, três chineses e uma japonesa, então é outro lugar que eu vejo isso com muita clareza.

Nesse dia o jantar foi bem agradável com as pessoas da casa, conversamos bastante e com a dona da casa já foi mais tranquilo. Ela foi um amor comigo depois e eu perdi o ranço que estava com tudo de manhã, vi que foi só uma situação chata isolada mesmo. Depois à noite consegui usar o computador, conversei com a Laura e o pessoal da casa do meu pai e comecei a me sentir mais estável, mais tranquila. As coisas começaram a melhorar.

To be continued….