os primeiros dias – emotional rollercoaster.

Então, estou no meu quinto dia em Londres. Parece que já vivi uma vida inteira desde o primeiro momento em que pisei no aeroporto de Gatwick. Ninguém fala como o início é diciícil, ninguém conta como a adaptação é complicada. Vai ver é porque não acontece com todo mundo, mas aconteceu comigo. É bom lembrar que eu nunca viajei antes sozinha, nunca tinha saído do Brasil, então foi um choque enorme me deparar sozinha em um país estranho, com uma língua estranha, sem NINGUÉM. Sabe o que é NINGUÉM? Para piorar, eu não tinha um adaptador de tomada para ligar meu computador, então fiquei uns dois, três dias quase sem me comunicar com as pessoas. A sorte foi que consegui entrar no Facebook pelo meu celular e isso que me acalmou. É engraçado perceber como as pessoas próximas a nós são importantes na nossa vida, pilares mesmo da existência.

O primeiro dia foi horrível. Depois de escrever o último post eu dormi mais um bocado e à tarde, quando uma pessoa normal já sairia correndo para ver o Big Ben, a abadia de Westminster, a London Bridge, eu fiquei em casa com medo de sair. Depois de horas que eu me obriguei a dar uma volta pela vizinhança, conhecer um pouco como funcionavam as coisas. Primeiro choque foi ver como as coisas aqui são caras. Outra coisa engraçada: como as lojas são todas fechadas (por causa do frio, claro), aquilo me deixava constrangida a entrar. Fiquei com fome por horas até tomar coragem e entrar na Starbucks perto da minha casa para comprar meu jantar. Claro que dei azar, né. Comprei um bagel nojento, já no Brasil eu não gostava da Starbucks, então não sei porque fui comer lá. Daí já coloquei na cabeça que a comida daqui é ruim, que tudo é caro, que tudo é uma merda – coisas que vários brasileiros me disseram antes e eu acreditei.

Se o primeiro dia foi ruim, o segundo foi ainda pior. Aconteceu um stress com a dona da casa. Em resumo, eu a acordei de manhã. Os alunos devem ser silenciosos pela manhã e eu não fui, porque estava esperando uma das meninas da casa para ir comigo no primeiro dia de escola e me ensinar o caminho. Note-se que eu estava no maior CAGAÇO de usar o metrô, então foi uma maravilha ter alguém para andar comigo na primeira vez. Foi lindo também já ter o Oyster Card que o Pedro me deu, então não precisei ter esse trabalho. Essa foi uma das primeiras coisas que me ajudou a me libertar do medo. O metrô aqui é organizadíssimo, vai para tudo quanto eh lugar que você queira e é muito fácil se orientar. Como todos dizem, você vê mais estrangeiro do que inglês nessa cidade, então os lugares são cheios de placas, explicando direitinho onde você tem que ir e o que tem que fazer. Nesse dia cheguei mais cedo aqui no bairro da escola, então fiquei dando voltas pelas redondezas. Andei muito muito e a esmo porque estava sem mapa ou direções do google maps. De repente, me vi andando pela Fleet St. e me vi cara a cara com a St. Paul`s cathedral. Mas eu estava muito deprimida, estava desestabilizada por causa do probleminha na casa pela manha (o único lugar que eu me sentia segura nessa cidade) e eu não senti nada. Estava em um dos pontos incríveis que todo mundo quer conhecer, era um lugar maravilhoso e eu não sentia nada. Nem uma pontinha de felicidade, de excitement… Nada. St. Paul`s cathedral e a igreja na esquina da rua da minha casa eram a mesma coisa para mim. Olhei para aquela arquitetura absurda e pensei: ‘Fuck it’. OLHA A SITUAÇÃO QUE A PESSOA ESTAVA.

Daí fui almoçar, peguei um sanduíche que eu não consegui comer a metade. Sério, eu não conseguia comer, não conseguia pensar em nada agradável. Eu estava na capital do mundo e eu só queria ir embora, só pensava em coisas ruins. Estou com um cartão telefônico brasileiro para ligações internacionais, poderia ligar para minha família para conversar, para minha psicóloga, para um amigo, mas só de pensar na ideia de ouvir a voz da minha mãe, por exemplo, me dava vontade de chorar e raiva desse lugar miserável. Ok, deu a hora de ir para a escola. E aí as coisas começaram a melhorar, porque, né, tive contato humano e vi propósito, uma ocupação, um lugar para ir, pessoas novas querendo aproveitar tudo ao máximo. A aula foi ótima, a escola é incrível. Sério. Não dá nem para começar a descrever. O prédio é sensacional, com pessoas do mundo inteiro estudando aqui. É a melhor escola de línguas de Londres, sem exagero algum. E você se sente aproveitando a melhor escola de Londres, o melhor que se poderia ter em um curso de línguas. Na minha sala tem mais um brasileiro, um espanhol, duas suíças, dois coreanos e um japonês. Isso é muito legal, eu não tinha noção de como é bom experienciar a cultura de outras pessoas, perceber hábitos diferentes, como as pessoas seguem certos comportamentos sem nem perceber, mas por causa de aspectos culturais fortíssimos que estão por trás. Na minha casa tem uma vietnamita, três chineses e uma japonesa, então é outro lugar que eu vejo isso com muita clareza.

Nesse dia o jantar foi bem agradável com as pessoas da casa, conversamos bastante e com a dona da casa já foi mais tranquilo. Ela foi um amor comigo depois e eu perdi o ranço que estava com tudo de manhã, vi que foi só uma situação chata isolada mesmo. Depois à noite consegui usar o computador, conversei com a Laura e o pessoal da casa do meu pai e comecei a me sentir mais estável, mais tranquila. As coisas começaram a melhorar.

To be continued….

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6 comments
  1. Cau said:

    É isso aí, Jubz… esse período de adaptação deve ser foda mesmo, mas vc vai conseguir atravessar ele e aproveitar tudo que for possível aí. Permita-se, gata.
    Tenha certeza que estou torcendo muito por vc, para vc se sentir bem aí e ficar “em casa”.
    Na sua torcida!
    :*

    • Obrigada, Cau! As coisas já estão melhorando, mas a saudade fica de todo mundo daí.
      Beijos.

  2. Lílian Machado said:

    Estou super proud de você!!!! Vamos que vamos……beijão e aproveite bastante!!!

  3. kiki said:

    Pois é, curtir o lugar tem muito de curtir o clima em que você está… e essa é a vantagem de morar, é passar no mesmo lugar várias vezes em humores diferentes.
    Continue aproveitando!

    • É verdade, Kiki. Vi isso quando passei com humores diferentes pela mesma rua. E devo perceber isso quando refizer o passeio a St. Paul’s.
      Obrigada.

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