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Monthly Archives: Junho 2013

Olás. Hoje responderei a mais perguntas. Na verdade, apenas uma pergunta, mas que acredito ser uma preocupação grande de quem vai estudar fora e por isso resolvi dedicar um texto maior nisso. Agradeço a todos que estão mandando as perguntas, porque isso me ajuda a direcionar melhor os posts e a escrever textos mais informativos. Continuem mandando perguntas, por favor! Adoro o que vocês escrevem.

1. Casa de família ou residência estudantil?

Na verdade existem três tipos de acomodações diferentes. A homestay (casa de família), halls of residence (residência estudantil) e a shared house (casa dividida entre estudantes). Todas essas acomodações têm suas vantagens e desvantagens.

1.1 Shared house

A vantagem de se morar nessas casas começa pelo preço. Parece-me que é o tipo mais barato (na minha escola, custava entre £120 a £150 por semana). Nessas casas (são casas normais) moram pelo menos cinco estudantes. Você pode escolher entre quartos individuais e para dividir com mais uma pessoa. Acredito que não tenha a opção do banheiro privativo. A sala e a cozinha são divididas entre todos, então o lance de se morar nesse tipo de lugar é interagir com outros estudantes, de outras culturas. Conheci pessoas que moraram nessas casas e às vezes eles cozinhavam juntos, cada um cozinhava um prato típico do seu país a cada noite e me parecia ser bem divertido.

A desvantagem? Às vezes é interativo até demais. Para pessoas mais independentes, que precisam do seu espaço e não aguentam o barulho de outros cinco, dez estudantes barulhentos, essa não é a melhor ideia.

1.2 Halls of residence

Essa é a opção mais cara entre todas as três. Inicialmente, eu gostaria de ter ficado nesse tipo de acomodação, mas quando vi o preço, mudei de ideia. Custa entre £225 a £350 por semana, dependendo do tipo de acomodação que você vai ficar.

A vantagem? A maioria dessas acomodações ficam na Zona 1. Existe a opção da acomodação que você tem só seu quarto com banheiro e divide uma cozinha a cada número x de estudantes. E existe a opção que seu quarto tem sua própria cozinha. Ou seja, quem é mais independente, não quer ficar esbarrando com outras pessoas quando estiver em casa, preza pelo próprio espaço e quer ter mais autonomia, essa é a solução.

A desvantagem é que pode ser bem solitário e tem gente que não dá conta disso. Quem não é acostumado a fazer limpeza, cozinhar, lavar sua própria roupa também passa um pouco de aperto. Tem gente que ama isso, mas conheci amigos que ficavam o dia fora ou dormiam na casa de outras pessoas porque às vezes a solidão incomodava. Para essas pessoas, sairá ainda mais caro porque vão comer só em restaurantes ao invés de cozinhar para eles mesmos, por exemplo.

1.3 Homestay

Depois de cair para trás com o preço da residência estudantil, minha opção foi morar numa homestay por ser bem mais barato (entre £150 a £280 por semana). A vantagem de se morar numa homestay é que se na residência você tem que se virar e fazer tudo sozinho, na homestay você não faz nada. É vida de dondoca mesmo. Não precisa cozinhar, não precisa lavar sua própria roupa, não precisa fazer faxina no quarto (só mantê-lo organizado), não precisa lavar sua louça: a sua host fará tudo para você. Você terá a opção de comer apenas o café da manhã na casa, jantar quatro vezes por semana ou todos os dias da semana. Inicialmente eu escolhi apenas bed and breakfast, mas no primeiro dia me precipitei e resolvi pagar pelos quatro dias de jantar. Foi bom porque eu aumentei o contato com a família, conversava com a host na hora do jantar e isso me deixou muito mais próxima à host e ao modo de vida britânico. E era um saco porque eu tinha que estar em casa pontualmente às 18h, quando queria jantar fora ou sair com os meus amigos. Claro que eu poderia cancelar o jantar, mas eu evitava fazer isso para não gastar dobrado.

Aliás, isso de vivenciar o modo de vida britânico com a host family, participar da vida da família, está acontecendo cada vez menos. Os estudantes não estão muito interessados nisso mais, querem mais independência e menos contato com a família (alguns saíram de seus países justamente para fugir de pai e mãe) e os hosts não têm tanta paciência mais. A maioria trabalha, tem filhos e não tem tempo para ficar alisando os estudantes. E outros hosts simplesmente perderam a paciência, porque a rotatividade de alunos é muito alta. A cada semana chega um intercambista diferente na casa, então a curiosidade, a vontade de saber desses alunos e de ajudá-los, vai caindo. Eu lembro que até eu mesma, lá pelo finalzinho da minha estadia, ficava meio de saco cheio quando aparecia aluno novo e tinha que começar aquelas mesmas conversinhas. Mas apesar disso tudo estar mudando, eu e meus hosts ficamos muito próximos e eu não me arrependo em momento algum de ter ficado naquela casa. Todo café da manhã eu tomava conversando com meu host, às vezes acompanhava a host no supermercado, a gente saia para tomar sorvete ou café, conversávamos muito. Foi muito mais que aprender sobre a cultura britânica (que eu acabei aprendendo bastante), mas acabamos ficando muito próximos. Mas eu dei sorte porque isso não é tão comum mais. Então, se você achava que assistiria tv todos os dias com seus hosts, que eles conversariam com você o dia todo, que te contariam como é a vida deles, pode tirar o cavalinho da chuva. O contato ainda existe, mas de maneira mais restrita e pontual, normalmente no momento das refeições.

A desvantagem de se morar na casa de família é que… Bom, é a casa de uma pessoa e você tem que respeitar o espaço do outro. Na minha casa, eu não podia levar comida, não podia cozinhar. A comida era só o que a host me dava. Ela lotava o meu prato de comida, às vezes com pratos mais apimentados que eu estava acostumada, mas né.. Como eu como até pedra, não ligava. Tinha a questão do horário do jantar, como eu disse antes. Outra coisa era o chuveiro do meu andar da casa era muito barulhento, então eu não podia tomar banho na hora que eu bem entendesse porque senão acordaria todo mundo. Fora de questão tomar banho às 7h para dar aquela acordada. Se você é uma pessoa barulhenta, que quer fazer tudo na hora que bem entender e tem problemas com regras, não vá para uma homestay. Porque existem várias regras, horários a serem cumpridos (o café da manhã fica na mesa até certo horário, por exemplo). É bom para quem gosta de mamata e para quem não gosta da solidão. Se você for maior de 18 anos, você não tem horário para chegar em casa. Os seus hosts vão te dar a chave da casa e você chega no horário que bem entender, trêbado ou não. Tem host escroto que não entrega a chave para o aluno, mas isso é uma exceção. Se isso acontecer, reclame na sua escola.

Outra coisa bastante importante: preste bastante atenção na hora de escolher sua família, se eles têm filhos ou não e se têm animais. Eu escolhi uma casa sem crianças e com animais, porque eu sinto falta de companhia de bichos. E avise a eles se você tem algum tipo de restrição alimentar. No mais acho que é só.

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Para quem ainda não leu, respondendo às perguntas parte I, parte II e parte III.

Desculpem-me de novo por ter ficado ausente e por não ter respondido e-mails, mas o final da viagem é sempre muito corrido. Nas duas últimas semanas acontecerão muitas coisas, como vocês viram nos meus relatos. A viagem para Berlim, as provas, as despedidas, fazer as malas etc, mas cá estou. Fico muito feliz em ver pessoas acompanhando meu blog porque querem viajar e estão tirando algumas dúvidas com os meus relatos. Continuem mandando suas dúvidas! O que eu puder fazer para ajudá-los, farei. Algumas perguntas ainda não serão respondidas nesse post, porque o texto saiu meio grandinho, daí vou deixar para a próxima. Enfim, lá vai:

1. A adaptação.

É normal sentir um baque quando se chega em um ambiente diferente. Não só em um país diferente, ou uma cultura completamente outra, mas em qualquer situação, nós sempre temos problemas para nos adaptar a mudanças. Algumas pessoas conseguem levar isso com mais facilidade, outras não. Tem gente que fica com dor de barriga, esquece como se fala inglês, começa a chorar querendo voltar para casa e querem se trancar no banheiro. Outras já no primeiro dia querem desbravar a cidade, provar a comida típica e participar da vida daquele lugar. Aqui tem que rolar um exercício de auto-conhecimento e blá blá blá: que tipo de pessoa eu sou? Como eu posso fazer para aliviar a minha barra? Eu, particularmente, tenho problemas com mudanças e sofri no início. Primeiro porque eu nunca viajei sozinha na vida, nunca viajei para o exterior nem com a minha família, então foi bem dramática e expressiva a mudança. Quando você chega no aeroporto, você vê que… é, maluco, tu tá sozinho aqui. Mas sozinho MESMO. E não tem nenhuma zona de conforto, nem a língua, nem o bairro que você vive, nem a comida. Nadica.

Meu conselho? Seus instintos vão te obrigar a se fechar e se proteger, mas você deve encarar a situação. Se joga. Perca o medo de passar vergonha. Aliás, já te adianto. Você vai passar muita vergonha e não é pouca não. Vai dar muito vacilo, vai pegar ônibus errado, vai falar coisa errada, mas é assim mesmo. Que se dane.

Outra coisa, peça ajuda. Pergunte onde ficam os lugares, pergunte para seu host, para as pessoas da escola, para uma pessoa que está passando na rua. Não fique sofrendo sozinho.

E o mais importante: tudo passa. Tá uma merda? Calma que passa. Nada é tão ruim que dure muito e nem o que é bom. “Ai, mas eu não consigo me enturmar.” Calma, dê tempo ao tempo. “Ai, meu inglês é ruim.” Calma.. Essa é uma coisa valiosa. Fique na merda um pouquinho, dá aquela choradinha de leve, depois se dê um tapa na cara, tome tino e vá arrumar uma coisa para fazer. Tem que saber o timing também de curtir a merda. Lembre-se que o tempo é curto e que há muito para se fazer, do que ficar choramingando. O negócio é sempre se movimentar.

Porque olha, depois desses primeiros dias capengas (sim, dias. você vai se recuperar muito rápido se cair na zica da adaptação), as coisas vão começar a vir a você e tudo vai ficar muito mais fácil. E mais alguns dias depois você vai começar a andar em certas regiões sem mapa, sua rua vai ser mesmo a SUA rua e tudo vai se tornar mais familiar, devagarzinho.

2. Preparação da viagem.

A preparação da minha viagem foi muito rápida. Eu fechei o pacote com a agência Central do Estudante no finalzinho de novembro de 2012 e viajei dia 15 de março de 2013. Na verdade, a preparação desse tipo de viagem, se feita através de agência, é muito tranquila e não requer muito tempo. Porém, eu recomendo que se feche pacotes com bastante antecedência para se programar quanto ao pagamento das parcelas. O que precisa ser feito, como contatar escola, comprar passagem, pagar assistência médica etc, tudo é por conta da agência. Uma preocupação também é ter o passaporte em dia e isso requer um tempinho também. Eu escrevi isso ao longo da preparação, mas talvez os posts ficaram um pouco dispersos. Eu posso falar disso de novo, de maneira mais esquematizada. Mas enfim, é um processo tranquilo, fácil, se feito com uma agência séria.

3. A decisão.

Eu sempre quis fazer um intercâmbio, desde que eu tinha uns 15 anos, mas parece que nunca dava certo. Nesse post aqui, eu falei mais sobre isso, se você quiser saber de mais detalhes, mas eu já tentei ir para Portugal duas vezes na graduação e sempre ficava fuçando booklets de cursos de inglês em Londres, para ver se um dia rolava. Sempre foi um sonho meu. E, ano passado, meu pai me ajudou a realizar esse sonho pagando minha viagem inteira. A princípio minha família ficou meio receosa. Quando eu tinha os papos de ir para Portugal, meu pai me proibiu de fazer a viagem, mas acho que minha família percebeu que isso era realmente importante para mim e por isso deram uma amaciada. Mas assim… Até o último momento eles não estavam muito loucos de vontade que eu fosse não. Meus amigos, por outro lado, torciam por mim desde sempre porque sabiam o tanto que aquilo era importante para mim. Por eles mesmo terem feito intercâmbio, sabiam que a experiência era super valiosa.

Para quem ainda não leu, respondendo às perguntas – parte I e parte II.

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Acredite ou não, mas eu não sabia da primeira manifestação em São Paulo na semana passada quando eu estava em Londres. Ou pelo menos não sabia de sua dimensão. Como era minha última semana por lá, praticamente não entrei na internet e não conversava muito com meus amigos e família. Vi apenas um post no Facebook de uma amiga paulista sobre levar gás lacrimogênio na cara e a sensação de não poder ser calada pela polícia. Essa minha amiga sempre participou desses movimentos, então pensei.. Ok, é mais uma manifestação como as outras que ela sempre participou. Ela deve estar bem.

Então eu cheguei no Brasil no domingo e vi a profusão de posts no Facebook, vi que já havia acontecido uma manifestação em BH no sábado e que aconteceria outro ato no dia seguinte. Pensei em ir, mas.. Bom, eu não sabia o que estava acontecendo. Como eu iria a uma manifestação que eu não sabia nem o que estava em pauta? Eu tinha acabado de chegar. Vou ser completamente sincera agora: eu nunca fui uma pessoa politizada, que participasse e soubesse o que estava acontecendo na vida política do Brasil. Não falo isso com orgulho, muito pelo contrário. Mas eu sempre fui a pessoa que se interessava por questões existenciais e blá blá blá, sempre enxerguei as coisas em um nível mais restrito, em relação ao indivíduo e ao grupo de pessoas que me rodeia.

Enfim, na segunda-feira me deu uma de ir na manifestação mesmo assim porque… Porra, algo grande estava acontecendo. Milhares de pessoas estavam indo às ruas clamando por seus direitos. Eu tinha acabado de voltar de um país que as coisas funcionavam, o transporte público era impecável e eu queria isso para o meu país. Ao mesmo tempo eu ficava sentindo que eu não sabia direito o que estava acontecendo e deveria ficar na minha. Tentei ligar para os meus amigos, mas todos já estavam na manifestação. Não tinha nem um puto na minha carteira. Resolvi ficar em casa.

Na terça-feira de manhã eu tinha certeza absoluta que deveria participar, depois de ver tantas pessoas nas ruas, depois de ver meus amigos falando positivamente sobre o que estava acontecendo, com esperanças, preocupados em organizar movimentos que tivessem força o suficiente para mudar algo. Resolvi esperar pelo próximo ato oficial, que aconteceu ontem. E aí a coisa começou a mudar nos dias seguintes. E se eu estava confusa antes, fui ficando mais confusa ainda. Quanto mais eu lia relatos dessas próximas manifestações não oficiais, quanto mais eu lia o que meus amigos tinham a dizer no Facebook, quanto mais conversava, mais eu deixava de entender. Bom, não vou falar o que aconteceu entre terça-feira e ontem porque vocês sabem muito bem.

Ontem acompanhei pelo BH nas ruas as pessoas andando da Praça Sete, para a Praça da Liberdade, para a Praça da Savassi, depois resolveram ir para o Palácio das Artes.. Peraí, Palácio das Artes? Nas fotos não tinha um cartaz, as pessoas não tinham palavras de ordem, parecia mais uma micareta. Que porra é essa que está acontecendo? Depois vi as imagens do pessoal no Itamaraty, depois no Rio… Sério, que porra é essa? E hoje cedo o MPL suspendendo os protestos. Abro o site da Folha de São Paulo e na capa falando que Joaquim Barbosa é favorito para presidente. WTF/ Quem falou em impeachment? SÉRIO, parem de brinks. QUE MERDA É ESSA QUE ESTÁ ACONTECENDO? Eu posso ser uma porta politicamente, mas eu não consigo não me questionar isso a todo segundo. Não consigo não ler todas as notícias e sentir um medinho. Francamente, não sei se continuo a não participar dos movimentos ou se vou para as ruas. Está tudo acontecendo agora, a roleta ainda está girando e é difícil discernir o que deve ser feito ou não. O que vocês pensam disso tudo?

brighton

Desde a última vez que escrevi aqui no blog, muita coisa aconteceu. Fiz meu Speaking e Written test do CAE. Parece que receberemos o resultado em agosto. A prova foi mais difícil do que esperávamos, mas enfim… Paciência. Está feito, agora é esperar pelo resultado. No mesmo dia fomos para a casa do nosso colega de sala japonês que fez Okonomiyaki e Yakissoba para a rapaziada. Foi muito bom. Na sexta-feira fui para Greenwich. Acho que esse é o meu parque preferido em Londres. Fomos eu, meu amigo brasileiro e minha amiga suíça, almoçamos juntos depois, demos um rolê. À noite foi a despedida geral da rapeize no Porterhouse, em Covent Garden. Sábado fui para Primrose Hill de manhã para me despedir da cidade e de um dos meus amigos, depois fomos para uma festa na casa de uma amiga e esse foi o último adeus de verdade. Foi bem triste na volta para casa, cada um descendo na sua estação, com a certeza que não nos veríamos por muito tempo. Talvez até nunca mais nos veríamos. Sendo que por três meses nos víamos todos os dias, dividíamos tudo com os outros e, mesmo sendo tão diferentes, acabamos ficando muito próximos. Dá um aperto no coração ter deixado certas pessoas para trás.

Quando deixei meus amigos aqui no Brasil, eu tinha a certeza de que os veria de novo. Mas com essas pessoas é diferente. Me despedi da minha host mom e do meu host father e eu não conseguia parar de chorar. Até que a minha host mom falou: “Vai dormir porque senão daqui a pouco eu choro também. Tchau!”. E essa foi a última vez que eu os vi. Acordei de madrugada, minha roommate ouviu o movimento no meu quarto e veio saber o que era. Ela não sabia que eu ia embora. Daí nos despedimos. Peguei meu táxi, fui para Heathrow, tive problemas com o excesso de bagagem, mas que foi resolvido. Depois me pararam na segurança. Normal. E depois… Depois foi isso. Fiz a conexão em Lisboa e 13 horas depois, o avião aterrissou no aeroporto de Confins. E eu abri o berreiro, porque… Bem, era real. Eu tinha voltado. E voltei com tudo acontecendo ao mesmo tempo no Brasil. Confesso que estou meio atordoada, querendo ver meus amigos, confusa com as manifestações, pensando o que vai ser daqui para frente.

PUTA QUE PARIU, eu volto para o Brasil em 10 dias. Desculpem-me se eu não respondi algum e-mail que vocês mandaram, ou não respondi comentário, ou ainda não respondi uma dúvida, mas as coisas estão meio corridas. Nesse fim de semana fui para Berlin, mas aconteceu tanta coisa que eu não sei nem como começar o relato. Nesse sábado farei meu Speaking Test do CAE e quarta-feira que vem será o Written test. Depois preciso comprar os presentes, fazer as malas, visitar vários lugares que ainda não fui, encontrar meus amigos daqui… Mé, só de falar isso tudo já bate uma depressãozinha.

As pessoas me perguntam se eu sinto falta da minha casa, se eu estou ansiosa para voltar para o Brasil. Olha, eu sinto saudade da minha família e dos meus amigos e estou curiosa para saber como será minha vida pós-Londres, mas não estou louca de vontades de voltar não. Parece que agora eu estou vivendo aqui mesmo e não mais como uma turista. Agora eu já sei qual vagão eu devo entrar no metrô para cair na saída certinha da minha estação, sei andar pelas ruas de certas áreas sem me perder… Dá um pouquinho de dó deixar isso para trás. Conheci muita gente legal aqui que eu vou sentir pena de deixar para trás e que, muito provavelmente, eu nunca mais verei. A vida continua. Alguns vão continuar em Londres, outros voltam para suas vidas em seus países como eu farei. Na Suíça, na Coréia, na Espanha, no Japão. No final da minha viagem para Amsterdam, perguntei para a Saudi se ela tinha Facebook para mantermos contato. Ela disse que não. Não pedi telefone, porque eu não ligaria para ela do outro lado do mundo. Por e-mail nós provavelmente não manteríamos contato. Disse para ela que era engraçado termos passado dois dias inteiros dividindo tudo, ela rezando perto de mim, dormindo no mesmo cômodo, fazendo todas as refeições juntas, mijando na mesma privada, contando coisas pessoais a outra e depois nunca mais nos veríamos na vida. Não é assim com tudo, minha gente?

Minha cabeça foi feita para entender que eu ficaria aqui por três meses e é isso. Não fico reclamando, ou cogitando a hipótese de ficar aqui por mais uns dias. Não. Dia 16 de junho eu embarco e 12 horas depois estarei no Brasil. Essa é a realidade. Mas eu já estou pensando se voltarei para aqui em diferentes circunstâncias. Quando voltar para casa terei que tomar certas decisões, resolver pendências, fechar alguns ciclos.

Uma coisa que eu percebo em intercambistas é que eles acham que viver em outro país é como se fosse um parênteses na vida. E não é. É tudo parte da mesma coisa. Você chega aqui com os mesmos problemas que tinha no seu país de origem, as mesmas limitações, os mesmos medos, só que aqui tudo se amplifica, pelo menos no início. Adoecer pela primeira vez fora do seu país e da sua casa é 10 vezes pior. Sair com pessoas diferentes para um lugar completamente novo é muito mais energizante. E são nessas situações-limite que o que nós realmente somos aparece com total força. É só nas situações de risco que nós realmente mostramos a nossa cara. Deve ser por isso que nos amadurecemos com mais rapidez nesse tipo de viagem. Eu mudei para caralho aqui em Londres. E tenho certeza que eu não tenho consciência de nem 1/10 dessas mudanças.

Enfim, isso tudo para dizer que eu preciso voltar a estudar para a prova e que em breve posto o que fiz na Alemanha.

No dia seguinte (domingo), todos acordamos cedo, tomamos café da manhã e fomos para Zaanse SchansE o que seria esse lugar? É tipo um vilarejo bem pertinho de Amsterdam, onde eles preservam algumas casas histórias, moinhos e tudo que caracteriza a Holanda, em suma. Quando chegamos lá, fomos direto para uma das casinhas em que mostraram para gente como se fabrica aquele tamanco de madeira. Depois fomos para outra casinha em que mostraram como se produz o queijo Gouda. Comemos queijo, claro. Lá na lojinha você compra queijo Gouda de tudo quanto é tipo. Depois sobrou um tempo livre e dei uma volta pelos moinhos (você pode subir em um deles), andei pela vizinhança que é uma gracinha, toda florida agora na primavera. Uma fofura. Lá tem várias lojinhas de presente também, restaurantes, pousadas. Muito agradável. Você reparou que estou falando tudo no diminutivo, né? É só para mostrar quão fófis é o lugar. Não deu tempo de irmos ao museu, o Zaans Museum.

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