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Monthly Archives: Outubro 2013

1. Elles: mulheres artistas na coleção do Centro Pompidou, no CCBB-BH

28 de agosto a 21 de outubro

2. Grimes – Visions (2012)

“”Post-internet” is a term that’s stuck all too easily (guilty as charged) to Grimes’ airy cyborg-pop, thanks in part to her endless quotability in acknowledging the digital world’s influence on her aesthetic (“The music of my childhood was really diverse because I had access to everything.”) But Visions, the latest and best album from one-woman project of Montreal-based Claire Boucher, complicates the all-too-tidy “post-internet” tag by bringing into focus the many contrasts at the heart of her music: tensions between pop structure and diffuse atmosphere, between technology and the human body, between sensory-overloaded hyper-presence and transcendence. More solidly constructed and a lot more fun to listen to than anything she’s put her name to so far, the electro cotton-candy of Visions is an inviting entrance into Grimes’ peculiar kind of bliss.” Retirado de: http://pitchfork.com/reviews/albums/16211-grimes-visions/

Em tempos de carão, assistir tevê é uma coisa complicada de se admitir em certos círculos sociais. Estava assistindo uma palestra semana passada e, em certo momento, entre um slide do filme de Godard e uma citação do último livro do Didi-Huberman publicado no Brasil, a palestrante lançou a famosa frase à plateia: “Não tenho televisão em casa, mas…”. Por que é motivo de orgulho não ter televisão em casa? A continuação dessa frase foi “mas um dia eu fui pra casa da minha mãe e assisti um pouco. Como as pessoas conseguem viver assim?”. Sim, foi exatamente isso que ela falou: “Como as pessoas conseguem viver assim?”. Como bilhões de seres humanos não se comportam exatamente como eu? Que, aliás, é a maneira correta de se comportar. Então, em um momento de descuido ou para não ser mal educada com a mãe, a tal da palestrante se sujeitou a essa experiência: assistir televisão. Coitadinha.

O problema é que são embutidos nesse discurso uma série de coisas. Que a erudição te faz uma pessoa melhor e te beneficia ética e moralmente. Erudição e instrução não te fazem uma pessoa melhor não, amigo. Hitler não via Faustão. E quem é você para julgar a empregada da sua casa, que limpa as merdas que você faz, lava sua louça e sua roupa sujas e que chega em casa para assistir a novela das sete, jornal nacional e novela das nove, em sequência? Ela é pior que você? Ou o fulano de classe média que assiste novela e vai ao cinema assistir o filme novo da Katherine Heigl? Ele é pior que você?

Uma coisa é você não gostar de assistir uma novela da Globo, ou Malhação, ou um programa de auditório do Silvio Santos. Mas se achar superior por não fazer isso e achar que esse é um jeito desprezível de se viver, que as pessoas não enxergam uma verdade que você enxerga, aí não. Uma verdade que só você enxerga. Já deu para sentir o problema, né. Ou a babaquice de querer empurrar a sua opinião goela abaixo dos outros. Meu discurso é um pouco perigoso porque eu mesma estou posicionando o que seja a minha verdade, mas eu tento ver isso como uma coisa só minha e que você pode ou não concordar.