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Monthly Archives: Novembro 2013

1. Fuçar perfil de gente que eu não gosto/ não mantenho contato/ não faz mais parte da minha vida.

2. Ficar atualizando a página inicial do triângulo das bermudas gmail, facebook e twitter de cinco em cinco segundos por horas a fio.

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“I’m not going to be a bag of shit like I always am.”

3. Parar de ver série que eu não gosto mais, exemplo: Grey’s Anatomy, Rookie Blue, The Big Bang Theory; parar de ver filme ruim que passa de tarde na televisão, exemplo: De repente é amor, Sim Senhor; parar de ver episódios que já assisti várias vezes e já sei de cor, exemplo: House.

4. Ficar interrompendo os estudos de 10 em 10 minutos para fazer qualquer outra merda que não seja estudar, perder o foco completamente e perceber depois que gastei duas horas para ler duas páginas.

5. Parar de ficar horas sem comer e depois comer dois pratos de comida de uma vez, ou comer uma barra de chocolate inteira, ou comer uma panela de brigadeiro de uma vez, ou comer em frente à televisão.

6. Não praticar atividades físicas.

7. Dormir à tarde.

8. Não me divertir, sair de casa ou deixar de encontrar pessoas para estudar. Depois eu não estudo, fico sem encontrar as pessoas, fico cansada porque não descansei, fico me sentindo sozinha e não faço nada útil.

9. Não me arrumar direito, usar roupa velha, usar moletom, usar sapato furado, ir para a padaria de pijama.

10. Parar de falar que eu não consigo fazer alguma coisa e apenas fazer a tal coisa. Claro que eu consigo.

11. Reconhecer hábitos ruins, dizer que eu sou assim e se conformar com esses hábitos ruins.

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1. Metropolitan, 1990.

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2. Barcelona, 1994.

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“Tonight, while I was shaving – I always shave against the direction of the beard because I understood you got a closer shave that way. I started thinking about this razor commercial on TV which shows the hair follicles like this, going this way. The first of the twin blades cuts them here. Then the hair snaps back and the second blade catches them down here, giving you a closer, cleaner, possibly smoother shave. That we know. But what struck me was: If the hair follicles are going in this direction and the razor is too, then they’re shaving in the direction of the beard, not against it. Which would mean that I’ve been shaving the wrong way all my life. I mean, maybe that’s not so, maybe I misremembered the ad. But the point is: I could’ve shaved the wrong way all of my life and never have known it. And then I could have taught my son to shave the wrong way, without him ever knowing it either.”

3. The last days of disco, 1998.

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“A lot of people like to say they won’t take no for an answer. I just wanted you to know that I’m not one of them; I can be easily discouraged. I will take no for an answer.”

4. Damsels in distress, 2011.

O destaque desse post vai para o ator Chris Eigeman, que eu achava ser só o Jason Stiles, o namorado da Lorelai Gilmore, mas que é um incrível ator. Ele está em dois filmes que assisti nessa semana (Kicking and screaming e The last days of disco) e no terceiro que estou assistindo nesse exato momento (Metropolitan). Baita ator que todo mundo ignora.

3. Kicking and screaming, 1995.

Então, seguindo com a maratona, fiquei muito surpresa com esse filme de estreia do Noah Baumbach, que em nada se parece com um filme de estreia. Aliás, é muito maduro. Em uma entrevista que postei no blog há uns meses atrás, uma conversa entre Baumbach e Wes Anderson na biblioteca de NY, Baumbach diz que Anderson parece sempre saber qual era seu projeto, o que ele queria dos seus filmes, como se desde a sua estreia, ele já estivesse pronto para aquilo, ao contrário dele próprio. O que eu acho uma bobagem, na verdade. Já está tudo em Kicking and screaming, com uma potência impressionante.

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O filme é sobre jovens que acabaram de se formar na faculdade e não sabem muito bem o que fazer com isso. Particularmente estou muito perto desse limbo entre a faculdade e a vida adulta e me identifico bastante. Todos esses formandos não querem ser como Chet, um estudante universitário profissional que está na faculdade há 10 anos, mas também não querem se perder nesse mundo. O que eles fazem? Porra nenhuma. Formam-se e ficam uns meses no mesmo lugar, morando juntos, vivendo um grande domingo, como ouvi uma pessoa dizer isso essa semana.

Os filmes do Baumbach tem muito dessa ideia dos personagens estarem numa busca interminável de encontrarem quem eles realmente são, ou como lidarem com eles mesmos. Frances ha é assim, Greenberg, The squid and the whale, Margot at the wedding… Em uma entrevista para o Indiewire, Baumbach disse: “I’m always interested in how people, myself included, have ideas of themselves, of how they thought they would be, or of how they want to be seen, And the older you get, the world keeps telling you different things about yourself. And how people either adjust to those things and let go of adolescent notions. Or they dig in deeper.”. Vai ver é isso que me interessa tanto no Baumbach.

Adoro os diálogos realistas de todos os filmes do Baumbach e esse não foge disso. Aqui vai um trecho:

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Grover: Oh, I’ve been to Prague. Well, I haven’t “been to Prague” been to Prague, but I know that thing, that, “Stop shaving your armpits, read the Unbearable Lightness of Being, date a sculptor, now I know how bad American coffee is thing… “

Jane: They have good beer there.

Grover: “… now I know how bad American beer is thing.”

Adoro todos os personagens, claro que os protagonistas são incríveis, mas preciso dizer que o Otis (Carlos Jacott) e o Max (Chris Eigeman) são meus preferidos. Adoro aquele jogo que eles se desafiam a, por exemplo, falarem oito nomes de filmes que o personagem principal é um macaco. É sempre um desafio para fazerem uma lista sem noção.

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Max: Is that a pajama top?

Otis: No… Yes.

+

Max: Are you wearing mascara?

Otis: No… yes.

A ideia de maratona já não faz sentido algum já que a última vez que eu vi um filme do Noah Baumbach e escrevi no blog foi em janeiro desse ano. Enfim… Nesse fim de semana assisti pela segunda vez o Frances ha, meu filme preferido desse ano e que com certeza entrou para minha lista de preferidos de sempre e assisti também o Kicking and screaming, primeiro longa do Noah.

2. Frances ha, 2012

Depois de assistir o filme com uma amiga, fomos para a mesa de um bar e ela me perguntou se eu tinha gostado mais do filme depois da segunda vez que eu assisti. Concordamos que como da primeira vez nós perdemos alguns minutos iniciais do filme, que faziam toda a diferença, quando a Sophie e a Frances faziam tudo juntas (brincar de lutinha, sair correndo pela cidade, fumar na janela) e o término, algumas coisas ficaram para trás. E assistindo pela segunda vez, o filme fez mais sentido e… Não sei vocês, mas as coisas que eu gosto, eu quero ouvir/ler/ver várias vezes até enjoar.

A uma hora e meia desse filme passa como se fossem cinco minutos. É uma história apaixonante. O aconchego da escolha de um filme preto e branco, a sensação de que tudo que acontece é muito real, as situações absurdas e engraçadíssimas que a Frances se enfia e os diálogos incríveis. Adoro o final desse filme, [spoiler alert] como ela finalmente aceita que não vai ser uma bailarina de uma companhia importante simplesmente porque não é aquilo que ela faz bem, que ela não é genial e que tá tudo bem. Ela é uma boa coreógrafa, ela encontra um apartamento mediano em um bairro ok, mas é o apartamento só dela. Acho incrível isso de aceitar as próprias limitações, reconhecer seu próprio lugar, suas forças e fraquezas e fazer algo a partir disso. [spoiler alert]

“We’re like a sitcom: my two husbands.”

Adoro também as partes que percebemos um total descompasso entre a Frances e todas as pessoas ao seu redor. Como naquela cena em que ela está em um jantar de “adultos” e ela falando de casais de faculdade, completamente desajeitada e com um tom de voz meio adolescente. Adoro quando ela está em Paris por um único fim de semana, acorda às quatro da tarde, assiste o Gato de Botas e está frustrada tentando acender o cigarro, de costas para a Torre Eiffel. Adoro a cena dela correndo, saltando pelas ruas da cidade e chegando em casa, percebendo-se completamente sozinha e faz um muxoxo.

A: “What do you do?” B: “Its complicated.” A: “Because what you do is complicated?” B: “Because I don’t really do it.”

Não tem como não se identificar com essa personagem que a gente ri da cara dela o tempo inteiro e ao mesmo tempo diz algo sobre tentar se encontrar, tentar entender o que ela realmente é, qual é seu lugar, o que a faz feliz etc. A atuação da Greta Gerwig é incrível. Não saberia começar a dizer como gosto dela em GreenbergNights and weekends e agora nesse filme, em que ela toma conta de tudo. É engraçado que em filmes com a Angelina Jolie, por exemplo, ou outra musa, há sempre aquela tensão quando ela entra em cena, como se ela fosse o centro de tudo, porque ela exala auto-confiança e tem um magnetismo no olhar e na forma de se portar. A Greta Gerwig tem esse magnetismo, mas pelos motivos contrários. Ela chama atenção e toma conta da cena, mas de um jeito meio patético, meio errado e desconfortável e que é adorável e meigo ao mesmo tempo.