maratona noah baumbach – parte II.

A ideia de maratona já não faz sentido algum já que a última vez que eu vi um filme do Noah Baumbach e escrevi no blog foi em janeiro desse ano. Enfim… Nesse fim de semana assisti pela segunda vez o Frances ha, meu filme preferido desse ano e que com certeza entrou para minha lista de preferidos de sempre e assisti também o Kicking and screaming, primeiro longa do Noah.

2. Frances ha, 2012

Depois de assistir o filme com uma amiga, fomos para a mesa de um bar e ela me perguntou se eu tinha gostado mais do filme depois da segunda vez que eu assisti. Concordamos que como da primeira vez nós perdemos alguns minutos iniciais do filme, que faziam toda a diferença, quando a Sophie e a Frances faziam tudo juntas (brincar de lutinha, sair correndo pela cidade, fumar na janela) e o término, algumas coisas ficaram para trás. E assistindo pela segunda vez, o filme fez mais sentido e… Não sei vocês, mas as coisas que eu gosto, eu quero ouvir/ler/ver várias vezes até enjoar.

A uma hora e meia desse filme passa como se fossem cinco minutos. É uma história apaixonante. O aconchego da escolha de um filme preto e branco, a sensação de que tudo que acontece é muito real, as situações absurdas e engraçadíssimas que a Frances se enfia e os diálogos incríveis. Adoro o final desse filme, [spoiler alert] como ela finalmente aceita que não vai ser uma bailarina de uma companhia importante simplesmente porque não é aquilo que ela faz bem, que ela não é genial e que tá tudo bem. Ela é uma boa coreógrafa, ela encontra um apartamento mediano em um bairro ok, mas é o apartamento só dela. Acho incrível isso de aceitar as próprias limitações, reconhecer seu próprio lugar, suas forças e fraquezas e fazer algo a partir disso. [spoiler alert]

“We’re like a sitcom: my two husbands.”

Adoro também as partes que percebemos um total descompasso entre a Frances e todas as pessoas ao seu redor. Como naquela cena em que ela está em um jantar de “adultos” e ela falando de casais de faculdade, completamente desajeitada e com um tom de voz meio adolescente. Adoro quando ela está em Paris por um único fim de semana, acorda às quatro da tarde, assiste o Gato de Botas e está frustrada tentando acender o cigarro, de costas para a Torre Eiffel. Adoro a cena dela correndo, saltando pelas ruas da cidade e chegando em casa, percebendo-se completamente sozinha e faz um muxoxo.

A: “What do you do?” B: “Its complicated.” A: “Because what you do is complicated?” B: “Because I don’t really do it.”

Não tem como não se identificar com essa personagem que a gente ri da cara dela o tempo inteiro e ao mesmo tempo diz algo sobre tentar se encontrar, tentar entender o que ela realmente é, qual é seu lugar, o que a faz feliz etc. A atuação da Greta Gerwig é incrível. Não saberia começar a dizer como gosto dela em GreenbergNights and weekends e agora nesse filme, em que ela toma conta de tudo. É engraçado que em filmes com a Angelina Jolie, por exemplo, ou outra musa, há sempre aquela tensão quando ela entra em cena, como se ela fosse o centro de tudo, porque ela exala auto-confiança e tem um magnetismo no olhar e na forma de se portar. A Greta Gerwig tem esse magnetismo, mas pelos motivos contrários. Ela chama atenção e toma conta da cena, mas de um jeito meio patético, meio errado e desconfortável e que é adorável e meigo ao mesmo tempo.

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