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Monthly Archives: Março 2014

Então que eu dei uma sumida. Então que completou um ano que eu fui para Londres e há exatamente um ano atrás eu deveria estar jantando algum prato enorme de comida na minha casinha em St. John’s Wood. Então que eu estou feliz com alguém.  Então que eu estou supostamente no meu último período na Letras.

Hoje, tomando um chá com uma colega de Letras, que também está no último período, ela me perguntou porque eu não escrevia mais no blog. Disse que escrevia mais em Londres porque tinha mais coisas para contar. O que é uma grande mentira porque várias coisas estão acontecendo comigo nos últimos dias e meses. Talvez o terror desse semestre seja a monografia. Não sei se quero falar sobre isso no blog, sobre o processo de fazer esse trabalho, mas adianto que está sendo meio penoso, com algumas oscilações. (edit. Como você deve ter percebido pelo tamanho do texto, eu acabo falando, sim.) Hoje, por exemplo, estou me sentindo relativamente confiante e sigo com as minhas leituras, tentando arquitetar como será a escrita etc.

Conversando com uma amiga que está fazendo intercâmbio na França por Skype, ela me disse que a nossa área é muito ingrata. Estudar literatura é meio sofrido, porque você está sempre precisando passar por cima do seu ego. Teorizar em literatura depende muito do seu olhar. As pessoas dizem que você pode escrever sobre qualquer coisa – e pode mesmo, se fizer sentido. Mas aquilo tudo recai sobre você, porque é o seu olhar sobre o texto, a sua opinião que modelará a estrutura do seu trabalho. Lembro que no meu primeiro período da Letras, lia os textos teóricos em Teoria da Literatura I e aquilo tudo me parecia muito sobre o que eu penso sobre a vida, como eu enxergo o mundo. Então, escrever uma monografia sobre literatura é sempre uma questão pessoal, o que é ótimo, mas pode ser a ruína também.

Escrever uma monografia não é só escrever uma monografia. Você aprende muitas coisas junto com o fazer desse trabalho. O que eu estou aprendendo a passos lentos e que está travando que eu avance na escrita, é acreditar mais no meu trabalho. Acreditar que o que eu estou escrevendo e pesquisando tem valor para mim e para os outros que lerão. Eu tenho problemas em acreditar em mim mesma e acho tudo que eu faço horrível. Instintivamente, eu me recolho, não escrevo para não ter que enviar nada para o meu orientador e ser avaliada. Daí o tempo vai passando, não consigo pedir ajuda e vira aquele bololô todo. É tão grave o negócio que eu acho que meus questionamentos são idiotas demais a serem dirigidos para meu orientador. Enfim, devagar estou conseguindo mudar isso, como disse antes. O problema que isso tudo é muito meu. Eu me lembro de reclamar dessas mesmas coisas desde 2011, sempre penando, sempre fugindo, fingindo que não dava importância pra uma das coisas que eu mais me importo.

Hoje, por exemplo, li um texto que me deu uma alegria tão grande, porque aprendi tanta coisa e se encaixa tão bem com o que eu precisava estudar. São nessas horas que a gente vê que vale a pena e eu sei que é isso que eu gosto de fazer. Mas às vezes esses momentos são rarefeitos e é muito fácil esquecer qual é o propósito disso tudo e a gente se pergunta: o que eu estou fazendo com a minha vida?

É muito difícil se manter motivado, especialmente numa área que não tem motivação exterior nenhuma. Outra coisa que tem me chateado muito é que estou fazendo a última disciplina para me formar, toda baseada em seminários e eu simplesmente caí no pior grupo que eu poderia ter caído. Gente que falta à apresentação em grupo, gente que manda a parte escrita do trabalho no dia que deve entregá-lo e só seis linhas escritas. É nesse nível. Posso dizer que estou fechando o ciclo de cumprir créditos com uma cereja em cima de um bolo de chorume.

Bom, mas vamos lá, né. Segue o baile.