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Como disse no post anterior, estou estudando para um exame e estou dando aulas de inglês de preparação para outros exames. E preparando e dando essas aulas, percebi como tem coisas que eu ensino e cobro dos meus alunos, que não tenho feito na minha vida. Seguem então algumas dicas para quem quer estudar, seja para um exame, seja para os estudos do dia a dia da faculdade. Tirei essas dicas dos livros que utilizo nas aulas e de alguns sites. Vamos ver se eu também consigo aplicar essas dicas na minha vida.

1. Saber quais são seus pontos fortes.

Você não precisa se dedicar tão detidamente em coisas que você já conhece. Se você tem pouco tempo, melhor se focar nos pontos que têm dificuldade e não no que você já domina. Além disso, saber do que você é capaz, quais são suas facilidades, dão um gás a mais na hora do estudo.

2. Identificar qual é o seu estilo de estudo.

Algumas pessoas são mais visuais e precisam fazer mind maps para estudar; tem gente que precisa de tudo explicadinho nos mínimos detalhes, sem desenhos, sem esquemas, apenas blocos de texto com exemplos e definições; tem gente que precisa ouvir as explicações de uma outra pessoa; tem gente que precisa colocar tudo que está aprendendo em prática. Encontrei esse questionário para que cada um saiba qual é seu modo de estudar: http://www.vark-learn.com/english/page.asp?p=questionnaire

3. Auto-motivação. Como evitar que os estudos fiquem entediantes? Como posso me manter motivado?

Cada um vai encontrar o seu jeito de se manter motivado. Eu, por exemplo, preciso ver que estou trabalhando e seguindo em frente. Em uma folha de papel, eu desenho um calendário e em cada dia tenho que escrever o que fiz, de maneira bem simples. Exemplo: Li um capítulo do livro x; corrigi as redações dos alunos. Isso funciona porque você não quer quebrar seu esquema e se obriga a fazer coisas todos os dias. Ninguém quer ver um quadradinho em branco. Tenho uma amiga que faz um diário de estudo bem descritivo, porque ela vê como começou os estudos e como vai avançando diariamente. A motivação vem, acredito, quando você sente que está caminhando e avançando.

3. Traçar objetivos. O que eu consegui até agora? O que eu preciso atingir? Quais são as prioridades? Como posso dividir meus objetivos a longo prazo em objetivos a curto prazo? Como vou saber que atinge meus objetivos de curto prazo? Como fazer para que meus objetivos não sejam muito difíceis, nem fáceis demais? Meus objetivos são acessíveis?

Você precisa estabelecer uma meta. O que você quer? Passar em uma prova? Fazer um trabalho da faculdade? Escrever um artigo de Iniciação científica? Escrever uma monografia? Escrever um projeto? Tudo parece muito inalcançável se você pensa nesses termos: Preciso escrever minha monografia inteira. Você não consegue nem visualizar como começar, qual é o ponto de partida e o que fazer depois.

Então, depois de estabelecer o seu principal objetivo e saber qual é o prazo final para você fazer isso, você precisa estabelecer subdivisões de objetivos alcançáveis. Alcançáveis, eu repito. Não adianta você se obrigar a ler um livro inteiro em um dia porque isso é impossível e você só ficará mais e mais frustrado porque não conseguiu cumprir sua meta diária. Eu ainda tenho problemas para conseguir marcar o que eu dou conta ou não de fazer. Tem gente que faz cronogramas semanais, tem gente que faz um cronograma a cada dia. Para mim, tenho percebido que eu preciso estabelecer o que fazer apenas na hora. E o que funciona mesmo é o tal do calendário motivacional. E, de tempos em tempos, faço um balanço do que já fiz, do quanto ainda falta para fazer e de quanto tempo eu tenho. Talvez eu precise bolar algo mais sistemático.

De qualquer maneira, é muito mais tranquilo marcar que hoje você tem que ler um artigo, do que você se repetir que deve escrever uma monografia inteira. Portanto, saiba quais são os passos para atingir o objetivo maior e seja proativo. Faça todo dia um pouquinho para não perder o ritmo. E pense sempre no presente: o que eu tenho que fazer hoje, ao invés de pensar no objetivo final, que está lá na frente no futuro.

4. Planejar um cronograma de estudos.

Na nossa vida, nós não temos todo o tempo disponível apenas para alcançar esse objetivo maior. Trabalhamos, estudamos, cuidamos da casa, temos amigos, namorados, precisamos descansar. Precisamos, forçosamente, encaixar os estudos na rotina diária. Então, precisamos estabelecer um cronograma diário, semanal, mensal. Faça um calendário da semana e marque quais são os horários que você pode estudar. E realmente estude nesses horários. Você verá como as horas do seu dia vão se multiplicar quando conseguir registrar quais são seus horários livres e seus compromissos fixos. Lembre-se sempre de reservar tempo para diversão e descanso.

5. Avaliar seu progresso nos estudos. Como eu posso me mostrar que estou aprendendo algo?

Semanalmente, pare um pouquinho e olhe o quanto você já progrediu. Você pode ver isso facilmente se fizer um calendário ou um diário de estudo. Você pode fazer uma lista de textos lidos e não lidos. Qualquer coisa que te mostre efetivamente o que tem sido feito e o que ainda há por fazer. Dê-se um tapinha no ombro, um prêmio. Tem gente que funciona com prêmios, né. Você pode se dar um sapato, uma refeição em um restaurante que gosta depois que alcançar um objetivo mais difícil. Qualquer coisa que te motive.

6. Criar um ambiente de estudos. Que momento do dia eu me sinto mais animado para estudar? Como eu lido com distrações? Como criar um ambiente ideal para o meu estilo de estudo? 

Isso é bastante pessoal. Por exemplo, eu funciono melhor na parte da manhã. Depois do almoço consigo fazer coisas que não exigem tanto de mim e à noite não tenho concentração de estudo. Não consigo também estudar em casa. Me distraio facilmente, minha casa é bem escura e minha rua é muito barulhenta. Ou seja, funciono melhor em bibliotecas. Eu não lido bem com distrações também. Se fizer um barulhinho do meu lado, eu já fico louca. Então preciso ir para a área mais isolada da biblioteca.

Tem gente que não é assim. Tem gente que só consegue estudar em casa, porque se sente mais relaxado. Tem gente que precisa de algum barulhinho de fundo para se manter acordado. Tem gente que precisa estudar sempre conversando. Tem gente que precisa intercalar os estudos com outras leituras aleatórias. Você é quem sabe qual é seu estilo.

7. No mais, dormir bem, comer bem, exercitar-se.

É impressionante como coisas tão bobas e prosaicas como essas dão um bem estar sem tamanho para a pessoa – ainda que eu não consegui cumprir a parte do exercício físico até o presente momento. Vejo gente na faculdade virando a noite fazendo trabalho. Ou essas pessoas são muito ocupadas ou ainda mais desorganizadas que eu. Porque não tem lógica para mim perder uma noite de sono preciosa para fazer o trabalho que você já deveria ter feito.

E vocês, tem alguma dica para estudar bem? Se eu souber de mais alguma coisa nova, escrevo por aqui.

Então que eu dei uma sumida. Então que completou um ano que eu fui para Londres e há exatamente um ano atrás eu deveria estar jantando algum prato enorme de comida na minha casinha em St. John’s Wood. Então que eu estou feliz com alguém.  Então que eu estou supostamente no meu último período na Letras.

Hoje, tomando um chá com uma colega de Letras, que também está no último período, ela me perguntou porque eu não escrevia mais no blog. Disse que escrevia mais em Londres porque tinha mais coisas para contar. O que é uma grande mentira porque várias coisas estão acontecendo comigo nos últimos dias e meses. Talvez o terror desse semestre seja a monografia. Não sei se quero falar sobre isso no blog, sobre o processo de fazer esse trabalho, mas adianto que está sendo meio penoso, com algumas oscilações. (edit. Como você deve ter percebido pelo tamanho do texto, eu acabo falando, sim.) Hoje, por exemplo, estou me sentindo relativamente confiante e sigo com as minhas leituras, tentando arquitetar como será a escrita etc.

Conversando com uma amiga que está fazendo intercâmbio na França por Skype, ela me disse que a nossa área é muito ingrata. Estudar literatura é meio sofrido, porque você está sempre precisando passar por cima do seu ego. Teorizar em literatura depende muito do seu olhar. As pessoas dizem que você pode escrever sobre qualquer coisa – e pode mesmo, se fizer sentido. Mas aquilo tudo recai sobre você, porque é o seu olhar sobre o texto, a sua opinião que modelará a estrutura do seu trabalho. Lembro que no meu primeiro período da Letras, lia os textos teóricos em Teoria da Literatura I e aquilo tudo me parecia muito sobre o que eu penso sobre a vida, como eu enxergo o mundo. Então, escrever uma monografia sobre literatura é sempre uma questão pessoal, o que é ótimo, mas pode ser a ruína também.

Escrever uma monografia não é só escrever uma monografia. Você aprende muitas coisas junto com o fazer desse trabalho. O que eu estou aprendendo a passos lentos e que está travando que eu avance na escrita, é acreditar mais no meu trabalho. Acreditar que o que eu estou escrevendo e pesquisando tem valor para mim e para os outros que lerão. Eu tenho problemas em acreditar em mim mesma e acho tudo que eu faço horrível. Instintivamente, eu me recolho, não escrevo para não ter que enviar nada para o meu orientador e ser avaliada. Daí o tempo vai passando, não consigo pedir ajuda e vira aquele bololô todo. É tão grave o negócio que eu acho que meus questionamentos são idiotas demais a serem dirigidos para meu orientador. Enfim, devagar estou conseguindo mudar isso, como disse antes. O problema que isso tudo é muito meu. Eu me lembro de reclamar dessas mesmas coisas desde 2011, sempre penando, sempre fugindo, fingindo que não dava importância pra uma das coisas que eu mais me importo.

Hoje, por exemplo, li um texto que me deu uma alegria tão grande, porque aprendi tanta coisa e se encaixa tão bem com o que eu precisava estudar. São nessas horas que a gente vê que vale a pena e eu sei que é isso que eu gosto de fazer. Mas às vezes esses momentos são rarefeitos e é muito fácil esquecer qual é o propósito disso tudo e a gente se pergunta: o que eu estou fazendo com a minha vida?

É muito difícil se manter motivado, especialmente numa área que não tem motivação exterior nenhuma. Outra coisa que tem me chateado muito é que estou fazendo a última disciplina para me formar, toda baseada em seminários e eu simplesmente caí no pior grupo que eu poderia ter caído. Gente que falta à apresentação em grupo, gente que manda a parte escrita do trabalho no dia que deve entregá-lo e só seis linhas escritas. É nesse nível. Posso dizer que estou fechando o ciclo de cumprir créditos com uma cereja em cima de um bolo de chorume.

Bom, mas vamos lá, né. Segue o baile.

Um amigo me apresentou esse site incrível de educação online, o Coursera: https://www.coursera.org/. Tem parceria com várias universidades renomadas pelo mundo inteiro e oferta os cursos mais sensacionais que você possa imaginar. A melhor parte: tudo de graça. Tem curso de ciências da educação, humanidades, biologia, economia, finanças, música, cinema, fotografia, games, saúde e sociedade, medicina, nutrição, educação… etc etc etc. Sério, dê uma olhada nesse site que com certeza você vai encontrar muita coisa legal.

Essa semana comecei meu curso de Introdução à filosofia, pela University of Edinburgh. Estou gostando muito! A estrutura dos cursos funciona assim: 1. você assiste os vídeos (normalmente são uns 5,6 vídeos de 10-15 minutos); 2. responde o quiz (semanal); 3. faz uma atividade escrita (não é semanal); 4. participa dos fóruns de discussão e 5. se quiser, lê textos adicionais que o professor passa a cada semana. Ah, sim! Toda semana sai um novo módulo e novos vídeos com o tema específico.

Nessa semana os temas dos vídeos eram:

1. Introduction: What is Philosophy?

2. Is Philosophy ‘fundamental’?

3. Is Philosophy important?

4. Philosophy and (the question of) the Meaning of Life

5. Concluding Thoughts

O formato da aula, até então, foi bem interessante. Não é nada cansativo, o professor fala como se estivesse em uma conversa e não joga conceitos a torto e a direito. É bem simples, ao mesmo tempo em que são explorados temas fundamentais e bem espinhosos. Como sempre tive vontade de entender melhor filosofia, mas não sei por onde começar, foi uma ótima ter me inscrito nesse curso. Espero que a dica valha.

PS. Já me inscrevi para o curso de “The fiction of relationship”, com o prof. Arnold Weinstein, pela Brown University. Repetindo: tenho aula com um professor da Univ. of Edinburgh e terei aulas com um professor da Brown. Sério. Como não amar?

1. Em um certo ponto de um workshop que participei sobre ensino de segunda língua para crianças, falou-se da necessidade de se estar motivado a aprender uma língua. É muito comum ouvir pessoas adultas dizendo que amam piano, por exemplo. Ou qualquer outro tipo de instrumento. Que amam a sonoridade e gostariam muito de aprender a tocar. Ou então pessoas que acham lindo o tango, que queriam aprender a dançar.

São essas as mesmas pessoas que dizem nunca ter tempo para se matricular no curso de piano ou de tango. Ou nunca têm dinheiro. Ou são velhos demais para aprender esse tipo de coisa. E são essas as pessoas que gastam rios de dinheiro para uma viagem, ou perdem tempo assistindo a novela todos os dias… As pessoas têm apenas o feeling, a vontade de fazer algo, a paixão por determinado objeto. Ok, bastante válido. Porém, esse sentimento sozinho não dá em muita coisa. É preciso emotion, o foco e a decisão de se fazer uma coisa. Ir à escola de música e se matricular na aula de piano, por exemplo.

2. No meu último dia de aula de determinada disciplina, o professor falou da sua experiência na vida acadêmica para as alunas prestes a se formar. A maioria ali queria tentar mestrado nos próximos meses e no próximo ano e tinha dúvidas quanto à banca. Ele disse que a banca não olhava se fulano é mais inteligente que ciclano, mas sim quem está mais preparado a se dedicar por dois anos a uma dissertação. Quem tem maturidade para esse tipo de comprometimento. Não basta a decisão de se tentar algo, porém é necessário estar pronto para aquilo. Se é o momento certo para fazer algo.