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cinema

Enquanto Mistress America e While we’re young não saem, vamos acabar com essa maratona Noah Baumbach que já está quase no fim. Assisti ontem o Highball e: o que tenho a dizer? Não é um dos melhores, mas ainda assim é bom porque é filme do Noah Baumbach.

O filme acontece em um único lugar, o apartamento no Brooklyn de Travis (Christopher Reed) e Diane (Lauren Katz), um casal recém-casado. Eles querem pagar de adultos, então dão uma festa para inaugurar o apartamento e essa nova fase de suas vidas. Travis diz que a festa é para comemorar o aniversário de Felix (Carlos Jacott), uma pessoa que todos detestam, exceto Travis. O Felix é realmente um filho da puta detestável, mas a gente acaba se afeiçoando por ele, principalmente no final quando ele canta no karaokê. Travis é um retardado infantil e Diane quer pagar de adulta; porém, ela é tão imatura quanto o marido e, obviamente, a festinha acaba dando bem errado. Depois disso são mostradas outras duas festas, Halloween e o Ano Novo. Outros personagens reaparecem nessas festas, que são o núcleo principal de amizade, mas sempre aparecem outros convidados aleatórios: gente famosa, vizinhos etc. Atenção ao Noah Baumbach atuando; ao Chris Eigeman aparecendo como Fletcher: já falei como adoro esse cara no primeiro filme do Baumbach e em vários outros do Whit Stillman, né? Atenção ao mágico Don (Dean Cameron) que aparece na primeira festa. Atenção ao Miles (John Lehr) insuportável, porém brilhante. Atenção às cores das paredes, azuis e insuportavelmente festivas, contrastando com as coisas absurdas que acontecem no apartamento.

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1. Metropolitan, 1990.

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2. Barcelona, 1994.

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“Tonight, while I was shaving – I always shave against the direction of the beard because I understood you got a closer shave that way. I started thinking about this razor commercial on TV which shows the hair follicles like this, going this way. The first of the twin blades cuts them here. Then the hair snaps back and the second blade catches them down here, giving you a closer, cleaner, possibly smoother shave. That we know. But what struck me was: If the hair follicles are going in this direction and the razor is too, then they’re shaving in the direction of the beard, not against it. Which would mean that I’ve been shaving the wrong way all my life. I mean, maybe that’s not so, maybe I misremembered the ad. But the point is: I could’ve shaved the wrong way all of my life and never have known it. And then I could have taught my son to shave the wrong way, without him ever knowing it either.”

3. The last days of disco, 1998.

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“A lot of people like to say they won’t take no for an answer. I just wanted you to know that I’m not one of them; I can be easily discouraged. I will take no for an answer.”

4. Damsels in distress, 2011.

O destaque desse post vai para o ator Chris Eigeman, que eu achava ser só o Jason Stiles, o namorado da Lorelai Gilmore, mas que é um incrível ator. Ele está em dois filmes que assisti nessa semana (Kicking and screaming e The last days of disco) e no terceiro que estou assistindo nesse exato momento (Metropolitan). Baita ator que todo mundo ignora.

3. Kicking and screaming, 1995.

Então, seguindo com a maratona, fiquei muito surpresa com esse filme de estreia do Noah Baumbach, que em nada se parece com um filme de estreia. Aliás, é muito maduro. Em uma entrevista que postei no blog há uns meses atrás, uma conversa entre Baumbach e Wes Anderson na biblioteca de NY, Baumbach diz que Anderson parece sempre saber qual era seu projeto, o que ele queria dos seus filmes, como se desde a sua estreia, ele já estivesse pronto para aquilo, ao contrário dele próprio. O que eu acho uma bobagem, na verdade. Já está tudo em Kicking and screaming, com uma potência impressionante.

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O filme é sobre jovens que acabaram de se formar na faculdade e não sabem muito bem o que fazer com isso. Particularmente estou muito perto desse limbo entre a faculdade e a vida adulta e me identifico bastante. Todos esses formandos não querem ser como Chet, um estudante universitário profissional que está na faculdade há 10 anos, mas também não querem se perder nesse mundo. O que eles fazem? Porra nenhuma. Formam-se e ficam uns meses no mesmo lugar, morando juntos, vivendo um grande domingo, como ouvi uma pessoa dizer isso essa semana.

Os filmes do Baumbach tem muito dessa ideia dos personagens estarem numa busca interminável de encontrarem quem eles realmente são, ou como lidarem com eles mesmos. Frances ha é assim, Greenberg, The squid and the whale, Margot at the wedding… Em uma entrevista para o Indiewire, Baumbach disse: “I’m always interested in how people, myself included, have ideas of themselves, of how they thought they would be, or of how they want to be seen, And the older you get, the world keeps telling you different things about yourself. And how people either adjust to those things and let go of adolescent notions. Or they dig in deeper.”. Vai ver é isso que me interessa tanto no Baumbach.

Adoro os diálogos realistas de todos os filmes do Baumbach e esse não foge disso. Aqui vai um trecho:

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Grover: Oh, I’ve been to Prague. Well, I haven’t “been to Prague” been to Prague, but I know that thing, that, “Stop shaving your armpits, read the Unbearable Lightness of Being, date a sculptor, now I know how bad American coffee is thing… “

Jane: They have good beer there.

Grover: “… now I know how bad American beer is thing.”

Adoro todos os personagens, claro que os protagonistas são incríveis, mas preciso dizer que o Otis (Carlos Jacott) e o Max (Chris Eigeman) são meus preferidos. Adoro aquele jogo que eles se desafiam a, por exemplo, falarem oito nomes de filmes que o personagem principal é um macaco. É sempre um desafio para fazerem uma lista sem noção.

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Max: Is that a pajama top?

Otis: No… Yes.

+

Max: Are you wearing mascara?

Otis: No… yes.

A ideia de maratona já não faz sentido algum já que a última vez que eu vi um filme do Noah Baumbach e escrevi no blog foi em janeiro desse ano. Enfim… Nesse fim de semana assisti pela segunda vez o Frances ha, meu filme preferido desse ano e que com certeza entrou para minha lista de preferidos de sempre e assisti também o Kicking and screaming, primeiro longa do Noah.

2. Frances ha, 2012

Depois de assistir o filme com uma amiga, fomos para a mesa de um bar e ela me perguntou se eu tinha gostado mais do filme depois da segunda vez que eu assisti. Concordamos que como da primeira vez nós perdemos alguns minutos iniciais do filme, que faziam toda a diferença, quando a Sophie e a Frances faziam tudo juntas (brincar de lutinha, sair correndo pela cidade, fumar na janela) e o término, algumas coisas ficaram para trás. E assistindo pela segunda vez, o filme fez mais sentido e… Não sei vocês, mas as coisas que eu gosto, eu quero ouvir/ler/ver várias vezes até enjoar.

A uma hora e meia desse filme passa como se fossem cinco minutos. É uma história apaixonante. O aconchego da escolha de um filme preto e branco, a sensação de que tudo que acontece é muito real, as situações absurdas e engraçadíssimas que a Frances se enfia e os diálogos incríveis. Adoro o final desse filme, [spoiler alert] como ela finalmente aceita que não vai ser uma bailarina de uma companhia importante simplesmente porque não é aquilo que ela faz bem, que ela não é genial e que tá tudo bem. Ela é uma boa coreógrafa, ela encontra um apartamento mediano em um bairro ok, mas é o apartamento só dela. Acho incrível isso de aceitar as próprias limitações, reconhecer seu próprio lugar, suas forças e fraquezas e fazer algo a partir disso. [spoiler alert]

“We’re like a sitcom: my two husbands.”

Adoro também as partes que percebemos um total descompasso entre a Frances e todas as pessoas ao seu redor. Como naquela cena em que ela está em um jantar de “adultos” e ela falando de casais de faculdade, completamente desajeitada e com um tom de voz meio adolescente. Adoro quando ela está em Paris por um único fim de semana, acorda às quatro da tarde, assiste o Gato de Botas e está frustrada tentando acender o cigarro, de costas para a Torre Eiffel. Adoro a cena dela correndo, saltando pelas ruas da cidade e chegando em casa, percebendo-se completamente sozinha e faz um muxoxo.

A: “What do you do?” B: “Its complicated.” A: “Because what you do is complicated?” B: “Because I don’t really do it.”

Não tem como não se identificar com essa personagem que a gente ri da cara dela o tempo inteiro e ao mesmo tempo diz algo sobre tentar se encontrar, tentar entender o que ela realmente é, qual é seu lugar, o que a faz feliz etc. A atuação da Greta Gerwig é incrível. Não saberia começar a dizer como gosto dela em GreenbergNights and weekends e agora nesse filme, em que ela toma conta de tudo. É engraçado que em filmes com a Angelina Jolie, por exemplo, ou outra musa, há sempre aquela tensão quando ela entra em cena, como se ela fosse o centro de tudo, porque ela exala auto-confiança e tem um magnetismo no olhar e na forma de se portar. A Greta Gerwig tem esse magnetismo, mas pelos motivos contrários. Ela chama atenção e toma conta da cena, mas de um jeito meio patético, meio errado e desconfortável e que é adorável e meigo ao mesmo tempo.

vlcsnap-2013-02-13-23h20m36s61“I always feel this pressure of being a strong and independent icon of womanhood, and without making it look my whole life is revolving around some guy. But loving someone, and being loved means so much to me. We always make fun of it and stuff. But isn’t everything we do in life a way to be loved a little more?”

***

“Baby, you are gonna miss that plane.”

***

“I’m starting to forget him. And it’s like… like… losing him again. So sometimes I make myself remember every detail of his face. The exact color of his eyes, his lips, his teeth, the texture of his skin, his hair. That was all gone by the time he went. And sometimes – not always – but sometimes, I can actually see him. Like as if a cloud moves away and there he is – I could almost touch him. But then, the real world rushes in, and he vanishes again. Well, I did this every morning, when the sun was not too bright outside. The sun somehow makes him vanish. Yes, he appears and he disappears, Like sunlight, sunset, anything so ephemeral. Just like our life, uh? We appear and we disappear. And we are so important to some, but we are just passing through.”

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“Oh, fuck it. D’you know something? You’re just the little girls and everybody else. You wanna live inside some fairy tale, right? I’m just trying to make things better here, alright? I tell you that I love you unconditionally; I tell you that you’re beautiful; I tell you that your ass looks great when you’re eighty, uh? I’m trying to make you laugh. I put up with plenty of your shit. And if you think I’m some dog that is going to keep coming back, then you’re wrong. But if you want true love, then this is it. This is real life: it’s not perfect, but it’s real. And if you can’t see it, then you’re blind, right? I give up.”

“Like Jean Renoir and Max Ophüls, most of Paul Thomas Anderson’s films are characterized by a constantly moving camera. Like François Truffaut and Martin Scorsese, his films are the work of a man with an encyclopaedic knowledge of film and film technique, who is able to make tried and true techniques as fresh and as vibrant as when D.W. Griffith first started to discover them. Like Robert Altman, Anderson thrives on working with large ensembles of actors. Like Steven Spielberg and Tim Burton, his films often depict the suburban U.S. as a place of alienation, and his characters are often alienated people who must in some way or another learn to assimilate themselves into some kind of family environment.”

Então tá.

Tinha assistido apenas Punch-drunk love por recomendação de um amigo e agora assistirei os outros longas do cara.

1. The Master (2012)

2. There will be blood (2007)

3. Punch-drunk love (2002)

4. Magnolia (1999)

5. Boogie nights (1997)

6. Sydney (1996)

Esse final de semana está sendo mais tranquilo. Ontem pela manhã, acabei novamente perdendo um tempinho fazendo as atividades da escola e sobrou só umas duas horas para sair. Fui à Foyles (http://www.foyles.co.uk/), uma das grandes livrarias daqui, que existe desde 1903. Dá vontade de morar lá dentro, sério. Você encontra qualquer tipo de livro. Me acabei ali, deu vontade de levar metade para casa. As seleções de poesia e de quadrinhos são ótimas. Comprei o novo Coetzee, The childhood of Jesus, que estava doida para ler. Já comecei a leitura hoje cedo e estou gostando muito.

Ontem à noite fui ao cinema na Leicester Square. Primeira aventura: peguei o metrô na hora do rush. Encontrei com duas meninas da minha escola, fomos à Chinatown e comemos comida taiwanesa. Pedimos um arroz meio frito com frutos do mar, berinjela com molho de alho e um negócio esquisito que não comemos e até agora eu não sei o que seja. Estava uma delícia. Depois fomos ao cinema e assistimos Side effects, com a linda da Rooney Mara e o incrível Jude Law. Filme bem mais ou menos, fala da indústria farmacêutica, do sofrimento de pessoas em depressão com medicamentos e todo o dinheiro que circula por trás disso. Começa como um filme mais introspectivo e depois muda para um filme de suspense, thriller. Sabe aquele tipo de filme que você sente que é de Hollywood, que tenta demais e você percebe as engrenagens do cinema funcionando por trás? É isso. Não gostei. Apesar de crucial para a trama, metade do filme fiquei pensando o que a Catherine Zeta-Jones estava fazendo ali.

Depois peguei um dos últimos horários do metrô e é muito legal como a atmosfera muda se comparado à manhã. As pessoas estão conversando, energéticas, empolgadas. Tem um senso de camaradagem entre todos, junto com a aura daqueles músicos de metrô que ficam nos corredores animando ainda mais a cena.

Hoje cedo eu me programei para ir ao Borough Market, porém… Neve. Ok, mudando de planos para fazer uma atividade em lugar fechado. Minha colega de sala e seu colega de casa sugeriram cinema na Leicester Square de novo. Ok, né. Fomos. Tamos aí. Almoçamos em um restaurante chinês na própria praça e assistimos Robot & Frank. Gostei, fofinho. É um filme nada pretensioso, feito para ser água com açúcar mesmo. Entretenimento honesto, por isso gostei. Comi pela primeira vez na vida Ben & Jerry’s e quis me casar com esse sorvete. Depois sugeriram ir à National Gallery, mas nenhum dos dois gostavam de arte, então voltamos para casa. Eu e minha roommate tomamos chá e conversamos bastante. Sim, aqui minha casa é tipicamente inglesa. Então, toda hora alguém faz a pergunta inevitável: “Tea?” e “With milk?”. Depois fomos jantar sopa, maravilha nesse tempinho e voltamos. Foi ótimo passar um tempo a mais com ela e foi a primeira pessoa com quem consegui falar de coisas mais pessoais. Como ninguém se conhece e eu saio com intercambistas, sempre rola o bom e velho small talk. De onde você vem, o que faz da vida. É muito engraçado conhecer tantas pessoas do zero assim, em conjunto. E todos sempre muito dispostos a conversar, a ter amizades. Essa é uma das melhores coisas de um intercâmbio. É tudo novo, tudo começa do zero e você vai construindo coisas.