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maratona noah baumbach

Enquanto Mistress America e While we’re young não saem, vamos acabar com essa maratona Noah Baumbach que já está quase no fim. Assisti ontem o Highball e: o que tenho a dizer? Não é um dos melhores, mas ainda assim é bom porque é filme do Noah Baumbach.

O filme acontece em um único lugar, o apartamento no Brooklyn de Travis (Christopher Reed) e Diane (Lauren Katz), um casal recém-casado. Eles querem pagar de adultos, então dão uma festa para inaugurar o apartamento e essa nova fase de suas vidas. Travis diz que a festa é para comemorar o aniversário de Felix (Carlos Jacott), uma pessoa que todos detestam, exceto Travis. O Felix é realmente um filho da puta detestável, mas a gente acaba se afeiçoando por ele, principalmente no final quando ele canta no karaokê. Travis é um retardado infantil e Diane quer pagar de adulta; porém, ela é tão imatura quanto o marido e, obviamente, a festinha acaba dando bem errado. Depois disso são mostradas outras duas festas, Halloween e o Ano Novo. Outros personagens reaparecem nessas festas, que são o núcleo principal de amizade, mas sempre aparecem outros convidados aleatórios: gente famosa, vizinhos etc. Atenção ao Noah Baumbach atuando; ao Chris Eigeman aparecendo como Fletcher: já falei como adoro esse cara no primeiro filme do Baumbach e em vários outros do Whit Stillman, né? Atenção ao mágico Don (Dean Cameron) que aparece na primeira festa. Atenção ao Miles (John Lehr) insuportável, porém brilhante. Atenção às cores das paredes, azuis e insuportavelmente festivas, contrastando com as coisas absurdas que acontecem no apartamento.

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O destaque desse post vai para o ator Chris Eigeman, que eu achava ser só o Jason Stiles, o namorado da Lorelai Gilmore, mas que é um incrível ator. Ele está em dois filmes que assisti nessa semana (Kicking and screaming e The last days of disco) e no terceiro que estou assistindo nesse exato momento (Metropolitan). Baita ator que todo mundo ignora.

3. Kicking and screaming, 1995.

Então, seguindo com a maratona, fiquei muito surpresa com esse filme de estreia do Noah Baumbach, que em nada se parece com um filme de estreia. Aliás, é muito maduro. Em uma entrevista que postei no blog há uns meses atrás, uma conversa entre Baumbach e Wes Anderson na biblioteca de NY, Baumbach diz que Anderson parece sempre saber qual era seu projeto, o que ele queria dos seus filmes, como se desde a sua estreia, ele já estivesse pronto para aquilo, ao contrário dele próprio. O que eu acho uma bobagem, na verdade. Já está tudo em Kicking and screaming, com uma potência impressionante.

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O filme é sobre jovens que acabaram de se formar na faculdade e não sabem muito bem o que fazer com isso. Particularmente estou muito perto desse limbo entre a faculdade e a vida adulta e me identifico bastante. Todos esses formandos não querem ser como Chet, um estudante universitário profissional que está na faculdade há 10 anos, mas também não querem se perder nesse mundo. O que eles fazem? Porra nenhuma. Formam-se e ficam uns meses no mesmo lugar, morando juntos, vivendo um grande domingo, como ouvi uma pessoa dizer isso essa semana.

Os filmes do Baumbach tem muito dessa ideia dos personagens estarem numa busca interminável de encontrarem quem eles realmente são, ou como lidarem com eles mesmos. Frances ha é assim, Greenberg, The squid and the whale, Margot at the wedding… Em uma entrevista para o Indiewire, Baumbach disse: “I’m always interested in how people, myself included, have ideas of themselves, of how they thought they would be, or of how they want to be seen, And the older you get, the world keeps telling you different things about yourself. And how people either adjust to those things and let go of adolescent notions. Or they dig in deeper.”. Vai ver é isso que me interessa tanto no Baumbach.

Adoro os diálogos realistas de todos os filmes do Baumbach e esse não foge disso. Aqui vai um trecho:

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Grover: Oh, I’ve been to Prague. Well, I haven’t “been to Prague” been to Prague, but I know that thing, that, “Stop shaving your armpits, read the Unbearable Lightness of Being, date a sculptor, now I know how bad American coffee is thing… “

Jane: They have good beer there.

Grover: “… now I know how bad American beer is thing.”

Adoro todos os personagens, claro que os protagonistas são incríveis, mas preciso dizer que o Otis (Carlos Jacott) e o Max (Chris Eigeman) são meus preferidos. Adoro aquele jogo que eles se desafiam a, por exemplo, falarem oito nomes de filmes que o personagem principal é um macaco. É sempre um desafio para fazerem uma lista sem noção.

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Max: Is that a pajama top?

Otis: No… Yes.

+

Max: Are you wearing mascara?

Otis: No… yes.

A ideia de maratona já não faz sentido algum já que a última vez que eu vi um filme do Noah Baumbach e escrevi no blog foi em janeiro desse ano. Enfim… Nesse fim de semana assisti pela segunda vez o Frances ha, meu filme preferido desse ano e que com certeza entrou para minha lista de preferidos de sempre e assisti também o Kicking and screaming, primeiro longa do Noah.

2. Frances ha, 2012

Depois de assistir o filme com uma amiga, fomos para a mesa de um bar e ela me perguntou se eu tinha gostado mais do filme depois da segunda vez que eu assisti. Concordamos que como da primeira vez nós perdemos alguns minutos iniciais do filme, que faziam toda a diferença, quando a Sophie e a Frances faziam tudo juntas (brincar de lutinha, sair correndo pela cidade, fumar na janela) e o término, algumas coisas ficaram para trás. E assistindo pela segunda vez, o filme fez mais sentido e… Não sei vocês, mas as coisas que eu gosto, eu quero ouvir/ler/ver várias vezes até enjoar.

A uma hora e meia desse filme passa como se fossem cinco minutos. É uma história apaixonante. O aconchego da escolha de um filme preto e branco, a sensação de que tudo que acontece é muito real, as situações absurdas e engraçadíssimas que a Frances se enfia e os diálogos incríveis. Adoro o final desse filme, [spoiler alert] como ela finalmente aceita que não vai ser uma bailarina de uma companhia importante simplesmente porque não é aquilo que ela faz bem, que ela não é genial e que tá tudo bem. Ela é uma boa coreógrafa, ela encontra um apartamento mediano em um bairro ok, mas é o apartamento só dela. Acho incrível isso de aceitar as próprias limitações, reconhecer seu próprio lugar, suas forças e fraquezas e fazer algo a partir disso. [spoiler alert]

“We’re like a sitcom: my two husbands.”

Adoro também as partes que percebemos um total descompasso entre a Frances e todas as pessoas ao seu redor. Como naquela cena em que ela está em um jantar de “adultos” e ela falando de casais de faculdade, completamente desajeitada e com um tom de voz meio adolescente. Adoro quando ela está em Paris por um único fim de semana, acorda às quatro da tarde, assiste o Gato de Botas e está frustrada tentando acender o cigarro, de costas para a Torre Eiffel. Adoro a cena dela correndo, saltando pelas ruas da cidade e chegando em casa, percebendo-se completamente sozinha e faz um muxoxo.

A: “What do you do?” B: “Its complicated.” A: “Because what you do is complicated?” B: “Because I don’t really do it.”

Não tem como não se identificar com essa personagem que a gente ri da cara dela o tempo inteiro e ao mesmo tempo diz algo sobre tentar se encontrar, tentar entender o que ela realmente é, qual é seu lugar, o que a faz feliz etc. A atuação da Greta Gerwig é incrível. Não saberia começar a dizer como gosto dela em GreenbergNights and weekends e agora nesse filme, em que ela toma conta de tudo. É engraçado que em filmes com a Angelina Jolie, por exemplo, ou outra musa, há sempre aquela tensão quando ela entra em cena, como se ela fosse o centro de tudo, porque ela exala auto-confiança e tem um magnetismo no olhar e na forma de se portar. A Greta Gerwig tem esse magnetismo, mas pelos motivos contrários. Ela chama atenção e toma conta da cena, mas de um jeito meio patético, meio errado e desconfortável e que é adorável e meigo ao mesmo tempo.

Para quem não conhece, Noah Baumbach nasceu em 1969, é um diretor americano de cinema independente, nascido no Brooklyn, em Nova York. Filho de dois críticos de literatura e cinema, é o terceiro de quatro irmãos. Fez seu primeiro filme com 26 anos, nos anos 2000 escreveu com Wes Anderson dois filmes, ganhou prêmios e foi indicado ao Oscar com The squid and the whale. Casou-se com Jennifer Jason Leigh, tiveram um filho, mas já se separaram. Agora ele é namorado da Greta Gerwig (sortudo!). Seu último filme co-escrito com Gerwig, Frances ha, estreará comercialmente em maio desse ano e ele já está trabalhando em mais um filme, While we’re young.

Diferente do seu amigo Wes Anderson, que cria mundos fantásticos, absurdos e personagens que só existem naqueles contextos, os filmes de Noah Baumbach são extremamente reais – da forma mais dolorosa de real possível.

Avisando que antes desse projeto, eu já havia assistido os três principais filmes do Baumbach. Então, a experiência agora vai ser um pouco diferente, de menos descobertas que a do Wes Anderson.

Segue o jogo. O primeiro filme que assisti foi:

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You know the drill. Vou assistir toda a filmografia do cara.

Filmografia:

1. Kicking and screaming (1995)

2. Highball (1997)

3. Mr. Jealousy (1997)

4. Conrad & Butler take a vacation (short) (2000) (indisponível)

5. Thirty (TV movie) (2000) (indisponível) 

6. The squid and the whale (2005)

7. Margot at the wedding (2007)

8. Greenberg (2010)

9. The Corrections (TV movie) (2012) (indisponível)

10. Frances ha (2012)

Lembrando que o Noah Baumbach escreveu com o Wes Anderson The life aquatic with Steve Zissou e Fantastic Mr. Fox. E o Frances ha foi escrito com a Greta Gerwig, porém, esse filme até hoje não está disponível no mundo da pirataria internética. Paciência.

Não assistirei Madagascar 3, apesar do Baumbach ter escrito o roteiro. Ainda pensando se assistirei ou não os TV movie, que ele apenas escreveu o roteiro e não dirigiu. Vamos ver o que acontece.

Wes Anderson & Noah Baumbach conversando na biblioteca pública de New York. O vídeo é grandinho, dividido em 10 partes, mas vale a pena. Se você estiver com preguiça, assista o primeiro (sobre The squid and the whale), o sexto vídeo da metade para frente (sobre Bottle rocket), o início do sétimo vídeo (sobre kicking and screaming) e o nono da metade em diante (sobre o teste com crianças para Fantastic Mr. Fox). Esse nono vídeo é o melhor, se você estiver babando de preguiça, assista só esse.

Falam de Fantastic Mr. Fox majoritariamente, mas também de The squid and the whale, Isabela Rosselini, David Lynch, franquia 007, gravação da cena do rio em The darjeeling limited, The life aquatic… e a possibilidade da família Cousteau achar que era plágio e como a Touchstone ‘consertou’ isso, Margot at the wedding, filmes que acontecem em um único lugar ou em um único dia, a diferença de se fazer um filme animado, primeiros filmes, como Wes Anderson já sabia o que queria em Bottle rocket, a premiere de Bottle rocket, a premiere de Kicking and screaming, o experimento com o grupo de crianças durante o processo de criação de Fantastic Mr. Fox e muito mais…

E a risada do Wes Anderson é sensacional.