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Dia desses percebi que nunca escrevi nada aqui no bloguinho sobre a minha viagem para a Alemanha, há mais de um ano atrás. É estranho porque algumas coisas já se perderam na minha memória, por isso vou tentar criar um registro aqui dessas lembranças esparsas. Quando fiz o intercâmbio para Londres, para mim já estava de bom tamanho conhecer apenas essa cidade que tem muito para se visitar, mas algumas semanas depois percebi que era bastante possível conhecer outras cidades. Comecei viajando no Reino Unido e depois fui para duas cidades no continente – Amsterdam e Berlim.

Para Amsterdam, fui sozinha, como relatei aqui. Para Berlin, fui com um casal de amigos cariocas. Ficamos lá dois dias e meio. No dia da viagem, fomos de táxi para o aeroporto Stansted, chegamos um pouco em cima da hora e não sabíamos qual era o procedimento de check-in da Ryanair, que já é uma experiência bizarra de viagem. Resultado: por pouco não perdemos o nosso voo. Algumas horinhas depois chegávamos em Berlin Schönefeld, o aeroporto que fica fora da cidade. Sabíamos que tinha uma estação de trem/metrô que nos levaria ao centro, mas quem disse que a gente entendia como funcionava a coisa toda? Outra coisa é que não sabíamos onde comprava o bilhete porque as estações berlinenses não tem catraca. Depois descobrimos onde comprar o passe para todos os dias da nossa viagem e entendemos as diferenças entre S e U no metrô (que eu já não me lembro mais como funciona). Ou seja, é bom se informar quanto a isso e estudar o mapa do metrô. E não ajuda muito aqueles nomes enormes de estação muito custosos de serem memorizados.

Fomos direto para o albergue, JetPak, super recomendado. O staff é ótimo, explica tudo tim tim por tim tim, o lugar é super limpo, tem um café da manhã bacana e é muito bem localizado. Lembro que a única coisa bizarra no lugar era que no banheiro tinha só uma banheira e um chuveirinho. Nada de chuveiro. Era uma ginástica estranha para tomar banho no banheiro coletivo. Lá no alguergue, os funcionários, que falavam inglês muito muito bem, ajudam todo mundo a se orientar na cidade, dão sugestões de tour, de passeio, de tudo! Deixamos nossas malas por lá, corremos para pegar o free tour, mas tínhamos que almoçar antes. Engolimos um sanduíche do Mc Donald’s, mas já estávamos atrasados. Perdemos o tour, então fomos nós mesmos dar uma volta pela cidade.

Lembro que perguntamos para um funcionário do McDonald’s sobre o que a gente poderia fazer ali por perto. Ele era italiano, o inglês dele era meio ruim, mas ele quase virou de ponta cabeça para conseguir explicar tudo para gente. Saiu na porta do restaurante, foi apontando, fazendo mímica. Pelo que pude perceber, os berlinenses são bem assim, super amigáveis, fazem de um tudo para que você se sinta bem vindo no país deles – ou no país que eles adotaram como deles, como é o caso desse italiano. Se você solta um “Danke schön” ou um “Hallo”, eles quase saltam no seu pescoço para dar um abraço.

Aqui a minha memória começa a se embolar e não sei o que fizemos no primeiro dia ou nos dias subsequentes. Acho que é muita informação que não absorvi nesse período de tempo tão curto da nossa estadia. Portanto, vou citando os lugares sem uma preocupação cronológica. Fomos ao Tiergarten, um parque urbano enorme no centro de Berlim. Na época que nós fomos era no final da primavera e era tudo muito verde. Muitas árvores, grama, uma vegetação mais concentrada, em outras horas abria uma clareira. Tudo com uma trilhazinha bem simples. Pesquisando depois na internet vi que o parque é enorme e nós andamos em uma parte minúscula dele. Fiquei impressionada com o lugar.

Fomos em uma parte do muro de Berlim que virou um mural de street art, chamado East side gallery. Depois disso parece que jantamos no outro lado da cidade. Comi uma sopa de batata com joelho de porco, ou algo do tipo. As pessoas em Berlim ou falam inglês bem – a minoria – ou arranham um inglês – maioria – mas fazem de tudo pra ajudar. E sempre tem cardápio em inglês em tudo quanto é lugar.

Fomos ao Checkpoint Charlie, fronteira de controle de passagem das pessoas da Berlim oriental e ocidental, dominada pelos americanos. O museu em si, conhecido como Haus am Checkpoint Charlie, não é dos melhores. Muita coisa para ler, uma quantidade massiva de cartazes, textos enormes e os objetos são visivelmente antiquíssimos. Tudo com cara de anos 90. Mas tem coisas incríveis, mostrando como as pessoas atravessavam a fronteira das mais variadas formas, com bonecos simulando o perrengue que as pessoas passavam, os riscos que elas corriam, as posições bizarras que elas ficavam para caber em tudo quanto é quanto.

Fomos a Potsdamer platz, o lugar que mostra como Berlim e a Alemanha em geral, deu a volta por cima. Como é uma cidade que se reergue das cinzas, um ambiente super urbano. Eu me lembro agora apenas dos canos coloridos muito visíveis na cidade inteira.

Fomos a Alexanderplatz, que era o centro da parte leste de Berlim. Lá tem a Fernsehturm, aquela torre de TV enorme. Por perto comemos batata com aquelas linguiças típicas, num restaurantezinho bem gostoso. Lá tem uma estação enorme também de metrô e lembro de ter adorado as estações e o metrô, de fato. Você sempre vai encontrar alguém de cabelo verde nele. Os vagões são amarelinhos com desenhos do Brandenburger Tor. Fomos ao Brandenburger Tor onde o tour de graça começou, mas que vou dedicar o próximo post exclusivamente a ele.

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Dia 05 – 03/01.

Dia meio besta. Acordamos. Sensação térmica do inferno. Assisti um episódio ruim de Downton Abbey. Tentamos tomar coragem para sair na rua. Saímos apenas à noite. Shopping JK, Top Shop. Carérrimo. Jamais voltarei. Restaurante Templo da Carne no Bixiga, bisteca do contra-filé com arroz biro-biro. Nham.

Dia 06 – 04/01.

Metrô, linha amarela com brilho de Jubilee line com portas de vidro. Encontrei Kiki na estação Faria Lima. MIS, exposição do Kubrick incrível. O iluminado, 2001, Laranja Mecânica. Calor e fome extremos, restaurante hipster lotado, sanduíche no Twin (acho que é esse o nome). Espresso numa casa de chá que esqueci o nome. Passagem rápida pela feira na Benedito Calixto. Gibiteria, Lola, Fun Home. Caminhada até a estação. Casa, jantar.

Dia 01 – 30/12.

Acabei de arrumar a mala como se estivesse em um filme do Wes Anderson. Procurei horários do ônibus. Verifiquei umas cinco vezes se não tinha esquecido nada. Fui pegar ônibus perto de casa. O ônibus atrasou. Desci na Praça Sete. Caminhei até a rodoviária. Peguei o conexão aeroporto. Cheguei no aeroporto. Fiz check-in. Comi pão de queijo com chá gelado por R$10,00. Sala de embarque, pela primeira vez passei pelo detector de metais sem que apitasse, avião. Lembrei-me das viagens que eu fiz no início do ano e a sensação de liberdade. Li revista do avião, fiquei olhando pela janela, pro céu muito azul de verão. Cheguei no aeroporto, demorei a pegar a bagagem. Minha irmã e meu cunhado me buscaram. Fomos para a Liberdade. Entramos em algumas lojas de artesanato: xícaras, gatos, facas, budas, pauzinho de tirar cera da orelha. Comprei esmaltes na Ikezaki. Comprei chás na Casa Bueno. Comi tempura de camarão numa barraquinha de rua. Fomos para casa descansar. Fomos para o Bixiga, procuramos por uma cantina que não tinha música ao vivo – sem sucesso. Comemos nhoque à bolonhesa em uma cantina com música ao vivo. Casa.

DIa 02 – 31/12.

Fomos para a casa da vó do meu cunhado. Família inteira reunida. Mulheres cozinhando o dia inteiro. Muita fartura. Dormi. Assisti Friends. Conversei com a vó por muito tempo. Conversei com a mãe dele por um tempo. Pessoas carinhosas e boas anfitriãs. Crianças fofas. Ternura. Passagem de ano. Cidra. Lentilha. Três desejos. Papai Noel virou estrela.

Dia 03 – 01/01.

De novo para a casa da vó. Churrasco. Resto da ceia. Muita fartura, de novo. Muita ternura, de novo.

Dia 04 – 02/01.

Trem. Metrô. Adoro transporte coletivo que dá certo. 25 de março. Andamos um quarteirão, entramos em algumas lojas. Sol quente. Cansaço extremo. McDonald’s, calor dos infernos. Arrependimento. Mercado Municipal fechado. Avenida Paulista. Calor extremo. Livraria Cultura, comprei livros. Frappuccino no Starbucks. Fnac, decepção porque os quadrinhos não estavam em promoção. Comprei guia turístico para Buenos Aires. Tanta coisa que não sabia o que escolher. Procurando biquini para uma provável viagem no dia seguinte. Desisti do biquini. Desistimos da viagem. Casa, jantar gostoso.

Com a intenção de visitar a minha irmã e seu respectivo que se casaram recentemente e estão de casa nova, passarei o ano novo com os dois na casa da família dele. Quero também me desdobrar nesse tempinho para me encontrar com um punhado de amigos queridos que fiz por aquelas bandas e conhecer uma amiga gaúcha que, provavelmente, vai para a cidade nesses dias. E, claro, conhecer um pouco mais dessa cidade. Ficarei por lá do dia 30/12 a 06/01 e, talvez, dois dias a mais porque me esqueci que meu cunhado faz aniversário nesses dias e vacilei na hora de comprar a passagem.

Seguem as ideias de passeio que eu planejei. Às pessoas que encontrarei por lá: se vocês puderem servir de guia turístico em alguns desses passeios, escolham o que vocês acham agradáveis e gostariam de fazer comigo. E, claro, adicionem algo mais à lista.

1. Mercado municipal + 25 de março.

2. Cantos gregorianos no Mosteiro de São Bento (domingo, 10h) + Café Girondino

3. Banespa + Martinelli

4. Masp (terça-feira é de graça) + CCBB + Itaú Cultural + Instituto Moreira Salles + CCSP + Casa das Rosas

5. Parque Ibirapuera

6. Avenida Paulista + Augusta

7. Cantina no Bixiga + Mercearia Santo Antônio na Vila Madalena

8. Liberdade

9. Feira na Praça Benedito Calixto (sábado) + Gibiteria

10. Fnac + Livraria Cultura + Parque Trianon

11. Um grande talvez: Top Shop (Shopping JK Iguatemi ou Iguatemi), porque todos somos um pouco consumistas.

12. Outro talvez, apenas se as pessoas envolvidas puderem (leia-se: minha irmã e meu cunhado): viagem de um dia (vulgo: daytrip) para o litoral.

O site da prefeitura de São Paulo é excelente para ideias de passeios. Tirei muita coisa daqui e daqui. TÔ MUITO EMPOLGADA COM ESSA VIAGEM!

E já tô vendo que não vou fazer nem 1/3 da lista.

brighton

Desde a última vez que escrevi aqui no blog, muita coisa aconteceu. Fiz meu Speaking e Written test do CAE. Parece que receberemos o resultado em agosto. A prova foi mais difícil do que esperávamos, mas enfim… Paciência. Está feito, agora é esperar pelo resultado. No mesmo dia fomos para a casa do nosso colega de sala japonês que fez Okonomiyaki e Yakissoba para a rapaziada. Foi muito bom. Na sexta-feira fui para Greenwich. Acho que esse é o meu parque preferido em Londres. Fomos eu, meu amigo brasileiro e minha amiga suíça, almoçamos juntos depois, demos um rolê. À noite foi a despedida geral da rapeize no Porterhouse, em Covent Garden. Sábado fui para Primrose Hill de manhã para me despedir da cidade e de um dos meus amigos, depois fomos para uma festa na casa de uma amiga e esse foi o último adeus de verdade. Foi bem triste na volta para casa, cada um descendo na sua estação, com a certeza que não nos veríamos por muito tempo. Talvez até nunca mais nos veríamos. Sendo que por três meses nos víamos todos os dias, dividíamos tudo com os outros e, mesmo sendo tão diferentes, acabamos ficando muito próximos. Dá um aperto no coração ter deixado certas pessoas para trás.

Quando deixei meus amigos aqui no Brasil, eu tinha a certeza de que os veria de novo. Mas com essas pessoas é diferente. Me despedi da minha host mom e do meu host father e eu não conseguia parar de chorar. Até que a minha host mom falou: “Vai dormir porque senão daqui a pouco eu choro também. Tchau!”. E essa foi a última vez que eu os vi. Acordei de madrugada, minha roommate ouviu o movimento no meu quarto e veio saber o que era. Ela não sabia que eu ia embora. Daí nos despedimos. Peguei meu táxi, fui para Heathrow, tive problemas com o excesso de bagagem, mas que foi resolvido. Depois me pararam na segurança. Normal. E depois… Depois foi isso. Fiz a conexão em Lisboa e 13 horas depois, o avião aterrissou no aeroporto de Confins. E eu abri o berreiro, porque… Bem, era real. Eu tinha voltado. E voltei com tudo acontecendo ao mesmo tempo no Brasil. Confesso que estou meio atordoada, querendo ver meus amigos, confusa com as manifestações, pensando o que vai ser daqui para frente.

PUTA QUE PARIU, eu volto para o Brasil em 10 dias. Desculpem-me se eu não respondi algum e-mail que vocês mandaram, ou não respondi comentário, ou ainda não respondi uma dúvida, mas as coisas estão meio corridas. Nesse fim de semana fui para Berlin, mas aconteceu tanta coisa que eu não sei nem como começar o relato. Nesse sábado farei meu Speaking Test do CAE e quarta-feira que vem será o Written test. Depois preciso comprar os presentes, fazer as malas, visitar vários lugares que ainda não fui, encontrar meus amigos daqui… Mé, só de falar isso tudo já bate uma depressãozinha.

As pessoas me perguntam se eu sinto falta da minha casa, se eu estou ansiosa para voltar para o Brasil. Olha, eu sinto saudade da minha família e dos meus amigos e estou curiosa para saber como será minha vida pós-Londres, mas não estou louca de vontades de voltar não. Parece que agora eu estou vivendo aqui mesmo e não mais como uma turista. Agora eu já sei qual vagão eu devo entrar no metrô para cair na saída certinha da minha estação, sei andar pelas ruas de certas áreas sem me perder… Dá um pouquinho de dó deixar isso para trás. Conheci muita gente legal aqui que eu vou sentir pena de deixar para trás e que, muito provavelmente, eu nunca mais verei. A vida continua. Alguns vão continuar em Londres, outros voltam para suas vidas em seus países como eu farei. Na Suíça, na Coréia, na Espanha, no Japão. No final da minha viagem para Amsterdam, perguntei para a Saudi se ela tinha Facebook para mantermos contato. Ela disse que não. Não pedi telefone, porque eu não ligaria para ela do outro lado do mundo. Por e-mail nós provavelmente não manteríamos contato. Disse para ela que era engraçado termos passado dois dias inteiros dividindo tudo, ela rezando perto de mim, dormindo no mesmo cômodo, fazendo todas as refeições juntas, mijando na mesma privada, contando coisas pessoais a outra e depois nunca mais nos veríamos na vida. Não é assim com tudo, minha gente?

Minha cabeça foi feita para entender que eu ficaria aqui por três meses e é isso. Não fico reclamando, ou cogitando a hipótese de ficar aqui por mais uns dias. Não. Dia 16 de junho eu embarco e 12 horas depois estarei no Brasil. Essa é a realidade. Mas eu já estou pensando se voltarei para aqui em diferentes circunstâncias. Quando voltar para casa terei que tomar certas decisões, resolver pendências, fechar alguns ciclos.

Uma coisa que eu percebo em intercambistas é que eles acham que viver em outro país é como se fosse um parênteses na vida. E não é. É tudo parte da mesma coisa. Você chega aqui com os mesmos problemas que tinha no seu país de origem, as mesmas limitações, os mesmos medos, só que aqui tudo se amplifica, pelo menos no início. Adoecer pela primeira vez fora do seu país e da sua casa é 10 vezes pior. Sair com pessoas diferentes para um lugar completamente novo é muito mais energizante. E são nessas situações-limite que o que nós realmente somos aparece com total força. É só nas situações de risco que nós realmente mostramos a nossa cara. Deve ser por isso que nos amadurecemos com mais rapidez nesse tipo de viagem. Eu mudei para caralho aqui em Londres. E tenho certeza que eu não tenho consciência de nem 1/10 dessas mudanças.

Enfim, isso tudo para dizer que eu preciso voltar a estudar para a prova e que em breve posto o que fiz na Alemanha.

No dia seguinte (domingo), todos acordamos cedo, tomamos café da manhã e fomos para Zaanse SchansE o que seria esse lugar? É tipo um vilarejo bem pertinho de Amsterdam, onde eles preservam algumas casas histórias, moinhos e tudo que caracteriza a Holanda, em suma. Quando chegamos lá, fomos direto para uma das casinhas em que mostraram para gente como se fabrica aquele tamanco de madeira. Depois fomos para outra casinha em que mostraram como se produz o queijo Gouda. Comemos queijo, claro. Lá na lojinha você compra queijo Gouda de tudo quanto é tipo. Depois sobrou um tempo livre e dei uma volta pelos moinhos (você pode subir em um deles), andei pela vizinhança que é uma gracinha, toda florida agora na primavera. Uma fofura. Lá tem várias lojinhas de presente também, restaurantes, pousadas. Muito agradável. Você reparou que estou falando tudo no diminutivo, né? É só para mostrar quão fófis é o lugar. Não deu tempo de irmos ao museu, o Zaans Museum.

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