Quando eu gosto muito de alguma coisa, fico tentando convencer as pessoas ao meu redor para conhecerem aquilo também. Todo mundo é assim, né. Quando fazem o mesmo comigo, pouquíssimas vezes eu compro a ideia que a pessoa está me vendendo na hora e leio, assisto, escuto o que quer que seja que a pessoa está me recomendando. Na maioria das vezes eu ignoro, mesmo que aquilo me pareça interessante. Porque eu sou preguiçosa, porque já tenho as minhas coisas que eu gosto e começar a ler, assistir e escutar aquilo ali vai demandar mais trabalho. E pode ser que eu nem goste tanto assim, né. Então, é por isso que eu vou tentar te convencer bem convencidamente que Louie é a melhor série que eu já assisti.

Semana passada foi ao ar o último episódio da quarta temporada de Louie. E olha, que baita temporada. O Louis CK pediu um tempo depois de terminar a terceira temporada em 2012, porque, né, ninguém é uma máquina de ideias e ele precisava de um tempo para criar algo de valor na quarta temporada. Isso gerou uma expectativa por parte dos fãs e o Louis conseguiu cumprir as expectativas da galera. Sabe aquele povo idiota que fala que Dostoiévski é Literatura, com L maiúsculo? Que Bergman é Cinema? Então Louie é Televisão.

O que tivemos no final da terceira temporada? David Lynch em dois episódios e Louie indo para a China numa viagem bizarra. Depois desse season finale, pensamos: como esse filho da puta vai conseguir dar continuidade nessa história de China e o fracasso do teste para apresentador do Late Show? Simples. Ele não deu continuidade. Boom! Começou a quarta temporada com um Louie no apartamento antigo dele (lembra que ele tinha comprado aquela brownstone?), simplesmente ignorando que ele era um comediante de sucesso que foi cogitado a ser apresentador de tevê, voltando para os dias dele de comediante de bar. Continuidade é para os fracos. Em vários momentos da série, o Louis mudou as atrizes que são as filhas dele, que é a mulher dele, mudou o número de irmãos, o tio mafioso dele em temporadas anteriores virou o pai dele. Pois eu acho isso muito do doido. Mas não mudou tudo. Pamela continua sendo a paixonite dele e aquela história dela ter se mudado persistiu.

(Meu post era para convencer pessoas que não assistem Louie a começar a assistir a série, mas como você percebeu, eu comecei a tratar de coisas que só gente que assiste a série vai entender. Desculpa. Enfim, mais um motivo para você assistir a série e se inteirar dos fatos.)

Diferente das outras três primeiras temporadas (exceto pela tríade de episódios do Late Show + David Lynch) que eram de episódios isolados, com histórias desconexas, a quarta temporada tem várias histórias que se desenrolam em mais de um episódio. Detalhe importante: nessa nova temporada, em cada segunda-feira, o Louis soltou dois episódios por vez. Às vezes eles eram relacionados, às vezes não. A maior história dessa temporada se chama “The elevator”, composta por seis partes. O que acontece nessa história? Louis salva uma velha húngara que mora no prédio dele no elevador que travou e, para ajudar a velha, foi buscar um remédio que estava no apartamento dela. Chegando no tal apartamento, ele encontra a sobrinha da velha, que é húngara e não fala um pingo de inglês. Ele se apaixona por essa moça, que volta para a Hungria em um mês. Tem todo um problema de comunicação entre os dois e como eles lidam com isso é realmente lindo.

“The elevator”

No meio disso tudo, tem o furacão Sandy, as brigas com a ex-mulher dele e a filha dele mais nova que dá uma surtada. Essa temporada, apesar de certos episódios serem desconexos, como “So did the fat lady” (que deu o maior bafafá), “Model” e “Back”, é possível compreender que aquilo apresenta certa noção de continuidade. Por exemplo, o médico que ele conhece no episódio “Back” reaparece várias vezes como se fosse um profeta, que detém uma verdade do mundo e que é amigo de um cachorro de três patas. E nessa temporada, querendo ou não, o Louie está em busca de um amor (óun). Não é óbvia a noção de continuidade ou linearidade, até porque não existe continuidade e linearidade. A gente que inventa essas coisas para gerar a nossa própria história, e damos relações de causa e consequência que não existem. Acho que a estrutura da série do Louie é bem essa. Coisas acontecem na vida da pessoa em um certo espaço de tempo. Ponto.

Outra coisa que é bem notável nessa temporada é que tem menos piadas. Ele reduziu bem aqueles momentos que ele aparece no Comedy Cellar, fazendo o stand-up e quase que os momentos de comédia se reduzem a isso. Na verdade, todos os episódios são meio melancólicos. O duo de episódios que ele conta da adolescência dele, quando ele viveu a fase maconha, os seis episódios do elevador e aquela cena incrível dele correndo atrás da modelo, logo no inicinho da temporada. Dá uma dorzinha no peito. Porque é bonito, porque aquilo poderia ser visto no cinema. Na verdade, mesmo nas outras temporadas, Louie não é engraçado de um jeito convencional, do jeito que as pessoas riem quando assistem Friends, ou The big bang theory. É engraçado de um jeito que você ri do que está acontecendo e você olha para o lado para saber se é certo rir daquilo. Ou então a cena não tem nada de engraçado, e você ri mesmo assim. Ou simplesmente causa um estranhamento que você não sabe bem como reagir e acaba rindo, ou não também. E olha, o que o Louie sabe fazer muito bem são cenas constrangedoras. Louie, na real, nem é comédia na maioria das vezes, apesar dele ser comediante.

“Model”

E olha, nem vou comentar o season finale com a Pamela, a melhor personagem, para não estragar. Vai só uma imagem.

“Pamela”

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Então que eu dei uma sumida. Então que completou um ano que eu fui para Londres e há exatamente um ano atrás eu deveria estar jantando algum prato enorme de comida na minha casinha em St. John’s Wood. Então que eu estou feliz com alguém.  Então que eu estou supostamente no meu último período na Letras.

Hoje, tomando um chá com uma colega de Letras, que também está no último período, ela me perguntou porque eu não escrevia mais no blog. Disse que escrevia mais em Londres porque tinha mais coisas para contar. O que é uma grande mentira porque várias coisas estão acontecendo comigo nos últimos dias e meses. Talvez o terror desse semestre seja a monografia. Não sei se quero falar sobre isso no blog, sobre o processo de fazer esse trabalho, mas adianto que está sendo meio penoso, com algumas oscilações. (edit. Como você deve ter percebido pelo tamanho do texto, eu acabo falando, sim.) Hoje, por exemplo, estou me sentindo relativamente confiante e sigo com as minhas leituras, tentando arquitetar como será a escrita etc.

Conversando com uma amiga que está fazendo intercâmbio na França por Skype, ela me disse que a nossa área é muito ingrata. Estudar literatura é meio sofrido, porque você está sempre precisando passar por cima do seu ego. Teorizar em literatura depende muito do seu olhar. As pessoas dizem que você pode escrever sobre qualquer coisa – e pode mesmo, se fizer sentido. Mas aquilo tudo recai sobre você, porque é o seu olhar sobre o texto, a sua opinião que modelará a estrutura do seu trabalho. Lembro que no meu primeiro período da Letras, lia os textos teóricos em Teoria da Literatura I e aquilo tudo me parecia muito sobre o que eu penso sobre a vida, como eu enxergo o mundo. Então, escrever uma monografia sobre literatura é sempre uma questão pessoal, o que é ótimo, mas pode ser a ruína também.

Escrever uma monografia não é só escrever uma monografia. Você aprende muitas coisas junto com o fazer desse trabalho. O que eu estou aprendendo a passos lentos e que está travando que eu avance na escrita, é acreditar mais no meu trabalho. Acreditar que o que eu estou escrevendo e pesquisando tem valor para mim e para os outros que lerão. Eu tenho problemas em acreditar em mim mesma e acho tudo que eu faço horrível. Instintivamente, eu me recolho, não escrevo para não ter que enviar nada para o meu orientador e ser avaliada. Daí o tempo vai passando, não consigo pedir ajuda e vira aquele bololô todo. É tão grave o negócio que eu acho que meus questionamentos são idiotas demais a serem dirigidos para meu orientador. Enfim, devagar estou conseguindo mudar isso, como disse antes. O problema que isso tudo é muito meu. Eu me lembro de reclamar dessas mesmas coisas desde 2011, sempre penando, sempre fugindo, fingindo que não dava importância pra uma das coisas que eu mais me importo.

Hoje, por exemplo, li um texto que me deu uma alegria tão grande, porque aprendi tanta coisa e se encaixa tão bem com o que eu precisava estudar. São nessas horas que a gente vê que vale a pena e eu sei que é isso que eu gosto de fazer. Mas às vezes esses momentos são rarefeitos e é muito fácil esquecer qual é o propósito disso tudo e a gente se pergunta: o que eu estou fazendo com a minha vida?

É muito difícil se manter motivado, especialmente numa área que não tem motivação exterior nenhuma. Outra coisa que tem me chateado muito é que estou fazendo a última disciplina para me formar, toda baseada em seminários e eu simplesmente caí no pior grupo que eu poderia ter caído. Gente que falta à apresentação em grupo, gente que manda a parte escrita do trabalho no dia que deve entregá-lo e só seis linhas escritas. É nesse nível. Posso dizer que estou fechando o ciclo de cumprir créditos com uma cereja em cima de um bolo de chorume.

Bom, mas vamos lá, né. Segue o baile.

Dia 05 – 03/01.

Dia meio besta. Acordamos. Sensação térmica do inferno. Assisti um episódio ruim de Downton Abbey. Tentamos tomar coragem para sair na rua. Saímos apenas à noite. Shopping JK, Top Shop. Carérrimo. Jamais voltarei. Restaurante Templo da Carne no Bixiga, bisteca do contra-filé com arroz biro-biro. Nham.

Dia 06 – 04/01.

Metrô, linha amarela com brilho de Jubilee line com portas de vidro. Encontrei Kiki na estação Faria Lima. MIS, exposição do Kubrick incrível. O iluminado, 2001, Laranja Mecânica. Calor e fome extremos, restaurante hipster lotado, sanduíche no Twin (acho que é esse o nome). Espresso numa casa de chá que esqueci o nome. Passagem rápida pela feira na Benedito Calixto. Gibiteria, Lola, Fun Home. Caminhada até a estação. Casa, jantar.

Dia 01 – 30/12.

Acabei de arrumar a mala como se estivesse em um filme do Wes Anderson. Procurei horários do ônibus. Verifiquei umas cinco vezes se não tinha esquecido nada. Fui pegar ônibus perto de casa. O ônibus atrasou. Desci na Praça Sete. Caminhei até a rodoviária. Peguei o conexão aeroporto. Cheguei no aeroporto. Fiz check-in. Comi pão de queijo com chá gelado por R$10,00. Sala de embarque, pela primeira vez passei pelo detector de metais sem que apitasse, avião. Lembrei-me das viagens que eu fiz no início do ano e a sensação de liberdade. Li revista do avião, fiquei olhando pela janela, pro céu muito azul de verão. Cheguei no aeroporto, demorei a pegar a bagagem. Minha irmã e meu cunhado me buscaram. Fomos para a Liberdade. Entramos em algumas lojas de artesanato: xícaras, gatos, facas, budas, pauzinho de tirar cera da orelha. Comprei esmaltes na Ikezaki. Comprei chás na Casa Bueno. Comi tempura de camarão numa barraquinha de rua. Fomos para casa descansar. Fomos para o Bixiga, procuramos por uma cantina que não tinha música ao vivo – sem sucesso. Comemos nhoque à bolonhesa em uma cantina com música ao vivo. Casa.

DIa 02 – 31/12.

Fomos para a casa da vó do meu cunhado. Família inteira reunida. Mulheres cozinhando o dia inteiro. Muita fartura. Dormi. Assisti Friends. Conversei com a vó por muito tempo. Conversei com a mãe dele por um tempo. Pessoas carinhosas e boas anfitriãs. Crianças fofas. Ternura. Passagem de ano. Cidra. Lentilha. Três desejos. Papai Noel virou estrela.

Dia 03 – 01/01.

De novo para a casa da vó. Churrasco. Resto da ceia. Muita fartura, de novo. Muita ternura, de novo.

Dia 04 – 02/01.

Trem. Metrô. Adoro transporte coletivo que dá certo. 25 de março. Andamos um quarteirão, entramos em algumas lojas. Sol quente. Cansaço extremo. McDonald’s, calor dos infernos. Arrependimento. Mercado Municipal fechado. Avenida Paulista. Calor extremo. Livraria Cultura, comprei livros. Frappuccino no Starbucks. Fnac, decepção porque os quadrinhos não estavam em promoção. Comprei guia turístico para Buenos Aires. Tanta coisa que não sabia o que escolher. Procurando biquini para uma provável viagem no dia seguinte. Desisti do biquini. Desistimos da viagem. Casa, jantar gostoso.

Com a intenção de visitar a minha irmã e seu respectivo que se casaram recentemente e estão de casa nova, passarei o ano novo com os dois na casa da família dele. Quero também me desdobrar nesse tempinho para me encontrar com um punhado de amigos queridos que fiz por aquelas bandas e conhecer uma amiga gaúcha que, provavelmente, vai para a cidade nesses dias. E, claro, conhecer um pouco mais dessa cidade. Ficarei por lá do dia 30/12 a 06/01 e, talvez, dois dias a mais porque me esqueci que meu cunhado faz aniversário nesses dias e vacilei na hora de comprar a passagem.

Seguem as ideias de passeio que eu planejei. Às pessoas que encontrarei por lá: se vocês puderem servir de guia turístico em alguns desses passeios, escolham o que vocês acham agradáveis e gostariam de fazer comigo. E, claro, adicionem algo mais à lista.

1. Mercado municipal + 25 de março.

2. Cantos gregorianos no Mosteiro de São Bento (domingo, 10h) + Café Girondino

3. Banespa + Martinelli

4. Masp (terça-feira é de graça) + CCBB + Itaú Cultural + Instituto Moreira Salles + CCSP + Casa das Rosas

5. Parque Ibirapuera

6. Avenida Paulista + Augusta

7. Cantina no Bixiga + Mercearia Santo Antônio na Vila Madalena

8. Liberdade

9. Feira na Praça Benedito Calixto (sábado) + Gibiteria

10. Fnac + Livraria Cultura + Parque Trianon

11. Um grande talvez: Top Shop (Shopping JK Iguatemi ou Iguatemi), porque todos somos um pouco consumistas.

12. Outro talvez, apenas se as pessoas envolvidas puderem (leia-se: minha irmã e meu cunhado): viagem de um dia (vulgo: daytrip) para o litoral.

O site da prefeitura de São Paulo é excelente para ideias de passeios. Tirei muita coisa daqui e daqui. TÔ MUITO EMPOLGADA COM ESSA VIAGEM!

E já tô vendo que não vou fazer nem 1/3 da lista.

Não sei se é porque nos últimos tempos não tenho saído muito, nem tenho assistido televisão ou entrado na internet, mas nesse ano eu me surpreendi com o clima anti-natalino. Não tenho visto nas casas das pessoas aqueles enfeites e pisca-piscas horrorosos e, quando as pessoas colocam, saem bem pobrezinhos, parece que foram colocados na preguiça/obrigação. Não tenho visto também um movimento nas lojas muito diferente, nem anúncios enormes de Natal. As pessoas nas ruas não tem falado em Natal, não tem desejado Feliz Natal aos outros… Isso realmente está acontecendo ou sou eu que estou percebendo isso? Perguntei para um amigo e ele concordou comigo, esse ano o Natal está rarefeito. Lembro que no ano passado estava assim também, mas na última hora todo mundo vestiu a camisa (odeio essa expressão) do Natal e tudo bem. Parece que as pessoas estão vivendo uma desesperança generalizada, como se esse dia fosse como outro qualquer.

natal

Finalmente.

Chega dezembro e a gente se sente mais ou menos na obrigação de escrever alguma coisa, fazer listas, relembrar o que aconteceu durante o ano. Nesse exato momento estou terminando o meu último trabalho desse semestre e terminando de revisar outro que já está pronto. Quero entrar de férias logo para ver se pego firme na minha monografia. Espero que quando as aulas recomeçarem, em fevereiro, eu já tenha produzido um bocado e já tenha um pedaço dela escrita.

Nesse exato momento também estou encaixotando minha casa toda porque estamos de mudança para a cidade ao lado. Vai facilitar bastante para mim em questão de ir para a faculdade e para o trabalho, mas por outro lado também ficarei longe da casa do meu pai. Me deu uma tristezinha ontem quando ele me ajudou a comprar os plásticos-bolha e as fitas e me deixou em casa. Tudo bem que ainda vamos morar muito perto, mas não tanto quanto agora, que vou a pé pra casa dele. Só fiz mudança duas vezes na vida e as duas foram bem traumáticas. Espero que não seja assim dessa vez.

O início desse ano foi de reposição da greve dos professores na faculdade, chuva e de muita tristeza. Em janeiro, minha perspectiva para 2013 era a pior possível e que bom que eu estava enganada. Fevereiro foi o mês da espera e de me preparar para a viagem. De março até junho vocês sabem bem o que aconteceu. Fui morar em Londres, estudar inglês. Os melhores três meses que eu poderia ter. Conheci pessoas sensacionais, conheci lugares incríveis e fui para a cidade que eu imaginei levar muito e muito tempo ainda para conhecer. De quebra ainda conheci Edimburgo, Liverpool, Oxford, Brighton, Berlim, e Amsterdam.

Voltei para casa e meu julho foi parecido com fevereiro. Não fiz nada, fiquei tentando me readaptar, me achando burra, com medo de voltar à tristeza do início do ano. Por causa das manifestações, houve desencontros com os meus amigos e fiquei ilhada em casa. Em agosto voltei à faculdade e esse semestre foi de muitas descobertas para mim. Aprendi um pouquinho de grego antigo, finalmente entendi o que eu quero para mim profissionalmente e tomei coragem de perseguir isso. Ainda tenho umas recaídas, de achar que não dou conta, que nada vai dar certo, mas na maioria do tempo consigo vislumbrar coisas mais positivas e consigo me ver tendo sucesso no que eu quero. Tenho que aprender a ter mais paciência comigo mesma e não levar tudo a ferro e fogo. No meio desse tempo pessoas foram embora para outro país, para outro estado ou ficaram no mesmo lugar e partiram mesmo assim; pessoas novas apareceram; pessoas que sempre estiveram lá reapareceram e segue o baile.

Estou satisfeita com esse ano. Apesar de algumas coisas ruins, o saldo é definitivamente positivo. Já estou cheia de planos para 2014.