Nessa semana fiz uma enquete no Facebook para saber dos cafés que as pessoas mais gostam de Belo Horizonte, levando em consideração os quesitos sabor delícia e ambiente agradável. Não há ordem aqui de melhores ou piores. Estou apenas colocando em formato de lista os cafés que as pessoas citaram no Facebook ou que as pessoas sugeriram na vida. Depois das várias sugestões, quero visitar ou retornar a essas cafeterias e depois escrevo algum review aqui no bloguinho sobre cada lugar, colocando também as impressões das pessoas que me deram as dicas dos lugares. Obrigada a quem participou. Se alguém tem mais sugestões, escreva nos comentários, purfa.

1. Duo café

Rua Felipe dos Santos, 451, loja 2, Lourdes

10h/19h (fecha sábado e domingo)

2. Café Belas Artes

Rua Gonçalves Dias, 1581, Lourdes

13h30/22h (todos os dias)

3. Café do Sesc Palladium

Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro

14h/21h (terça a sexta); 16h/21h (sábado e domingo)

4. Confeitaria Mole Antonelliana

Av. João Pinheiro, 156, Centro

8h/20h (segunda a sexta); 8h/15h (sábado)

5. Academia do Café

Rua Grão Pará, 1024, Funcionários

10h/19h (sábado até 16h, fecha domingo e feriados)

6. Casa Bonomi

Rua Claudio Manoel, 460, Funcionários

8h/22h30 (segunda. a partir de 12h; domingo até 20h)

7. Café do 104

Praça Ruy Barbosa, 104, Centro

17h/0h (terça a sábado)

8. Café Kahlua

Rua dos Guajajaras, 416, Centro

8h/21h30 (sábado e feriados 10h/21h; fecha domingo)

9. Café do Palácio

Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1537, Centro

9h/0h (todos os dias)

10. Café Nice

Avenida Afonso Pena, 727, Centro

7h/21h (sábado 8h/15h; domingo 9h/13h)

11. Café Frau Bondan

Pátio Savassi

10h/22h (segunda a sábado); 14h/22h (domingo)

12. Café com Letras

Rua Antônio de Albuquerque, 781, Savassi

12h/0h (segunda a quinta); 12h/1h  (sexta e sábado); 13h/23h (domingo).

Centro Cultural Banco do Brasil – Praça da Liberdade, 450

10h às 21h (segunda); 10h/21h (quarta a sexta); 9h/21h (sábado e domingo).

13. Café Biografias

Edifício Maletta – Rua da Bahia, 1148, sobreloja 8, Centro

12h/15h e 17h/0h (sábado 18h/0h; fecha domingo)

14. A pão de queijaria

Rua Antônio de Albuquerque, 856, Savassi

11h30/00h (terça a sábado); 16h/23h (domingo)

Como disse no post anterior, estou estudando para um exame e estou dando aulas de inglês de preparação para outros exames. E preparando e dando essas aulas, percebi como tem coisas que eu ensino e cobro dos meus alunos, que não tenho feito na minha vida. Seguem então algumas dicas para quem quer estudar, seja para um exame, seja para os estudos do dia a dia da faculdade. Tirei essas dicas dos livros que utilizo nas aulas e de alguns sites. Vamos ver se eu também consigo aplicar essas dicas na minha vida.

1. Saber quais são seus pontos fortes.

Você não precisa se dedicar tão detidamente em coisas que você já conhece. Se você tem pouco tempo, melhor se focar nos pontos que têm dificuldade e não no que você já domina. Além disso, saber do que você é capaz, quais são suas facilidades, dão um gás a mais na hora do estudo.

2. Identificar qual é o seu estilo de estudo.

Algumas pessoas são mais visuais e precisam fazer mind maps para estudar; tem gente que precisa de tudo explicadinho nos mínimos detalhes, sem desenhos, sem esquemas, apenas blocos de texto com exemplos e definições; tem gente que precisa ouvir as explicações de uma outra pessoa; tem gente que precisa colocar tudo que está aprendendo em prática. Encontrei esse questionário para que cada um saiba qual é seu modo de estudar: http://www.vark-learn.com/english/page.asp?p=questionnaire

3. Auto-motivação. Como evitar que os estudos fiquem entediantes? Como posso me manter motivado?

Cada um vai encontrar o seu jeito de se manter motivado. Eu, por exemplo, preciso ver que estou trabalhando e seguindo em frente. Em uma folha de papel, eu desenho um calendário e em cada dia tenho que escrever o que fiz, de maneira bem simples. Exemplo: Li um capítulo do livro x; corrigi as redações dos alunos. Isso funciona porque você não quer quebrar seu esquema e se obriga a fazer coisas todos os dias. Ninguém quer ver um quadradinho em branco. Tenho uma amiga que faz um diário de estudo bem descritivo, porque ela vê como começou os estudos e como vai avançando diariamente. A motivação vem, acredito, quando você sente que está caminhando e avançando.

3. Traçar objetivos. O que eu consegui até agora? O que eu preciso atingir? Quais são as prioridades? Como posso dividir meus objetivos a longo prazo em objetivos a curto prazo? Como vou saber que atinge meus objetivos de curto prazo? Como fazer para que meus objetivos não sejam muito difíceis, nem fáceis demais? Meus objetivos são acessíveis?

Você precisa estabelecer uma meta. O que você quer? Passar em uma prova? Fazer um trabalho da faculdade? Escrever um artigo de Iniciação científica? Escrever uma monografia? Escrever um projeto? Tudo parece muito inalcançável se você pensa nesses termos: Preciso escrever minha monografia inteira. Você não consegue nem visualizar como começar, qual é o ponto de partida e o que fazer depois.

Então, depois de estabelecer o seu principal objetivo e saber qual é o prazo final para você fazer isso, você precisa estabelecer subdivisões de objetivos alcançáveis. Alcançáveis, eu repito. Não adianta você se obrigar a ler um livro inteiro em um dia porque isso é impossível e você só ficará mais e mais frustrado porque não conseguiu cumprir sua meta diária. Eu ainda tenho problemas para conseguir marcar o que eu dou conta ou não de fazer. Tem gente que faz cronogramas semanais, tem gente que faz um cronograma a cada dia. Para mim, tenho percebido que eu preciso estabelecer o que fazer apenas na hora. E o que funciona mesmo é o tal do calendário motivacional. E, de tempos em tempos, faço um balanço do que já fiz, do quanto ainda falta para fazer e de quanto tempo eu tenho. Talvez eu precise bolar algo mais sistemático.

De qualquer maneira, é muito mais tranquilo marcar que hoje você tem que ler um artigo, do que você se repetir que deve escrever uma monografia inteira. Portanto, saiba quais são os passos para atingir o objetivo maior e seja proativo. Faça todo dia um pouquinho para não perder o ritmo. E pense sempre no presente: o que eu tenho que fazer hoje, ao invés de pensar no objetivo final, que está lá na frente no futuro.

4. Planejar um cronograma de estudos.

Na nossa vida, nós não temos todo o tempo disponível apenas para alcançar esse objetivo maior. Trabalhamos, estudamos, cuidamos da casa, temos amigos, namorados, precisamos descansar. Precisamos, forçosamente, encaixar os estudos na rotina diária. Então, precisamos estabelecer um cronograma diário, semanal, mensal. Faça um calendário da semana e marque quais são os horários que você pode estudar. E realmente estude nesses horários. Você verá como as horas do seu dia vão se multiplicar quando conseguir registrar quais são seus horários livres e seus compromissos fixos. Lembre-se sempre de reservar tempo para diversão e descanso.

5. Avaliar seu progresso nos estudos. Como eu posso me mostrar que estou aprendendo algo?

Semanalmente, pare um pouquinho e olhe o quanto você já progrediu. Você pode ver isso facilmente se fizer um calendário ou um diário de estudo. Você pode fazer uma lista de textos lidos e não lidos. Qualquer coisa que te mostre efetivamente o que tem sido feito e o que ainda há por fazer. Dê-se um tapinha no ombro, um prêmio. Tem gente que funciona com prêmios, né. Você pode se dar um sapato, uma refeição em um restaurante que gosta depois que alcançar um objetivo mais difícil. Qualquer coisa que te motive.

6. Criar um ambiente de estudos. Que momento do dia eu me sinto mais animado para estudar? Como eu lido com distrações? Como criar um ambiente ideal para o meu estilo de estudo? 

Isso é bastante pessoal. Por exemplo, eu funciono melhor na parte da manhã. Depois do almoço consigo fazer coisas que não exigem tanto de mim e à noite não tenho concentração de estudo. Não consigo também estudar em casa. Me distraio facilmente, minha casa é bem escura e minha rua é muito barulhenta. Ou seja, funciono melhor em bibliotecas. Eu não lido bem com distrações também. Se fizer um barulhinho do meu lado, eu já fico louca. Então preciso ir para a área mais isolada da biblioteca.

Tem gente que não é assim. Tem gente que só consegue estudar em casa, porque se sente mais relaxado. Tem gente que precisa de algum barulhinho de fundo para se manter acordado. Tem gente que precisa estudar sempre conversando. Tem gente que precisa intercalar os estudos com outras leituras aleatórias. Você é quem sabe qual é seu estilo.

7. No mais, dormir bem, comer bem, exercitar-se.

É impressionante como coisas tão bobas e prosaicas como essas dão um bem estar sem tamanho para a pessoa – ainda que eu não consegui cumprir a parte do exercício físico até o presente momento. Vejo gente na faculdade virando a noite fazendo trabalho. Ou essas pessoas são muito ocupadas ou ainda mais desorganizadas que eu. Porque não tem lógica para mim perder uma noite de sono preciosa para fazer o trabalho que você já deveria ter feito.

E vocês, tem alguma dica para estudar bem? Se eu souber de mais alguma coisa nova, escrevo por aqui.

Sabe quando não nos suportamos de tão chatos que ficamos para nós mesmos e para o mundo? Eu estou assim nessa semana. Reparei que comecei a me afastar dos meus amigos, da minha família e só tirava meu pijama para ir trabalhar. Investiguei qual era a causa dessa mistura de letargia, mau humor, apatia. Resultado: a minha vida está até bem boa nos últimos tempos. Exceto por um problema familiar nesses dias bem chato, está tudo bem tranquilo. Defendi minha monografia, vou colar grau e espero tentar o mestrado nesse ano. Oh wait. Tentar mestrado? Tranquilo? Hm.

Desde que saiu o edital para tentar o mestrado não consegui nem encostar nos livros ainda. Tudo bem que levei um tempinho para pôr as mãos em todos os textos, mas vá lá… Já tem uns dias que eu estou com quase todos os textos em mãos. E por que não tenho conseguido estudar? Cagaço? Sim, obviamente, mas acho que o maior problema mesmo é a falta de organização nessa minha vidinha de pós-formatura.

Digitando esse texto e olhando ao meu redor, meu quarto é o espelho dessa confusão, falta de organização, praticidade e estratégia para conseguir fazer qualquer coisa, especialmente estudar para uma prova de seleção.

Nesse semestre, no curso de inglês, vou dar dois cursos preparatórios de exame e, preparando as aulas, vi que eu estava ensinando coisas que eu mesma não estava fazendo com o meu exame. Estabelecer metas, montar cronogramas, ver como eu estava prosseguindo em cada fase dos estudos: nada disso está sendo feito. E a desordem se estende para outros lados da vida: não sei para onde meu dinheiro está indo, acordo 10 horas da manhã todos os dias e durmo 1h da manhã porque fico assistindo filme no netflix, passo horas e horas no facebook. Sério que isso é rotina de quem está estudando para uma prova? Melhor, sério que isso é rotina de adulto? Então, resolvi tomar vergonha na cara. Parar de ser um bolo de chorume humano. Fazer as coisas que eu realmente quero fazer, aproveitar meu horário livre com coisas realmente válidas.

Por isso queria saber de vocês: o que vocês fazem para organizar a vida? Como aproveitar bem o tempo? Como alcançar as metas que vocês se propõem? E, principalmente, como estudar para exames?

Quando eu gosto muito de alguma coisa, fico tentando convencer as pessoas ao meu redor para conhecerem aquilo também. Todo mundo é assim, né. Quando fazem o mesmo comigo, pouquíssimas vezes eu compro a ideia que a pessoa está me vendendo na hora e leio, assisto, escuto o que quer que seja que a pessoa está me recomendando. Na maioria das vezes eu ignoro, mesmo que aquilo me pareça interessante. Porque eu sou preguiçosa, porque já tenho as minhas coisas que eu gosto e começar a ler, assistir e escutar aquilo ali vai demandar mais trabalho. E pode ser que eu nem goste tanto assim, né. Então, é por isso que eu vou tentar te convencer bem convencidamente que Louie é a melhor série que eu já assisti.

Semana passada foi ao ar o último episódio da quarta temporada de Louie. E olha, que baita temporada. O Louis CK pediu um tempo depois de terminar a terceira temporada em 2012, porque, né, ninguém é uma máquina de ideias e ele precisava de um tempo para criar algo de valor na quarta temporada. Isso gerou uma expectativa por parte dos fãs e o Louis conseguiu cumprir as expectativas da galera. Sabe aquele povo idiota que fala que Dostoiévski é Literatura, com L maiúsculo? Que Bergman é Cinema? Então Louie é Televisão.

O que tivemos no final da terceira temporada? David Lynch em dois episódios e Louie indo para a China numa viagem bizarra. Depois desse season finale, pensamos: como esse filho da puta vai conseguir dar continuidade nessa história de China e o fracasso do teste para apresentador do Late Show? Simples. Ele não deu continuidade. Boom! Começou a quarta temporada com um Louie no apartamento antigo dele (lembra que ele tinha comprado aquela brownstone?), simplesmente ignorando que ele era um comediante de sucesso que foi cogitado a ser apresentador de tevê, voltando para os dias dele de comediante de bar. Continuidade é para os fracos. Em vários momentos da série, o Louis mudou as atrizes que são as filhas dele, que é a mulher dele, mudou o número de irmãos, o tio mafioso dele em temporadas anteriores virou o pai dele. Pois eu acho isso muito do doido. Mas não mudou tudo. Pamela continua sendo a paixonite dele e aquela história dela ter se mudado persistiu.

(Meu post era para convencer pessoas que não assistem Louie a começar a assistir a série, mas como você percebeu, eu comecei a tratar de coisas que só gente que assiste a série vai entender. Desculpa. Enfim, mais um motivo para você assistir a série e se inteirar dos fatos.)

Diferente das outras três primeiras temporadas (exceto pela tríade de episódios do Late Show + David Lynch) que eram de episódios isolados, com histórias desconexas, a quarta temporada tem várias histórias que se desenrolam em mais de um episódio. Detalhe importante: nessa nova temporada, em cada segunda-feira, o Louis soltou dois episódios por vez. Às vezes eles eram relacionados, às vezes não. A maior história dessa temporada se chama “The elevator”, composta por seis partes. O que acontece nessa história? Louis salva uma velha húngara que mora no prédio dele no elevador que travou e, para ajudar a velha, foi buscar um remédio que estava no apartamento dela. Chegando no tal apartamento, ele encontra a sobrinha da velha, que é húngara e não fala um pingo de inglês. Ele se apaixona por essa moça, que volta para a Hungria em um mês. Tem todo um problema de comunicação entre os dois e como eles lidam com isso é realmente lindo.

“The elevator”

No meio disso tudo, tem o furacão Sandy, as brigas com a ex-mulher dele e a filha dele mais nova que dá uma surtada. Essa temporada, apesar de certos episódios serem desconexos, como “So did the fat lady” (que deu o maior bafafá), “Model” e “Back”, é possível compreender que aquilo apresenta certa noção de continuidade. Por exemplo, o médico que ele conhece no episódio “Back” reaparece várias vezes como se fosse um profeta, que detém uma verdade do mundo e que é amigo de um cachorro de três patas. E nessa temporada, querendo ou não, o Louie está em busca de um amor (óun). Não é óbvia a noção de continuidade ou linearidade, até porque não existe continuidade e linearidade. A gente que inventa essas coisas para gerar a nossa própria história, e damos relações de causa e consequência que não existem. Acho que a estrutura da série do Louie é bem essa. Coisas acontecem na vida da pessoa em um certo espaço de tempo. Ponto.

Outra coisa que é bem notável nessa temporada é que tem menos piadas. Ele reduziu bem aqueles momentos que ele aparece no Comedy Cellar, fazendo o stand-up e quase que os momentos de comédia se reduzem a isso. Na verdade, todos os episódios são meio melancólicos. O duo de episódios que ele conta da adolescência dele, quando ele viveu a fase maconha, os seis episódios do elevador e aquela cena incrível dele correndo atrás da modelo, logo no inicinho da temporada. Dá uma dorzinha no peito. Porque é bonito, porque aquilo poderia ser visto no cinema. Na verdade, mesmo nas outras temporadas, Louie não é engraçado de um jeito convencional, do jeito que as pessoas riem quando assistem Friends, ou The big bang theory. É engraçado de um jeito que você ri do que está acontecendo e você olha para o lado para saber se é certo rir daquilo. Ou então a cena não tem nada de engraçado, e você ri mesmo assim. Ou simplesmente causa um estranhamento que você não sabe bem como reagir e acaba rindo, ou não também. E olha, o que o Louie sabe fazer muito bem são cenas constrangedoras. Louie, na real, nem é comédia na maioria das vezes, apesar dele ser comediante.

“Model”

E olha, nem vou comentar o season finale com a Pamela, a melhor personagem, para não estragar. Vai só uma imagem.

“Pamela”

Então que eu dei uma sumida. Então que completou um ano que eu fui para Londres e há exatamente um ano atrás eu deveria estar jantando algum prato enorme de comida na minha casinha em St. John’s Wood. Então que eu estou feliz com alguém.  Então que eu estou supostamente no meu último período na Letras.

Hoje, tomando um chá com uma colega de Letras, que também está no último período, ela me perguntou porque eu não escrevia mais no blog. Disse que escrevia mais em Londres porque tinha mais coisas para contar. O que é uma grande mentira porque várias coisas estão acontecendo comigo nos últimos dias e meses. Talvez o terror desse semestre seja a monografia. Não sei se quero falar sobre isso no blog, sobre o processo de fazer esse trabalho, mas adianto que está sendo meio penoso, com algumas oscilações. (edit. Como você deve ter percebido pelo tamanho do texto, eu acabo falando, sim.) Hoje, por exemplo, estou me sentindo relativamente confiante e sigo com as minhas leituras, tentando arquitetar como será a escrita etc.

Conversando com uma amiga que está fazendo intercâmbio na França por Skype, ela me disse que a nossa área é muito ingrata. Estudar literatura é meio sofrido, porque você está sempre precisando passar por cima do seu ego. Teorizar em literatura depende muito do seu olhar. As pessoas dizem que você pode escrever sobre qualquer coisa – e pode mesmo, se fizer sentido. Mas aquilo tudo recai sobre você, porque é o seu olhar sobre o texto, a sua opinião que modelará a estrutura do seu trabalho. Lembro que no meu primeiro período da Letras, lia os textos teóricos em Teoria da Literatura I e aquilo tudo me parecia muito sobre o que eu penso sobre a vida, como eu enxergo o mundo. Então, escrever uma monografia sobre literatura é sempre uma questão pessoal, o que é ótimo, mas pode ser a ruína também.

Escrever uma monografia não é só escrever uma monografia. Você aprende muitas coisas junto com o fazer desse trabalho. O que eu estou aprendendo a passos lentos e que está travando que eu avance na escrita, é acreditar mais no meu trabalho. Acreditar que o que eu estou escrevendo e pesquisando tem valor para mim e para os outros que lerão. Eu tenho problemas em acreditar em mim mesma e acho tudo que eu faço horrível. Instintivamente, eu me recolho, não escrevo para não ter que enviar nada para o meu orientador e ser avaliada. Daí o tempo vai passando, não consigo pedir ajuda e vira aquele bololô todo. É tão grave o negócio que eu acho que meus questionamentos são idiotas demais a serem dirigidos para meu orientador. Enfim, devagar estou conseguindo mudar isso, como disse antes. O problema que isso tudo é muito meu. Eu me lembro de reclamar dessas mesmas coisas desde 2011, sempre penando, sempre fugindo, fingindo que não dava importância pra uma das coisas que eu mais me importo.

Hoje, por exemplo, li um texto que me deu uma alegria tão grande, porque aprendi tanta coisa e se encaixa tão bem com o que eu precisava estudar. São nessas horas que a gente vê que vale a pena e eu sei que é isso que eu gosto de fazer. Mas às vezes esses momentos são rarefeitos e é muito fácil esquecer qual é o propósito disso tudo e a gente se pergunta: o que eu estou fazendo com a minha vida?

É muito difícil se manter motivado, especialmente numa área que não tem motivação exterior nenhuma. Outra coisa que tem me chateado muito é que estou fazendo a última disciplina para me formar, toda baseada em seminários e eu simplesmente caí no pior grupo que eu poderia ter caído. Gente que falta à apresentação em grupo, gente que manda a parte escrita do trabalho no dia que deve entregá-lo e só seis linhas escritas. É nesse nível. Posso dizer que estou fechando o ciclo de cumprir créditos com uma cereja em cima de um bolo de chorume.

Bom, mas vamos lá, né. Segue o baile.

Dia 05 – 03/01.

Dia meio besta. Acordamos. Sensação térmica do inferno. Assisti um episódio ruim de Downton Abbey. Tentamos tomar coragem para sair na rua. Saímos apenas à noite. Shopping JK, Top Shop. Carérrimo. Jamais voltarei. Restaurante Templo da Carne no Bixiga, bisteca do contra-filé com arroz biro-biro. Nham.

Dia 06 – 04/01.

Metrô, linha amarela com brilho de Jubilee line com portas de vidro. Encontrei Kiki na estação Faria Lima. MIS, exposição do Kubrick incrível. O iluminado, 2001, Laranja Mecânica. Calor e fome extremos, restaurante hipster lotado, sanduíche no Twin (acho que é esse o nome). Espresso numa casa de chá que esqueci o nome. Passagem rápida pela feira na Benedito Calixto. Gibiteria, Lola, Fun Home. Caminhada até a estação. Casa, jantar.

Dia 01 – 30/12.

Acabei de arrumar a mala como se estivesse em um filme do Wes Anderson. Procurei horários do ônibus. Verifiquei umas cinco vezes se não tinha esquecido nada. Fui pegar ônibus perto de casa. O ônibus atrasou. Desci na Praça Sete. Caminhei até a rodoviária. Peguei o conexão aeroporto. Cheguei no aeroporto. Fiz check-in. Comi pão de queijo com chá gelado por R$10,00. Sala de embarque, pela primeira vez passei pelo detector de metais sem que apitasse, avião. Lembrei-me das viagens que eu fiz no início do ano e a sensação de liberdade. Li revista do avião, fiquei olhando pela janela, pro céu muito azul de verão. Cheguei no aeroporto, demorei a pegar a bagagem. Minha irmã e meu cunhado me buscaram. Fomos para a Liberdade. Entramos em algumas lojas de artesanato: xícaras, gatos, facas, budas, pauzinho de tirar cera da orelha. Comprei esmaltes na Ikezaki. Comprei chás na Casa Bueno. Comi tempura de camarão numa barraquinha de rua. Fomos para casa descansar. Fomos para o Bixiga, procuramos por uma cantina que não tinha música ao vivo – sem sucesso. Comemos nhoque à bolonhesa em uma cantina com música ao vivo. Casa.

DIa 02 – 31/12.

Fomos para a casa da vó do meu cunhado. Família inteira reunida. Mulheres cozinhando o dia inteiro. Muita fartura. Dormi. Assisti Friends. Conversei com a vó por muito tempo. Conversei com a mãe dele por um tempo. Pessoas carinhosas e boas anfitriãs. Crianças fofas. Ternura. Passagem de ano. Cidra. Lentilha. Três desejos. Papai Noel virou estrela.

Dia 03 – 01/01.

De novo para a casa da vó. Churrasco. Resto da ceia. Muita fartura, de novo. Muita ternura, de novo.

Dia 04 – 02/01.

Trem. Metrô. Adoro transporte coletivo que dá certo. 25 de março. Andamos um quarteirão, entramos em algumas lojas. Sol quente. Cansaço extremo. McDonald’s, calor dos infernos. Arrependimento. Mercado Municipal fechado. Avenida Paulista. Calor extremo. Livraria Cultura, comprei livros. Frappuccino no Starbucks. Fnac, decepção porque os quadrinhos não estavam em promoção. Comprei guia turístico para Buenos Aires. Tanta coisa que não sabia o que escolher. Procurando biquini para uma provável viagem no dia seguinte. Desisti do biquini. Desistimos da viagem. Casa, jantar gostoso.