Anteontem me peguei lendo os textos que publiquei nesse blog, meio escondida porque deveria estar fazendo outras coisas, meio confusa com as coisas que li. Confusa porque parece que eu não mudei grandes coisas, as ansiedades ainda são as mesmas, o jeito meio perdido de viver ainda persiste. Ao mesmo tempo, eu também mudei muito. Os meus desejos, as minhas opiniões, o jeito de ver certas coisas no mundo mudaram. Muita coisa eu não lembrava que tinha feito, nem escrito. E vez ou outra eu tive a impressão que eu estava mais bem resolvida há três anos atrás do que agora. Fato é que me deu vontade de voltar a escrever aqui nesse espaço para daqui uns três anos eu me pegar relendo meus textos, sentindo outra confusão, estranhando a minha própria imagem.

Enquanto Mistress America e While we’re young não saem, vamos acabar com essa maratona Noah Baumbach que já está quase no fim. Assisti ontem o Highball e: o que tenho a dizer? Não é um dos melhores, mas ainda assim é bom porque é filme do Noah Baumbach.

O filme acontece em um único lugar, o apartamento no Brooklyn de Travis (Christopher Reed) e Diane (Lauren Katz), um casal recém-casado. Eles querem pagar de adultos, então dão uma festa para inaugurar o apartamento e essa nova fase de suas vidas. Travis diz que a festa é para comemorar o aniversário de Felix (Carlos Jacott), uma pessoa que todos detestam, exceto Travis. O Felix é realmente um filho da puta detestável, mas a gente acaba se afeiçoando por ele, principalmente no final quando ele canta no karaokê. Travis é um retardado infantil e Diane quer pagar de adulta; porém, ela é tão imatura quanto o marido e, obviamente, a festinha acaba dando bem errado. Depois disso são mostradas outras duas festas, Halloween e o Ano Novo. Outros personagens reaparecem nessas festas, que são o núcleo principal de amizade, mas sempre aparecem outros convidados aleatórios: gente famosa, vizinhos etc. Atenção ao Noah Baumbach atuando; ao Chris Eigeman aparecendo como Fletcher: já falei como adoro esse cara no primeiro filme do Baumbach e em vários outros do Whit Stillman, né? Atenção ao mágico Don (Dean Cameron) que aparece na primeira festa. Atenção ao Miles (John Lehr) insuportável, porém brilhante. Atenção às cores das paredes, azuis e insuportavelmente festivas, contrastando com as coisas absurdas que acontecem no apartamento.

vlcsnap-2014-12-09-12h43m35s2 vlcsnap-2014-12-09-12h45m01s124 vlcsnap-2014-12-09-12h45m49s115

uma peça de teatro imperdívelamores surdos, do grupo espanca, de 24/09 a 06/10, no ccbb

um filme bom – meteora, em cartaz apenas no cinema belas artes

um pão de queijo recheado delicioso – a pão de queijaria, na rua antônio de albuquerque, 856, savassi

um programa de tv obrigatório – cozinha prática, da rita lobo. especialmente o episódio das marmitas.

uma peça imperdível – aqueles dois, da cia luna lunera, em cartaz no teatro joão ceschiatti, até o dia 12 de outubro

um bar na savassi com música boa, comida delícia, bons cocktail e decoração cuti-cuti – bombshell, na rua sergipe

um filme no netflix – little children

outro filme no netflix – die welle

mais um – mary and max

uma pizza – surpreendente 2008, no pizza sur

Domingo lancei uma enquete no Facebook pedindo sugestões de filmes que falassem de comida, ou de chefs, ou de pessoas que cozinham. Segue então a lista criada por um punhado de pessoas fofas – obrigada, gente! Vou colocar os títulos originais para ficar mais fácil de encontrar nas internets, caso alguém queira baixar ou pesquisar mais sobre.

bônus: my blueberry nights, wong kar wai, 2007

1. Ratatouille, Brad Bird & Jan Pinkava, 2007.

2. Tampopo, Jûzô Itami, 1985.

3. The cook, the thief, his wife, and her lover, Peter Greenaway, 1989.

4. Estômago, Marcos Jorge, 2007.

5. La grande bouffe, Marco Ferreri, 1973.

6. Babette gaestebud, Gabriel Axel, 1987.

7. Chef, Jon Favreau, 2014.

8. Eat, pray, love, Ryan Murphy, 2010

9. Les saveurs du Palais, Christian Vincent, 2012

10. Julie and Julia, Nora Ephron, 2009

11. Como água para chocolate, Alfonso Arau, 1992

12. Les émotifs anonymes, Jean-Pierre Améris, 2010

13. Chocolat, Lasse Hallström, 2000

14. The hundred-foot journey, Lasse Hallström, 2014

15. Super size me, Morgan Spurlock, 2004

16. Yin shi nan nu, Ang Lee, 1994

17. Perfect sense, David Mackenzie, 2011

18. La vie d’Adèle, Abdellatif Kechiche, 2013

19. Fresa y chocolate, Tomás Gutiérrez Alea & Juan Carlos Tabío, 1993

20. Fried green tomatoes, Jon Avnet, 1991

21. Big night, Campbell Scott & Stanley Tucci, 1996

22. Bal, Semih Kaplanoglu, 2010

23. Süt, Semih Kaplanoglu, 2008

24. Yumurta, Semih Kaplanoglu, 2007

25. Tian bian yi duo yun, Ming-liang Tsai, 2005

26. Soul kitchen, Fatih Akin, 2009

27. El hijo de la novia, Juan José Campanella, 2001

28. Vatel, Roland Joffé, 2000

29. Dabba, Ritesh Batra, 2013

30. Toast, S. J. Clarkson, 2010

Dia desses percebi que nunca escrevi nada aqui no bloguinho sobre a minha viagem para a Alemanha, há mais de um ano atrás. É estranho porque algumas coisas já se perderam na minha memória, por isso vou tentar criar um registro aqui dessas lembranças esparsas. Quando fiz o intercâmbio para Londres, para mim já estava de bom tamanho conhecer apenas essa cidade que tem muito para se visitar, mas algumas semanas depois percebi que era bastante possível conhecer outras cidades. Comecei viajando no Reino Unido e depois fui para duas cidades no continente – Amsterdam e Berlim.

Para Amsterdam, fui sozinha, como relatei aqui. Para Berlin, fui com um casal de amigos cariocas. Ficamos lá dois dias e meio. No dia da viagem, fomos de táxi para o aeroporto Stansted, chegamos um pouco em cima da hora e não sabíamos qual era o procedimento de check-in da Ryanair, que já é uma experiência bizarra de viagem. Resultado: por pouco não perdemos o nosso voo. Algumas horinhas depois chegávamos em Berlin Schönefeld, o aeroporto que fica fora da cidade. Sabíamos que tinha uma estação de trem/metrô que nos levaria ao centro, mas quem disse que a gente entendia como funcionava a coisa toda? Outra coisa é que não sabíamos onde comprava o bilhete porque as estações berlinenses não tem catraca. Depois descobrimos onde comprar o passe para todos os dias da nossa viagem e entendemos as diferenças entre S e U no metrô (que eu já não me lembro mais como funciona). Ou seja, é bom se informar quanto a isso e estudar o mapa do metrô. E não ajuda muito aqueles nomes enormes de estação muito custosos de serem memorizados.

Fomos direto para o albergue, JetPak, super recomendado. O staff é ótimo, explica tudo tim tim por tim tim, o lugar é super limpo, tem um café da manhã bacana e é muito bem localizado. Lembro que a única coisa bizarra no lugar era que no banheiro tinha só uma banheira e um chuveirinho. Nada de chuveiro. Era uma ginástica estranha para tomar banho no banheiro coletivo. Lá no alguergue, os funcionários, que falavam inglês muito muito bem, ajudam todo mundo a se orientar na cidade, dão sugestões de tour, de passeio, de tudo! Deixamos nossas malas por lá, corremos para pegar o free tour, mas tínhamos que almoçar antes. Engolimos um sanduíche do Mc Donald’s, mas já estávamos atrasados. Perdemos o tour, então fomos nós mesmos dar uma volta pela cidade.

Lembro que perguntamos para um funcionário do McDonald’s sobre o que a gente poderia fazer ali por perto. Ele era italiano, o inglês dele era meio ruim, mas ele quase virou de ponta cabeça para conseguir explicar tudo para gente. Saiu na porta do restaurante, foi apontando, fazendo mímica. Pelo que pude perceber, os berlinenses são bem assim, super amigáveis, fazem de um tudo para que você se sinta bem vindo no país deles – ou no país que eles adotaram como deles, como é o caso desse italiano. Se você solta um “Danke schön” ou um “Hallo”, eles quase saltam no seu pescoço para dar um abraço.

Aqui a minha memória começa a se embolar e não sei o que fizemos no primeiro dia ou nos dias subsequentes. Acho que é muita informação que não absorvi nesse período de tempo tão curto da nossa estadia. Portanto, vou citando os lugares sem uma preocupação cronológica. Fomos ao Tiergarten, um parque urbano enorme no centro de Berlim. Na época que nós fomos era no final da primavera e era tudo muito verde. Muitas árvores, grama, uma vegetação mais concentrada, em outras horas abria uma clareira. Tudo com uma trilhazinha bem simples. Pesquisando depois na internet vi que o parque é enorme e nós andamos em uma parte minúscula dele. Fiquei impressionada com o lugar.

Fomos em uma parte do muro de Berlim que virou um mural de street art, chamado East side gallery. Depois disso parece que jantamos no outro lado da cidade. Comi uma sopa de batata com joelho de porco, ou algo do tipo. As pessoas em Berlim ou falam inglês bem – a minoria – ou arranham um inglês – maioria – mas fazem de tudo pra ajudar. E sempre tem cardápio em inglês em tudo quanto é lugar.

Fomos ao Checkpoint Charlie, fronteira de controle de passagem das pessoas da Berlim oriental e ocidental, dominada pelos americanos. O museu em si, conhecido como Haus am Checkpoint Charlie, não é dos melhores. Muita coisa para ler, uma quantidade massiva de cartazes, textos enormes e os objetos são visivelmente antiquíssimos. Tudo com cara de anos 90. Mas tem coisas incríveis, mostrando como as pessoas atravessavam a fronteira das mais variadas formas, com bonecos simulando o perrengue que as pessoas passavam, os riscos que elas corriam, as posições bizarras que elas ficavam para caber em tudo quanto é quanto.

Fomos a Potsdamer platz, o lugar que mostra como Berlim e a Alemanha em geral, deu a volta por cima. Como é uma cidade que se reergue das cinzas, um ambiente super urbano. Eu me lembro agora apenas dos canos coloridos muito visíveis na cidade inteira.

Fomos a Alexanderplatz, que era o centro da parte leste de Berlim. Lá tem a Fernsehturm, aquela torre de TV enorme. Por perto comemos batata com aquelas linguiças típicas, num restaurantezinho bem gostoso. Lá tem uma estação enorme também de metrô e lembro de ter adorado as estações e o metrô, de fato. Você sempre vai encontrar alguém de cabelo verde nele. Os vagões são amarelinhos com desenhos do Brandenburger Tor. Fomos ao Brandenburger Tor onde o tour de graça começou, mas que vou dedicar o próximo post exclusivamente a ele.