Semana passada, assisti o documentário Laerte-se, produzido pela Netflix, com direção de Lygia Barbosa e Eliane Brum. Senti vontade de escrever algo aqui, porque algumas coisas do documentário ficaram reverberando com o passar dos dias.

O documentário começa com a Laerte se perguntando por que ela está sendo alvo de um câmera, por que a vida dela é digna de ser retratada em um documentário, por que a mídia se debruça sobre a vida dela. Depois ela completa: mesmo não entendendo muito bem esse interesse da mídia sobre sua vida, ela responde os questionamentos de seus entrevistadores porque a interessa também responder. Interessa-lhe falar sobre aquilo que ela está vivendo. E que o incômodo surge porque ela esconde a própria vida dela mesma. Achei isso muito bonito: saber que nós fugimos de nós mesmos e que somos alheios ao que nos é mais íntimo.

Quando a Laerte mostrava essa inquietação, eu pensava que era óbvio que a gente queria saber dela. Eu tenho a Laerte como uma pessoa com opiniões políticas muito sólidas e certeiras, com uma carreira brilhante como quadrinista. A Laerte da minha cabeça também sabe muito bem o que quer com o próprio corpo, com a própria vida, sabe muito bem que quer ser chamada de A Laerte, com o artigo feminino na frente do nome.

Ao longo do documentário, percebi que eu estava muito longe de estar certa sobre muita coisa que eu pressupunha. A Laerte que eu vi no documentário não é uma pessoa pronta, mesmo com 60 anos de idade, quando a gente acha que já vai saber tudo o que tem de saber da vida. A Laerte vai descobrindo aos poucos o que quer do próprio corpo, da própria vida, da sua própria maneira de se colocar no mundo. A Laerte se digladia entre os seus próprios desejos e como essas vontades podem ser realizadas dentro da nossa sociedade. E os desejos dela mudam e ela aos poucos vai descobrindo o que quer, como quer. Senti uma empatia muito grande por ela e, ao longo de todo o documentário, senti-me dentro do corpo dela, aquele corpo bonito com características de mulher e de homem. Contiguamente, senti um alívio imenso de não me sentir uma pessoa sólida, de não saber muito bem quem eu sou, o que eu quero, como eu quero. Senti um alívio imenso ao entender que a existência é tateante mesmo, que a gente nunca se sente pronto para nada.

Antes de sair de casa, eu olho no aplicativo do ônibus que a minha amiga me mostrou para ver quando meu ônibus vai passar. Estava marcado que ele passaria dentro de dois minutos. Saí correndo, “vai que eu consigo chegar em tempo”, pensei. Não cheguei. O ponto estava vazio, com cara de que um ônibus tinha acabado de passar ali. Sentei no banco, peguei meu livro e comecei a ler. Poucos minutos depois, um rapaz sentou ao meu lado. Não olhei para ele, continuei lendo meu livro. Algum tempo depois ele me perguntou quantas horas eram. Peguei o celular sem tirá-lo da bolsa, olhei as horas, olhei para ele e disse que eram 11h12. Ele agradeceu e eu voltei a ler meu livro. Passaram-se mais uns minutos, o suficiente para eu ler umas quatro, cinco páginas do meu livro. O moço virou para mim e disse que era um assalto, que ele estava armado e que era para eu passar o celular. Olhei para ele assustada. Ele estava com uma faca na mão. Eu me afastei dele, ainda sentada no banco e disse, meio sem pensar: “Que isso, moço! Num faz isso não”. Minha cabeça fervilhava. Pensei em sair correndo, em bater na mão dele para a faca cair, em entregar o celular. Ao mesmo tempo eu não queria entregar o celular, eu só não queria estar naquela situação. Nessa fração de segundos, eu estava olhando para ele, sem saber como agir. Ele retrucou: “Eu tô desesperado. Eu tô desempregado.”. Respondi de volta: “Eu também tô!”. Parece que naquele momento ele caiu em si. Ele começou a pedir desculpas e guardou a faca no bolso da mochila. Disse que não ia me assaltar, que não queria meu celular. Eu percebi que provavelmente aquela era a primeira vez que ele assaltava alguém. Ele caiu no choro, falou que estava desesperado, que ele não encontrava emprego de jeito nenhum e que estava perdendo a cabeça. Eu ainda estava anestesiada com a tentativa de assalto e tentei acalmá-lo, dizendo que estava tudo bem. Ele chorava muito, as lágrimas escorriam no rosto. Eu falei meio sem jeito para ele não fazer aquilo de novo, que ele ia encontrar um emprego. Ele riu nervosamente e perguntou se eu tinha filho. Porque ele tinha uma filha de dois anos, o gás dele tinha acabado e ele já não tinha dinheiro pra mais nada. Eu, de novo, sem saber como agir, disse que não tinha filhos e que não conseguia nem imaginar o que ele estava passando. Ele pediu para apertar minha mão, eu apertei a mão dele. Ele continuou dizendo que não aguentava mais fazer bico, que precisava de emprego. Disse desculpas de novo, mil desculpas, e que ele não iria me fazer mal, que ele iria embora naquele momento. Eu disse tchau e fiquei ali no ponto, com o livro na mão e comecei a chorar descontroladamente.

Anteontem me peguei lendo os textos que publiquei nesse blog, meio escondida porque deveria estar fazendo outras coisas, meio confusa com as coisas que li. Confusa porque parece que eu não mudei grandes coisas, as ansiedades ainda são as mesmas, o jeito meio perdido de viver ainda persiste. Ao mesmo tempo, eu também mudei muito. Os meus desejos, as minhas opiniões, o jeito de ver certas coisas no mundo mudaram. Muita coisa eu não lembrava que tinha feito, nem escrito. E vez ou outra eu tive a impressão que eu estava mais bem resolvida há três anos atrás do que agora. Fato é que me deu vontade de voltar a escrever aqui nesse espaço para daqui uns três anos eu me pegar relendo meus textos, sentindo outra confusão, estranhando a minha própria imagem.

Enquanto Mistress America e While we’re young não saem, vamos acabar com essa maratona Noah Baumbach que já está quase no fim. Assisti ontem o Highball e: o que tenho a dizer? Não é um dos melhores, mas ainda assim é bom porque é filme do Noah Baumbach.

O filme acontece em um único lugar, o apartamento no Brooklyn de Travis (Christopher Reed) e Diane (Lauren Katz), um casal recém-casado. Eles querem pagar de adultos, então dão uma festa para inaugurar o apartamento e essa nova fase de suas vidas. Travis diz que a festa é para comemorar o aniversário de Felix (Carlos Jacott), uma pessoa que todos detestam, exceto Travis. O Felix é realmente um filho da puta detestável, mas a gente acaba se afeiçoando por ele, principalmente no final quando ele canta no karaokê. Travis é um retardado infantil e Diane quer pagar de adulta; porém, ela é tão imatura quanto o marido e, obviamente, a festinha acaba dando bem errado. Depois disso são mostradas outras duas festas, Halloween e o Ano Novo. Outros personagens reaparecem nessas festas, que são o núcleo principal de amizade, mas sempre aparecem outros convidados aleatórios: gente famosa, vizinhos etc. Atenção ao Noah Baumbach atuando; ao Chris Eigeman aparecendo como Fletcher: já falei como adoro esse cara no primeiro filme do Baumbach e em vários outros do Whit Stillman, né? Atenção ao mágico Don (Dean Cameron) que aparece na primeira festa. Atenção ao Miles (John Lehr) insuportável, porém brilhante. Atenção às cores das paredes, azuis e insuportavelmente festivas, contrastando com as coisas absurdas que acontecem no apartamento.

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Dia desses percebi que nunca escrevi nada aqui no bloguinho sobre a minha viagem para a Alemanha, há mais de um ano atrás. É estranho porque algumas coisas já se perderam na minha memória, por isso vou tentar criar um registro aqui dessas lembranças esparsas. Quando fiz o intercâmbio para Londres, para mim já estava de bom tamanho conhecer apenas essa cidade que tem muito para se visitar, mas algumas semanas depois percebi que era bastante possível conhecer outras cidades. Comecei viajando no Reino Unido e depois fui para duas cidades no continente – Amsterdam e Berlim.

Para Amsterdam, fui sozinha, como relatei aqui. Para Berlin, fui com um casal de amigos cariocas. Ficamos lá dois dias e meio. No dia da viagem, fomos de táxi para o aeroporto Stansted, chegamos um pouco em cima da hora e não sabíamos qual era o procedimento de check-in da Ryanair, que já é uma experiência bizarra de viagem. Resultado: por pouco não perdemos o nosso voo. Algumas horinhas depois chegávamos em Berlin Schönefeld, o aeroporto que fica fora da cidade. Sabíamos que tinha uma estação de trem/metrô que nos levaria ao centro, mas quem disse que a gente entendia como funcionava a coisa toda? Outra coisa é que não sabíamos onde comprava o bilhete porque as estações berlinenses não tem catraca. Depois descobrimos onde comprar o passe para todos os dias da nossa viagem e entendemos as diferenças entre S e U no metrô (que eu já não me lembro mais como funciona). Ou seja, é bom se informar quanto a isso e estudar o mapa do metrô. E não ajuda muito aqueles nomes enormes de estação muito custosos de serem memorizados.

Fomos direto para o albergue, JetPak, super recomendado. O staff é ótimo, explica tudo tim tim por tim tim, o lugar é super limpo, tem um café da manhã bacana e é muito bem localizado. Lembro que a única coisa bizarra no lugar era que no banheiro tinha só uma banheira e um chuveirinho. Nada de chuveiro. Era uma ginástica estranha para tomar banho no banheiro coletivo. Lá no alguergue, os funcionários, que falavam inglês muito muito bem, ajudam todo mundo a se orientar na cidade, dão sugestões de tour, de passeio, de tudo! Deixamos nossas malas por lá, corremos para pegar o free tour, mas tínhamos que almoçar antes. Engolimos um sanduíche do Mc Donald’s, mas já estávamos atrasados. Perdemos o tour, então fomos nós mesmos dar uma volta pela cidade.

Lembro que perguntamos para um funcionário do McDonald’s sobre o que a gente poderia fazer ali por perto. Ele era italiano, o inglês dele era meio ruim, mas ele quase virou de ponta cabeça para conseguir explicar tudo para gente. Saiu na porta do restaurante, foi apontando, fazendo mímica. Pelo que pude perceber, os berlinenses são bem assim, super amigáveis, fazem de um tudo para que você se sinta bem vindo no país deles – ou no país que eles adotaram como deles, como é o caso desse italiano. Se você solta um “Danke schön” ou um “Hallo”, eles quase saltam no seu pescoço para dar um abraço.

Aqui a minha memória começa a se embolar e não sei o que fizemos no primeiro dia ou nos dias subsequentes. Acho que é muita informação que não absorvi nesse período de tempo tão curto da nossa estadia. Portanto, vou citando os lugares sem uma preocupação cronológica. Fomos ao Tiergarten, um parque urbano enorme no centro de Berlim. Na época que nós fomos era no final da primavera e era tudo muito verde. Muitas árvores, grama, uma vegetação mais concentrada, em outras horas abria uma clareira. Tudo com uma trilhazinha bem simples. Pesquisando depois na internet vi que o parque é enorme e nós andamos em uma parte minúscula dele. Fiquei impressionada com o lugar.

Fomos em uma parte do muro de Berlim que virou um mural de street art, chamado East side gallery. Depois disso parece que jantamos no outro lado da cidade. Comi uma sopa de batata com joelho de porco, ou algo do tipo. As pessoas em Berlim ou falam inglês bem – a minoria – ou arranham um inglês – maioria – mas fazem de tudo pra ajudar. E sempre tem cardápio em inglês em tudo quanto é lugar.

Fomos ao Checkpoint Charlie, fronteira de controle de passagem das pessoas da Berlim oriental e ocidental, dominada pelos americanos. O museu em si, conhecido como Haus am Checkpoint Charlie, não é dos melhores. Muita coisa para ler, uma quantidade massiva de cartazes, textos enormes e os objetos são visivelmente antiquíssimos. Tudo com cara de anos 90. Mas tem coisas incríveis, mostrando como as pessoas atravessavam a fronteira das mais variadas formas, com bonecos simulando o perrengue que as pessoas passavam, os riscos que elas corriam, as posições bizarras que elas ficavam para caber em tudo quanto é quanto.

Fomos a Potsdamer platz, o lugar que mostra como Berlim e a Alemanha em geral, deu a volta por cima. Como é uma cidade que se reergue das cinzas, um ambiente super urbano. Eu me lembro agora apenas dos canos coloridos muito visíveis na cidade inteira.

Fomos a Alexanderplatz, que era o centro da parte leste de Berlim. Lá tem a Fernsehturm, aquela torre de TV enorme. Por perto comemos batata com aquelas linguiças típicas, num restaurantezinho bem gostoso. Lá tem uma estação enorme também de metrô e lembro de ter adorado as estações e o metrô, de fato. Você sempre vai encontrar alguém de cabelo verde nele. Os vagões são amarelinhos com desenhos do Brandenburger Tor. Fomos ao Brandenburger Tor onde o tour de graça começou, mas que vou dedicar o próximo post exclusivamente a ele.

Nessa semana fiz uma enquete no Facebook para saber dos cafés que as pessoas mais gostam de Belo Horizonte, levando em consideração os quesitos sabor delícia e ambiente agradável. Não há ordem aqui de melhores ou piores. Estou apenas colocando em formato de lista os cafés que as pessoas citaram no Facebook ou que as pessoas sugeriram na vida. Depois das várias sugestões, quero visitar ou retornar a essas cafeterias e depois escrevo algum review aqui no bloguinho sobre cada lugar, colocando também as impressões das pessoas que me deram as dicas dos lugares. Obrigada a quem participou. Se alguém tem mais sugestões, escreva nos comentários, purfa.

1. Duo café

Rua Felipe dos Santos, 451, loja 2, Lourdes

10h/19h (fecha sábado e domingo)

2. Café Belas Artes

Rua Gonçalves Dias, 1581, Lourdes

13h30/22h (todos os dias)

3. Café do Sesc Palladium

Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro

14h/21h (terça a sexta); 16h/21h (sábado e domingo)

4. Confeitaria Mole Antonelliana

Av. João Pinheiro, 156, Centro

8h/20h (segunda a sexta); 8h/15h (sábado)

5. Academia do Café

Rua Grão Pará, 1024, Funcionários

10h/19h (sábado até 16h, fecha domingo e feriados)

6. Casa Bonomi

Rua Claudio Manoel, 460, Funcionários

8h/22h30 (segunda. a partir de 12h; domingo até 20h)

7. Café do 104

Praça Ruy Barbosa, 104, Centro

17h/0h (terça a sábado)

8. Café Kahlua

Rua dos Guajajaras, 416, Centro

8h/21h30 (sábado e feriados 10h/21h; fecha domingo)

9. Café do Palácio

Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1537, Centro

9h/0h (todos os dias)

10. Café Nice

Avenida Afonso Pena, 727, Centro

7h/21h (sábado 8h/15h; domingo 9h/13h)

11. Café Frau Bondan

Pátio Savassi

10h/22h (segunda a sábado); 14h/22h (domingo)

12. Café com Letras

Rua Antônio de Albuquerque, 781, Savassi

12h/0h (segunda a quinta); 12h/1h  (sexta e sábado); 13h/23h (domingo).

Centro Cultural Banco do Brasil – Praça da Liberdade, 450

10h às 21h (segunda); 10h/21h (quarta a sexta); 9h/21h (sábado e domingo).

13. Café Biografias

Edifício Maletta – Rua da Bahia, 1148, sobreloja 8, Centro

12h/15h e 17h/0h (sábado 18h/0h; fecha domingo)

14. A pão de queijaria

Rua Antônio de Albuquerque, 856, Savassi

11h30/00h (terça a sábado); 16h/23h (domingo)

Como disse no post anterior, estou estudando para um exame e estou dando aulas de inglês de preparação para outros exames. E preparando e dando essas aulas, percebi como tem coisas que eu ensino e cobro dos meus alunos, que não tenho feito na minha vida. Seguem então algumas dicas para quem quer estudar, seja para um exame, seja para os estudos do dia a dia da faculdade. Tirei essas dicas dos livros que utilizo nas aulas e de alguns sites. Vamos ver se eu também consigo aplicar essas dicas na minha vida.

1. Saber quais são seus pontos fortes.

Você não precisa se dedicar tão detidamente em coisas que você já conhece. Se você tem pouco tempo, melhor se focar nos pontos que têm dificuldade e não no que você já domina. Além disso, saber do que você é capaz, quais são suas facilidades, dão um gás a mais na hora do estudo.

2. Identificar qual é o seu estilo de estudo.

Algumas pessoas são mais visuais e precisam fazer mind maps para estudar; tem gente que precisa de tudo explicadinho nos mínimos detalhes, sem desenhos, sem esquemas, apenas blocos de texto com exemplos e definições; tem gente que precisa ouvir as explicações de uma outra pessoa; tem gente que precisa colocar tudo que está aprendendo em prática. Encontrei esse questionário para que cada um saiba qual é seu modo de estudar: http://www.vark-learn.com/english/page.asp?p=questionnaire

3. Auto-motivação. Como evitar que os estudos fiquem entediantes? Como posso me manter motivado?

Cada um vai encontrar o seu jeito de se manter motivado. Eu, por exemplo, preciso ver que estou trabalhando e seguindo em frente. Em uma folha de papel, eu desenho um calendário e em cada dia tenho que escrever o que fiz, de maneira bem simples. Exemplo: Li um capítulo do livro x; corrigi as redações dos alunos. Isso funciona porque você não quer quebrar seu esquema e se obriga a fazer coisas todos os dias. Ninguém quer ver um quadradinho em branco. Tenho uma amiga que faz um diário de estudo bem descritivo, porque ela vê como começou os estudos e como vai avançando diariamente. A motivação vem, acredito, quando você sente que está caminhando e avançando.

3. Traçar objetivos. O que eu consegui até agora? O que eu preciso atingir? Quais são as prioridades? Como posso dividir meus objetivos a longo prazo em objetivos a curto prazo? Como vou saber que atinge meus objetivos de curto prazo? Como fazer para que meus objetivos não sejam muito difíceis, nem fáceis demais? Meus objetivos são acessíveis?

Você precisa estabelecer uma meta. O que você quer? Passar em uma prova? Fazer um trabalho da faculdade? Escrever um artigo de Iniciação científica? Escrever uma monografia? Escrever um projeto? Tudo parece muito inalcançável se você pensa nesses termos: Preciso escrever minha monografia inteira. Você não consegue nem visualizar como começar, qual é o ponto de partida e o que fazer depois.

Então, depois de estabelecer o seu principal objetivo e saber qual é o prazo final para você fazer isso, você precisa estabelecer subdivisões de objetivos alcançáveis. Alcançáveis, eu repito. Não adianta você se obrigar a ler um livro inteiro em um dia porque isso é impossível e você só ficará mais e mais frustrado porque não conseguiu cumprir sua meta diária. Eu ainda tenho problemas para conseguir marcar o que eu dou conta ou não de fazer. Tem gente que faz cronogramas semanais, tem gente que faz um cronograma a cada dia. Para mim, tenho percebido que eu preciso estabelecer o que fazer apenas na hora. E o que funciona mesmo é o tal do calendário motivacional. E, de tempos em tempos, faço um balanço do que já fiz, do quanto ainda falta para fazer e de quanto tempo eu tenho. Talvez eu precise bolar algo mais sistemático.

De qualquer maneira, é muito mais tranquilo marcar que hoje você tem que ler um artigo, do que você se repetir que deve escrever uma monografia inteira. Portanto, saiba quais são os passos para atingir o objetivo maior e seja proativo. Faça todo dia um pouquinho para não perder o ritmo. E pense sempre no presente: o que eu tenho que fazer hoje, ao invés de pensar no objetivo final, que está lá na frente no futuro.

4. Planejar um cronograma de estudos.

Na nossa vida, nós não temos todo o tempo disponível apenas para alcançar esse objetivo maior. Trabalhamos, estudamos, cuidamos da casa, temos amigos, namorados, precisamos descansar. Precisamos, forçosamente, encaixar os estudos na rotina diária. Então, precisamos estabelecer um cronograma diário, semanal, mensal. Faça um calendário da semana e marque quais são os horários que você pode estudar. E realmente estude nesses horários. Você verá como as horas do seu dia vão se multiplicar quando conseguir registrar quais são seus horários livres e seus compromissos fixos. Lembre-se sempre de reservar tempo para diversão e descanso.

5. Avaliar seu progresso nos estudos. Como eu posso me mostrar que estou aprendendo algo?

Semanalmente, pare um pouquinho e olhe o quanto você já progrediu. Você pode ver isso facilmente se fizer um calendário ou um diário de estudo. Você pode fazer uma lista de textos lidos e não lidos. Qualquer coisa que te mostre efetivamente o que tem sido feito e o que ainda há por fazer. Dê-se um tapinha no ombro, um prêmio. Tem gente que funciona com prêmios, né. Você pode se dar um sapato, uma refeição em um restaurante que gosta depois que alcançar um objetivo mais difícil. Qualquer coisa que te motive.

6. Criar um ambiente de estudos. Que momento do dia eu me sinto mais animado para estudar? Como eu lido com distrações? Como criar um ambiente ideal para o meu estilo de estudo? 

Isso é bastante pessoal. Por exemplo, eu funciono melhor na parte da manhã. Depois do almoço consigo fazer coisas que não exigem tanto de mim e à noite não tenho concentração de estudo. Não consigo também estudar em casa. Me distraio facilmente, minha casa é bem escura e minha rua é muito barulhenta. Ou seja, funciono melhor em bibliotecas. Eu não lido bem com distrações também. Se fizer um barulhinho do meu lado, eu já fico louca. Então preciso ir para a área mais isolada da biblioteca.

Tem gente que não é assim. Tem gente que só consegue estudar em casa, porque se sente mais relaxado. Tem gente que precisa de algum barulhinho de fundo para se manter acordado. Tem gente que precisa estudar sempre conversando. Tem gente que precisa intercalar os estudos com outras leituras aleatórias. Você é quem sabe qual é seu estilo.

7. No mais, dormir bem, comer bem, exercitar-se.

É impressionante como coisas tão bobas e prosaicas como essas dão um bem estar sem tamanho para a pessoa – ainda que eu não consegui cumprir a parte do exercício físico até o presente momento. Vejo gente na faculdade virando a noite fazendo trabalho. Ou essas pessoas são muito ocupadas ou ainda mais desorganizadas que eu. Porque não tem lógica para mim perder uma noite de sono preciosa para fazer o trabalho que você já deveria ter feito.

E vocês, tem alguma dica para estudar bem? Se eu souber de mais alguma coisa nova, escrevo por aqui.